Comentário na Edição da Noite da SIC Notícias sobre a tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos

Partilhamos aqui o comentário e leitura geoestratégica do Luís Mah, comentador habitual da SIC Notícias para assuntos da Ásia e co-editor de “O Retorno da Ásia”, sobre a tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, realizado ontem na Edição da Noite daquele canal televisivo.

Mah e SIC Notícias

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Sete das dez economias que mais crescem em 2017 são asiáticas

Sete das dez economias que mais deverão crescer em 2017 são asiáticas (e três africanas), segundo as projeções do Global Economic Prospects, do Banco Mundial, publicadas em junho, designadamente:

Economias com maior crescimento do mundo em 2017

Mais informação aqui, incluindo uma breve discussão sobre as fragilidades do Produto Interno Bruto como indicador de desenvolvimento económico, protagonizada pelo Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz.

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A China ultrapassa já a Europa em investigação e desenvolvimento

O conhecido think-tank Bruegel, com sede em Bruxelas, publicou em julho um policy paper denominado The challenge of China’s rise as a science and technology powerhouse sobre a ascensão da China a potência mundial em investigação e desenvolvimento, da autoria de Reinhilde Veugelers.

O artigo mostra como a China:

(i) ultrapassa já a União Europeia em despesa com investigação e desenvolvimento em percentagem do PIB;

I&D no mundo

(ii) produz mais doutorados em ciências naturais e engenharias do que os Estados Unidos; e

China e ciência

(iii) produz sensivelmente a mesma quantidade de artigos científicos do que os Estados Unidos.

China e ciência

O objetivo das autoridades chinesas de se tornar o líder mundial em ciência e inovação em 2050 parece bem encaminhado. De certa forma, a China pretende reproduzir o caminho seguido pela Coreia do Sul, construindo uma economia globalmente competitiva baseada em setores intensivos em conhecimento.

A estratégia chinesa pretende criar o melhor sistema de talento científico aquém fronteiras, mas tem por base ainda um modelo de exportação para formação dos seus recursos humanos nos melhores centros científicos do mundo, que absorvem e incorporam no sistema chinês o conhecimento e as redes adquiridas no seu regresso à China. A este respeito, os Estados Unidos continuam a ser o destino preferido, num ganho recíproco para ambos os países, permitindo à China convergir tecnologicamente com a primeira potência mundial e permitindo a esta manter o seu papel de state-of-the-art science.

O paper defende ainda que as relações científicas entre a União Europeia e a China estão no entanto muito menos desenvolvidas e que ainda há muito caminho a percorrer a este respeito.

I&D no mundo

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A China na linha da frente nos negócios com o Irão

No início de 2016, a China e o Irão concordaram em aumentar o comércio bilateral entre ambos os países em USD 600 mil milhões numa década.

China e Irão

Este acordo é ainda mais relevante pelo facto da China ser já há vários anos o principal parceiro comercial do Irão, beneficiado pelas sanções impostas àquele país do Médio Oriente. Apenas em 2016, o comércio entre ambos os países aumentou em 41%, em resultado de um aumento de 60% nas exportações iranianas para a China e de 27% das exportações chinesas para o Irão.

Enquanto a China contribui para este relacionamento bilateral com capital, tecnologia e equipamento, o Irão contribui com o potencial de mercado de 80 milhões de pessoas e vastas necessidades de industrialização e modernização.

Este mês, o Irão acabou de assinar um acordo de USD 5 mil milhões com a francesa Total e a China National Petroleum Corporation para desenvolver um jazigo offshore de gás natural no Golfo Pérsico, o South Pars, que partilha com o Catar (e que este denomina North Pars), sendo este uma das principais fontes de riqueza do emirado catarense. Este é o primeiro acordo deste género com companhias estrangeiras desde o acordo nuclear assinado com as principais potenciais mundiais em 2015.

Irão e Catar

Também este mês, a China e o Irão decidiram colaborar bilateralmente no âmbito da Nova Rota da Seda. Neste âmbito foram incluídas uma ferrovia de 926 quilómetros que irá ligar em alta velocidade Teerão a Mashhad, a segunda cidade mais populosa do país. A este respeito, o Irão assinou um contrato de EUR 2,2 mil milhões para eletrificação dessa linha com a China National Machinery Import and Export Corporation. A ferrovia em questão integra a Nova Rota da Seda ferroviária de 3.200 quilómetros com início em Urumqi, capital da província chinesa de Xinjiang e a capita iraniana.

China e Irão

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Lagarde admite que o FMI mude a sua sede para Pequim na próxima década

O Center for Global Development (CGD), o maior think-tank do mundo em desenvolvimento, organizou na segunda-feira uma duas suas habituais conversas com máximos dirigentes e especialistas mundiais, desta vez com a Christine Lagarde, Diretora-Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

FMI

O Presidente do CGD, Masood Ahmer, aproveita o lançamento das mais recentes previsões macroeconómicas mundiais do FMI e o pós-Cimeira G-20 para entrevistar a antiga Ministra das Finanças francesa.

A surpresa é maiúscula quando, num comentário relativo ao aumento do peso das economias emergentes no crescimento mundial, que deverá ter consequências ao nível de uma nova redistribuição de quotas e de peso relativo dos acionistas na instituição, a Christine refere que não seria de espantar se a sede do Fundo passasse de Washington DC para Pequim no espaço de uma década.

(…) which might very well mean, that if we have this conversation in 10 years’ time…we might not be sitting in Washington, D.C. We’ll do it in our Beijing head office“.

O raciocínio na base deste comentário prende-se com o facto dos estatutos do FMI estabelecerem a que a sede do Fundo se encontre no membro com maior quota.

FMI

Pode ver a conversa na íntegra aqui (a partir do minuto 8:30).

 

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Ásia-Pacífico ultrapassa a Europa como maior produtor de energias renováveis do mundo

A região da Ásia e do Pacífico ultrapassou em 2016 a região da Europa e Eurásia como a maior produtor de energias renováveis do mundo.

Renováveis

Este facto deveu-se em grande medida à ascensão da China a maior produtor do mundo de energias renováveis. Segundo um relatório recente da BP, a China, que contribuiu nesse ano para cerca de 40% do crescimento mundial de produção de energias renováveis, ultrapassou os EUA como maior produtor mundial.

Energia mundial

Esta evolução foi ainda acompanhada por uma redução na produção de carvão na China de 140 milhões de toneladas (mtoe). Esta redução representou cerca de 60% do decréscimo global na produção de carvão em 2016.

De uma forma global, a produção mundial de energias renováveis cresceu cerca de 14,1% em 2016. Para este aumento contribuiu significativamente a região da Ásia e do Pacífico, com um crescimento de 27,9% nesse mesmo ano. Apenas Médio Oriente apresentou uma taxa de crescimento superior, com 42%, mas a partir de uma base amplamente inferior.

Renováveis

Em resultado também desta evolução, é de notar que as emissões de carbono globais caíram em 2016 por segundo ano consecutivo (após um aumento de 75% nos dez anos precedentes).

Importa no entanto relativizar estes números. O petróleo continua a ser a fonte dominante de energia a nível global, responsável por cerca de um terço da energia consumida. Na Ásia, a fonte dominante de geração energética continua a ser o carvão, sendo que a região representa cerca de 73,8% do consumo mundial dessa fonte energética. Constata-se que o crescimento da procura por energia, sobretudo na China e na Índia, e que juntas representam cerca de metade do aumento na procura mundial de energia, ocorre a taxas superiores às do crescimento da produção de energias renováveis.

Carvão em Ásia

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A Nova Rota da Seda

Numa altura em que muito se têm falado na comunicação social desta iniciativa chinesa, também conhecida como Plano Marshall chinês ou como OBOR (acrónimo para One Belt, One Road), optamos por consolidar aqui três análises muito completas sobre a mesma:

A Nova Rota da Seda

  1. Realising opportunities along the Belt and Road“, da PwC, relatório que propõe a melhor forma de aproveitar as oportunidades de negócio: principais atores, oportunidades para empresas estrangeiras, estratégias para avaliar e selecionar projetos, e formação de plataformas internacionais, entre outras.
  2. Understanding China’s Belt and Road Initiative“, do Lowy Institute for International Policy, think-tank australiano, relatório que apresenta de forma sintética e estruturada a iniciativa chinesa.
  3. China and the Mediterranean: Open for Business“, do European Council on Foreign Relations,  que analisa os interesses e as atuações chinesas no Mediterrâneo, com particular foco no interesse chinês nos portos da região, investimentos chineses na Itália ou a sua estratégia de segurança no Médio Oriente.

Para mais informação sobre a OBOR, veja a página compilada pela Iberchina para o efeito.

A Rota da Seda

 

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