Um bom momento para pensar em investir na Indonésia

“Investimento, mais e (quase) na hora” é o moto do novo Presidente indonésio Joko “Jokowi” Widodo.

Joko Widodo

O antigo Governador de Jacarta tem como prioridade criar um único guichet para investimento e reduzir os prazos de licenciamento de negócios até um máximo de 15 dias. Mais importante ainda, Jokowi tem em mãos um macro-plano de investimento em infraestruturas para o país. Construção de dez novos portos, construir dois mil quilómetros de novas estradas e um programa extensivo de reparação e renovação de portos em Sumatra, Java, Kalimantan, Sulawesi e Papua.

Em termos energéticos, a aposta é a de reduzir a forte dependência do petróleo e substituí-lo gradualmente por outras fontes energéticas, com especial relevo ao gás, energia geotérmica e, sobretudo, carvão. O principal objetivo é reduzir em até 90% as centrais energéticas alimentadas a diesel nos próximos três anos, representando uma poupança de sete mil milhões de dólares ao ano. Um porta-voz do Ministério de Energia e Recursos Naturais estimava em 16,5 mil milhões de dólares as necessidades de investimento na geração energética dado o aumento da procura esperado, de dez mil MW por ano em cada um dos próximos quinze anos. A capacidade instalada na atualidade é de 50 mil MW.

Energia geotermal

Por outro lado, hoje foi colocada a primeira pedra de um mega-projeto de construção de um muro marítimo gigante e de 17 ilhas artificiais na baia de Jacarta para proteger a macro-cidade do aumento do nível do mar.

A dimensão destes objetivos em investimento necessita, óbvio, do setor privado. Para tal, um melhor ambiente de negócios e uma regulação mais permissiva deve ser o primeiro passo a dar pela administração Jokowi. A Indonésia surgia em 2013 no 120.º lugar do ranking ease of doing business da Sociedade Financeira Internacional do Grupo de Banco Mundial, muito longe do sexto lugar ocupado pela Malásia ou o 18.º lugar ocupado pela Tailândia. A Indonésia ocupava um chocante 175.º lugar quanto à facilidade em constituir uma empresa (num total de 189 países observados).

A Negative Investment List emitida em abril suavizava ou removia as restrições ao investimento estrangeiro em PPPs na geração, transmissão e distribuição de energia e nos projetos de portos. Mas essa mesma legislação passava a impedir ou a dificultar ainda mais a entrada de capital estrangeiro no setor do petróleo, onshore e offshore. Um setor muito sensível politicamente, dados os elevados subsídios que o Governo pratica sobre o combustível e que tanto pesam no défice de conta corrente indonésio.

A concretização da Comunidade Económica da ASEAN representa uma ampla oportunidade para a Indonésia atrair mais capital estrangeiro. Com a Malásia e a Tailândia a ascenderem nas cadeias de valor, a Indonésia, com amplos recursos naturais, uma população muito jovem e salários competitivos tem todo o potencial para desempenhar um papel mais relevante nessas cadeias, em particular no que toca a manufaturas.

Joko Widodo

Os mercados financeiros têm vindo a responder favoravelmente às mensagens de Jokowi. Tendo sido 2013 um ano de saída líquida de capitais do país (em 0,8% do PIB), a Indonésia é o país do sudeste asiático com maiores entradas de capital desde a sua eleição e as promessas de menor burocracia e cortes nos subsídios ao combustível também têm tido consequências positivas nos mercados obrigacionistas.

A Indonésia merece ser analisada com interesse.

Advertisements
Esta entrada foi publicada em Indonésia, Malásia, Tailândia com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s