Um conto de fadas asiático: como um grupo de refugiados constrói o maior Banco do Camboja

Nada melhor para celebrar a vêspera da consoada que deixar-vos como prenda de Natal um conto de fadas asiático, mais interessante ainda por ser uma história real, de como casos de sucesso a partir de empreendedorismo puro também são possíveis deste lado do mundo.

Era uma vez um grupo de refugiados cambojanos num campo de refugiados na Tailândia que decidem regressar ao seu país em 1992.

Refugiados do Camboja na Tailândia

Isto no rescaldo de uma guerra civil que destruiu o país entre 1967 e 1980 e é ainda hoje considerada como uma das mais sanguinárias da história mundial.

Tendo por base o que conheceram e experimentaram no campo de refugiados, os planos de regresso incluiam a constituição de um negócio de apoio, formação e concessão de crédito a antigos soldados desmobilizados, que mais tarde alargou, com o apoio da Organização Mundial do Trabalho e do Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas, a viúvas, refugiados retornados e outros deslocados por anos de guerra. Com o apoio dessas duas instituições, esse negócio tinha-se transformado numa ONG que geria um fundo creditício autorrenovável com o nome de Association of Cambodian Local Economic Development Agencies (ACLEDA). O seu papel chave na reconstrução do país e no acesso ao crédito por parte daqueles mais desfavorecidos transformo essa ONG na instituição de microcrédito com maior sucesso no país, para posteriormente, em 2000, transforma-se num banco especializado, e em 2003, obter uma licença de banca comercial. A internacionalização ocorreu em 2008, com o seu alargamento ao Laos (uma população de 6,5 milhões).

ACLEDA no Camboja e no Laos

Hoje, ACLEDA é o maior banco do país, com cerca de 23% dos empréstimos bancários concedidos no país e 21% dos depósitos e apresenta rácios financeiros e uma carteira de ativos de excelente qualidade. E, no entanto, não sacrifica a sua missão social e de desenvolvimento. Os estatutos do Banco baseiam-se na missão de promover um crescimento mais inclusivo. ACLEDA detém a maior rede de balcões nas áreas rurais, e mais de metade dos seus clientes são mulheres. O Mianmar, com uma população de 60 milhões de habitantes, encontra-se nos seus planos de futuro próximo.

Para mais informação sobre esta surprendente história, recomenda-se a leitura da obra When there was no money: building ACLEDA Bank in Cambodia’a evolving financial sector, de Heather A. Clark (2006). De forma mais sucinta, o The Economist debruça-se sobre essa mesma história com detalhe no seu artigo The Bank that likes to say less, de 22 de setembro de 2012.

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