500 milhões de pandas

Portugal poderá tornar-se o primeiro país da zona do euro e o segundo da União Europeia a emitir Panda bonds, isto é, títulos de dívida pública em moeda chinesa, o renminbi.

Milhões de pandas

 

Trata-se de títulos de dívida emitidos na China por emissores não-chineses (soberanos, Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, ou privados).

As duas primeiras emissões de Panda bonds datam de 19 de outubro de 2005, pela Sociedade Financeira de Investimento, do Grupo do Banco Mundial, e pelo Banco Asiático de Desenvolvimento. Dado o eventual impacto destas emissões no currency peg do renminbi ao dólar americano, estas emissões foram negociadas durante anos, tendo sido acordado que os capitais angariados por aquelas duas entidades não sairiam da China (sendo utilizados para financiar empréstimos para project finance a promotores chineses em moeda local).

Notas chinesas

Na Europa, o Ministério das Finanças da Polónia foi o primeiro a assinar com o Banco da China um Memorando de Entendimento relativo à emissão de Panda bonds, num montante estimado de USD 455 milhões e ao longo de três anos, em junho de 2016. As Filipinas anunciaram também há um mês a emissão de USD 200 milhões em pandas no segundo semestre do ano.

Títulos de dívida análogos noutros países apresentam designações igualmente criativas (vejam-se os casos dos Kangaroo bonds na Austrália, dos Samurai bonds no Japão ou dos bulldog bonds no Reino Unido).

“É uma forma de alargar a nossa base de investidores e de atrair financiamento”, disse o Ministro das Finanças, Mário Centeno, no final de uma visita de três dias à China, na semana passada.

Ministro Centeno

Espera-se agora que as negociações do Ministério das Finanças prossigam durante os próximos meses até ser assinado um Memorando de Entendimento com o Banco da China, que anteceda a emissão de dívida.

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O que restou dos luso-descendentes na Ásia?

A Eurásia. Os Portugueses chegaram, viveram e documentaram tudo, deixando ao mundo um legado cultural e étnico que perdura até hoje. Mas…

  • Onde estão os Luso-descendentes do maior império marítimo global?
  • Porque é que os Portugueses nunca regressaram?
  • O que restou?
  • O que há para contar?

Eis as perguntas que o Edgar tenta responder no seu livro “Crónicas dos Emergentes: De Lisboa a Malaca 500 anos depois”, que muito recomendamos.

Eurasia

Portugal mantém-se como a Pátria querida para muitos Luso-descendentes, respeitada em remotas regiões da Eurásia reorganizadas atualmente em grupos de países emergentes, fruto da onda de globalização que tem influenciado fortemente as políticas económicas. Tal como sucedeu no passado, esta onda de globalização atraiu novamente os investidores e os governos a territórios esquecidos pelo tempo.

Na obra do Edgar Moreira Prates, são demonstrados pontos importantes, justificados por intensas pesquisas para trazer à luz os factos e a defesa do legado Português na Ásia o qual tem sido ignorado, e em alguns casos, até escondido do grande público.

Crónicas dos emergentes

Eis as datas a não perder:

Sessão de lançamento: Segunda-feira, 12 de junho de 2017, 16h00 – Chiado Café Literário, Avenida da Liberdade, n.º 180 D, Galeria Comercial Tivoli Fórum, Piso -1, Lisboa.

Sessão de autógrafos: Terça-feira 13 de junho, 16h00 – 87.ª Feira do Livro de Lisboa, Stand Chiado Editora, Parque Eduardo VII.

Sessão de apresentaçãoQuarta-feira 14 de junho, 11h00 – Biblioteca da Assembleia da Republica, Palacio de S. Bento, Estrela (Lapa).

Sessão de promoção: Sábado 17 de junho, 14h00 – Museu Municipal de Faro, Capela-Mor, Museu Municipal de Faro, Largo Afonso III, 14.

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O Retorno da Ásia alcança os 100.000 hits!

O blogue alcançou esta semana os cem mil hits.

O nosso mais sincero obrigado aos nossos leitores pelo seu apoio e fidelidade.

Sem vocês, ficariam mudas as reflexões aqui realizadas sobre o papel da Ásia no mundo no século XXI, e sobre como os países lusófonos se devem preparar para esta nova realidade.

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Venham mais cem mil!!

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Voos diretos entre Lisboa e Pequim com início marcado a 26 de julho

A companhia aérea Beijing Capital Airlines (BCA) vai arrancar com os voos diretos entre Lisboa e Pequim a partir de 26 de julho. E até 31 de dezembro vai disponibilizar tarifas promocionais para os passageiros que viagem a partir da capital portuguesa. A ligação direta vai ter a duração de 13 horas.

Voos entre Portugal e China

As tarifas para ida e volta vão arrancar nos 300 euros para a classe económica, detalhou a BCA em comunicado, depois da Agência Lusa ter noticiado o arranque da primeira ligação aérea direta entre Portugal e China. A companhia aérea vai disponibilizar três voos por semana – quarta-feira, sexta-feira e domingo, entre Hangzhou (cerca de 200 km a sul de Xangai) e Lisboa, com escala em Pequim.

Os voos da BCA, subsidiária do grupo HNA, accionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway e da Azul, serão realizados com o modelo 330-200 da Airbus, com capacidade para 475 passageiros.

Como a Secretária de Estado do Turismo de Portugal, Ana Mendes Godinho, explicou à Agência Lusa, o arranque de uma ligação direta entre Lisboa e Pequim acontece no seguimento do aumento do número de turistas chineses em Portugal, que temos vindo a noticiar amplamente neste blogue.

Nos últimos três anos, o número de turistas chineses que visitaram Portugal triplicou, para 183.000, e deverá aumentar “exponencialmente” com a abertura da ligação direta, sustentou a Secretária de Estado.

Turistas chineses

Segundo estatísticas oficiais de Pequim, cerca de 135 milhões de chineses viajaram ao estrangeiro em 2016, um aumento de 12,5% relativamente a 2015. A China é assim a maior fonte de turistas mundial. E a maior fonte de receitas de turismo também, uma vez que a sua despesa alcançou cerca de USD 261 mil milhões nesse mesmo ano.

 

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O Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura admite jovens profissionais

Tendo vindo a divulgar neste blogue o programa de jovens profissionais do Banco Asiático de Desenvolvimento, vimos agora divulgar a primeira edição do programa de jovens profissionais do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura.

Emprego na Ásia

Relembra-se que este programa é uma porta de acesso preferencial aos quadros da instituição para profissionais que, embora com experiência profissional de pelo menos dois anos, têm uma idade inferior à idade média de contratação (inferior a 32 anos), que se situa à volta dos 40 anos de idade.

O prazo para o envio de candidaturas conclui a 31 de maio.

Mais informações aqui.

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Aprovada a incorporação de Timor-Leste ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura

O Conselho de Governadores do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura aprovou no passado dia 21 de março a primeira vaga de adesão de novos acionistas à instituição, num número de 13 e, entre eles, Timor-Leste.

Com esta adesão, que se concretizará aquando do cumprimento na ordem jurídica interna timorense dos requerimentos legais necessários, entre outros, à ratificação do Acordo constitutivo do Banco, Timor-Leste passa a poder solicitar financiamento a esta nova instituição financeira multilateral, que com um capital autorizado de 100 mil milhões, aspira a tornar-se nos próximos anos uma referência na região para project finance em infraestruturas.

Sede do Banco

Os restantes doze novos acionistas são: Afeganistão, Arménia, Fiji, e Hong Kong, da região asiática, e Bélgica, Canadá, Etiópia, Hungria, Irlanda, Perú, Sudão e Venezuela, não asiáticos.

Uma fotografia atualizada do ponto de situação da adesão formal dos prospective founding members do Banco encontra-se disponível aqui.

Aquando da conclusão dos requerimentos legais internos necessários à adesão, o número de acionistas do Banco alcançará os 70, três acima dos 67 do seu “concorrente” na região, o Banco Asiático de Desenvolvimento, e com pouco menos de dois anos de vida.

Presidentes dos dois Bancos asiáticos

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Pequim planeia passar a ter apenas taxis elétricos

O jornal económico chinês em língua inglesa National Business Daily, com sede em Shanghai, uma tiragem diária de cerca de 500 mil exemplares e cerca de 500 mil visitas únicas diárias ao seu portal, fazia eco há poucas semanas de um plano para dar início a uma transformação faraónica da frota de 70.000 taxis de Pequim (22 milhões de habitantes), de combustíveis fósseis a energia elétrica, com início ainda este ano, em 2017.

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Se aprovada, a norma fará com que toda entrada ou reposição de taxis já existentes só possa ocorrer com automóveis elétricos.

Este plano abrange ainda outras áreas limítrofes como sejam a urbe de Tianjin (16 milhões de habitantes) e a província de Hebei.

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Estima-se que esta transformação irá gerar um mercado avaliado em cerca de USD 1,3 mil milhões, cerca de cinco vezes o PIB português e montante equivalente ao PIB espanhol.

Este plano representaria não apenas um contributo essencial para diminuir a poluição atmosférica observada na cidade, como colocaria também Pequim à frente mundial do mercado de taxis elétricos, algo que ocorre já ao nível dos automóveis privados comerciais.

A Reuters referia a este respeito há umas semanas como a China compra (e produz) mais carros elétricos do que o resto do mundo combinado. A grande maioria destes carros, de facto, são produzidos domesticamente, com uma dimensão e uma autonomia inferiores aos modelos da Nissan, BMW ou Tesla que vemos com mais regularidade na Europa, mas também um custo mais reduzido.

Carros elétricos chineses

Os principais obstáculos a esta decisão são (i) o elevado preço dos carros elétricos na China, duas vezes em média o valor dos automóveis de combustão fóssil, e (ii) a necessidade de multiplicar exponencialmente os postos de carga atualmente existentes.

No primeiro dos casos, não está totalmente fora de causa a subsidiação por parte das autarquias locais, enquanto no segundo, acreditamos que a decisão política de transformação radical do panorama automóvel da cidade, caso se concretize, poderá até servir de chamada ao setor privado para também operar neste mercado.

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