Violência por todos os lados II

Jia ZhangkeJian Zhanghe explica ao China Real Time do Wall Street Journal porque razão os censores chineses estão preocupados com a exibição do seu filme “Um Toque de Pecado”: “Em teoria, será definitivamente exibido. Na realidade? Eu falei (com as autoridades reguladores do cinema) basicamente uma vez de duas em duas semanas (…) o lado oficial está um pouco nervoso. (Eles pensam) que a audiência não conseguirá lidar bem com o filme. Talvez venha a ter reacções negativas”.

P.S: Entretanto, a Catarina Leite, autora do post sobre o filme “O Toque do Pecado” (e que foi “editado” por mim) responde aqui ao comentário “Spoiler”da Cristina Água-Mel.

Cara Cristina,

Estive ultimamente a viajar e com acesso limitado à internet, pelo que só agora consigo responder.

Como o Luís já referiu, este post é apenas uma pequena parte do texto que submeti, dado o texto ser bastante longo, foi-me sugerido que só os primeiros parágrafos fossem publicados. Talvez algumas das suas críticas se resolvam com a leitura do texto completo. Entretanto, fiz um resumo do texto original (Um Toque de Pecado – Resumo) que será agora publicado, mas se tiver interesse em ler o original, teria muito gosto em enviar-lho.

No texto original exploro um pouco mais o contexto sócio-cultural, inclusivamente refiro-me aos acontecimentos reais nos quais o enredo se baseia.

Escrevi este texto dado o filme ter passado nos cinemas em Portugal e eu o ter visto, de resto Jia Zhangke é um dos realizadores chineses mais prestigiados, os seus filmes têm recebido prémios em vários festivais internacionais e ele tem produzido um cinema de qualidade e consistentemente engagé com a realidade socio-política e cultural da China contemporânea.

Achei necessário descrever o enredo de forma a enquadrar o resto do argumento (que não foi publicado), mas, de facto, deveria ter posto um alerta de spoiler.

Não é de todo a minha intenção dizer que o filme é uma versão exagerada dos acontecimentos reais, mas apenas que Jia adaptou os mesmos, assim criando a sua própria história e não apenas uma versão fílmica dos acontecimentos. Aliás,  Jia recebeu o prémio pelo melhor argumento, sendo esse um argumento original que ele próprio escreveu, e no qual, além dos factos reais, ele incorpora vários elementos fictícios, o que na minha opinião torna o filme ainda mais interessante, a visão e a arte do realizador estando ainda mais presentes.   Jia nos seus filmes, particularmente nos filmes mais recentes, mistura um registo realista próximo do documentário com elementos não realistas, por exemplo elementos surreais em “Still Life”, animação em “The World”, referências brincalhonas a si próprio, aos seus filmes ou a actores conhecidos (“Unknown Pleasures”, “24 City”) e que chamam a atenção para o facto de o filme ser uma criação artística e não a realidade. Nos filmes mais recentes Jia chega mesmo a misturar documentário e ficção (“24 City”, “I Wish I knew”). Em “Um Toque do Pecado”, além do registo realista, Jia incorpora elementos surreais e também experimenta uma linguagem fílmica mais estilizada que evoca os filmes de artes marciais ou os filmes de gangsters.  Sem o resto do texto o que eu pretendi dizer não ficou muito claro.

Cumprimentos,

Catarina

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Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Esta entrada foi publicada em China, Cultura. ligação permanente.

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