A motivação deste blogue

Danny Quah, professor da London School of Economics, avançou recentemente com estimativas para a deslocação, nas últimas décadas, da gravidade do centro económico mundial. A ideia é simples: relativizar a distância física entre os países face ao seu peso na economia mundial.

Em 1980, a América do Norte e a Europa Ocidental produziam mais de dois terços da riqueza mundial, fazendo com que o centro económico do mundo fosse um ponto no meio do Oceano Atlântico, 900 milhas a oeste da costa marroquina. Em 2008, esse mesmo centro gravitacional encontrava-se na cidade de Izmir, na costa ocidental da Turquia. Daqui a 40 anos, passará a situar-se entre a Índia e a China, 400 milhas a leste de Katmandu (Nepal).

Em 1970, um em cada dos asiáticos vivia com menos do que um dólar por dia. Em 2010, era apenas um em cada cinco. A Ásia alcançou em 40 anos aquilo que outras regiões do mundo demoraram um século a conseguir. É um feito espantoso em apenas uma geração. Em 2010, a região representava 27% do PIB mundial.

A conclusão é clara. Depois de ter perdido a liderança da economia mundial no princípio do século XIX, a Ásia está de volta e ignorar o seu peso crescente como motor da economia mundial é ignorar a lei da gravidade.

Peso económico mundial ao longos dos séculos

No entanto, dois terços dos pobres do planeta encontram-se na Ásia. Cerca de 950 milhões de pessoas viviam nesse continente com menos de 1,25 dólares por dia. Mais do que a população conjunta da UE e dos EUA. E se aumentarmos o critério para dois dólares, este número aumenta para dois mil milhões.

O Banco Asiático de Desenvolvimento teoriza sobre o futuro da região da Ásia e do Pacífico em 2050 e conclui em apresentar dois cenários alternativos.

Num primeiro cenário, otimista, a região representará 52% do PIB mundial, recuperando a posição de centro económico mundial que já ocupava há 300 anos. Cerca de 3 mil milhões de pessoas terão padrões de vida semelhantes aos observados na Europa hoje em dia. O rendimento per capita médio aumentará seis vezes até representar cerca de 40 mil dólares por ano.

Num segundo cenário, a Ásia não conseguirá concretizar todo o seu potencial. Terá caído no denominado middle income trap e o rendimento per capita médio da região permanecerá próximo dos 20 mil dólares por ano (o nível observado hoje em Portugal ou o dobro daquele observado atualmente no Brasil).

Em qualquer dos casos, a redistribuição do peso económico e demográfico mundial é indicustível. As projeções de todos os especialistas, economistas, politólogos e outros, concordam na visão de que o século XXI será o século asiático. Daí a designação do blogue: “O retorno da Ásia”.

Foi com este intuito que tomamos a iniciativa de constituir este blogue, como espaço de divulgação e discussão dos desafios e oportunidades que uma nova ordem económica e geoestratégica, com uma Ásia como região mais dinâmica do mundo, colocam aos agentes económicos e sociais lusófonos.

Uma resposta a A motivação deste blogue

  1. x diz:

    O tamanho e latitude da asia a fez por milenios seguidos a maior concentracao de bipedes com evolutividade nao muito rasca di mundo; mais civilizacoes notaveis; mesmo no oeste a cultura dominante e a dos mercados ke surgiu na asia com seu espirito de vender ate a mae por dinheiro..kk..na verdade e um local de extremos neste aspecto ja ke tambem nela surgiram essenios por exemplo uma seita ascetica..obvio ke nao existe uma asia so e elas variam em grau de asiaticidade and sub this..nao ha como competir com a asia..ali esta o berco e o futuro..o oeste so teve efemera vantagem kuando ainda tinha kualidade mas kuando jogou ela no lixo o criterio de desempate volta a ser a kuantidade e nisso a asia ainda e o polo mor e sempre o foi..a asia original era ainda mais superior pois tinha ambos e nao a toa macedonios e romanos sempre voltavam deslumbrados de como eram tribinhas primitivas perto de um eufrates central e olha ke a babilonia era so a porta de entrada desta grandeza inigualavel..o oeste nasceu cresceu e morreu sempre com o mesmo e unico objectivo de superar o leste e na maior
    Parte do tempo kuase sempre lhe foi inferior na maior parte dos kesitos..

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