O nascimento do Banco Asiático de Investimento?

As necessidades de investimento em infra-estruturas na Ásia são enormes. Isso não é novidade.  Cerca de 750 mil milhões de dólares por ano entre 2010 e 2020, segundo estimativas do Banco Asiático de Desenvolvimento.

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Mas o défice de financiamento é muito signicativo.

A região é a principal fonte de poupança do mundo, mas a canalização dessas poupanças em project finance e com maturidades elevadas não está a acontecer.

As tentativas de gerar esses recursos são muitas e variadas, como referimos no caso da Índia na semana passada. Estas têm como denominador comum o papel dinamizador da China. À Facilidade Global para as Infra-estruturas, promovida no âmbito do Banco Mundial, e ao Fundo Asiático de Infra-estruturas, promovido no âmbito do Banco Asiático de Desenvolvimento, temos não apenas de acrescentar o famoso Banco BRICS, que aqui muito discutimos, mas agora tambêm o Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas.

Lou Jiwei

O Ministro das Finanças chinês, Lou Jiwei, informou a comunicação social na passada sexta-feira sobre os andamentos dos trabalhos de constituição deste novo Banco Multilateral, curiosamente com o mesmo capital que o do Banco BRICS (50 mil milhões de dólares). Jiwei referiu que a primeira reunião multilateral do banco ocorreu em finais de janeiro, no seguimento do anúncio feito em outubro de 2013 pelo Presidente e pelo primeiro-ministro chineses nas visitas a vários países do sudeste asiático que antecederam a cimeira APEC em Bali.

Segundo o Ministro, enquanto outras multilaterais como o Banco Mundial ou o BAD têm como principal prioridade a redução da pobreza, esta nova instituição terá como missão o desenvolvimento económico e regional através das infra-estruturas (leia-se, sem as salvaguardas que o Banco Mundial e o BAD exigem em termos ambientais, de igualdade de gênero, ou de reassentamento).

Trata-se sem dúvida de uma nova forma dos países emergentes asiáticos colocarem maior pressão nos países desenvolvidos para aumentarem a dotação de recursos do BM e do BAD, mas também para terem uma maior voz nas suas estruturas de governação. “Caso contrário, criaremos as nossas próprias instituições”.

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Muitas questões se colocam a esta nova iniciativa. Quais os seus acionistas (o ministro das finanças chinês nem sequer mencionou quais serão os países acionistas desta nova instituição)? Também privados ou apenas soberanos? Qual a sua sede? Qual a sua estrutura de governação? Qual o pricing dos seus produtos financeiros? Qual a sua notação nos mercados para emitir dívida e assim financiar os projetos selecionados como interessantes?

Poderá ser este o embrião do Banco Asiático de Infra-estruturas, análogo ao Banco Europeu de Investimento na Europa?

Sede do BEI

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