Vietname: cheio de oportunidades

Temos vindo no passado a sublinhar os três pilares da internacionalização:

  1. concentrar os sunk costs do conhecimento do mercado alvo em apenas país (dois países, no máximo, se estes apresentam sinergias),
  2. associar-se a um sócio local forte, que tenha um conhecimento privilegiado do mercado e dos concorrentes, bem como contactos fortes junto das instituições locais, e
  3. conhecer as oportunidades de negócio emergentes nesse mercado o mais a montante e da forma mais atempada possível.

Três pilares

É em apoio destes três pilares, sobretudo do terceiro, que divulgamos a informação divulgada na passada terça-feira por Le Van Teng, Director-Geral de Planeamento e Investimento do Vietname.

Segundo o Ministro, o país irá necessitar de 500 mil milhões de dólares de investimento em infraestruturas nos próximos dez anos, com especial relevo a portos, aeroportos, estradas, eletricidade e água e saneamento. Destes, 122 mil milhões dizem respeito a infra-estruturas de transporte.

Engarrafamento no Vietname

Os dados foram divulgados por Le Van Teng num seminário conjunto organizado com a aicep americana (US Trade and Development Agency) precisamente no dia em que começam as obras de construção da linha 3 do metro de Hanoi (a mais avançada de um projeto de metro que irá ter cinco linhas operacionais em 2020). As obras contam com financiamento do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD), o Banco Europeu de Investimento (BEI) e a Agência Francesa de Desenvolvimento, e estão a ser executadas pela empresa sulcoreana Daelim Industrial Co. As obras do outro metro em construção no país, em HCMC contam com financiamento do BAD, BEI e do Governo espanhol.

As fontes de financiamento locais (orçamento de Estado e emissão de dívida) e parceiros de desenvolvimento multilaterais e bilaterais irão contribuir com 40% dos 500 mil milhões, existindo assim necessidades de financiamento adicionais estimadas em 300 mil milhões de dólares, cerca de 30 mil milhões por ano. Investidores privados, quer locais, quer estrangeiros, são chamados a desempenhar um papel crucial neste processo. O Banco Mundial propôs na semana passada ao Governo de Hanoi o estabelecimento de um Fundo Municipal de Desenvolvimento para financiar infra-estruturas urbanas em cidades de segundo nível do país (fora os grandes centros urbanos de Hanoi e HCMC).

Mapa do Vietname

O país, com cerca de 90 milhões de pessoas, apresenta um sistema financeiro relativamente subdesenvolvido e um peso excessivo de empresas públicas bastante ineficientes, mas com vontade de diversificar a forte presença de empresas e investidores chineses no país e abrir ao investidor estrangeiro.

As empresas portugueses não têm sido particularmente ativas neste mercado, mas têm mostrado interesse em explorá-lo. A banca portuguesa, sempre à procura de mercados onde apoiar a internacionalização das empresas nacionais, tem mostrado maior presença. Um banco português construiu a partir da sua filial em Moçambique a licitação da Viettel (maior empresa de rede móvel do país, com 60 milhões de clientes a nível mundial e com operadores no Perú, Laos, Camboja, Haiti e Moçambique) à terceira rede móvel daquele país africano em 2011.

Viettel

Quem sabe se…

Esta entrada foi publicada em Camboja, China, Espanha, EUA, França, Haiti, Laos, Moçambique, Perú, Portugal, Vietname. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s