Um outro ponto de vista do super tufão que destruiu o centro das Filipinas

O super tufão Haiyan, uma das tempestades mais fortes desde que há registos, afetou cerca de quatro milhões de filipinos e deverá ter causado cerca de dez mil mortes, segundo oficiais locais.

Tufao Yolanda

Em algumas cidades costeiras, como o caso de Tacloban, com cerca de 220 mil habitantes, não ficaram edifícios em pé, sinal de uma catátrofe sem precedentes no país, e dificultando quaisquer esforços de ajuda humanitária de emergência. Um oficial das Nações Unidas comparava os danos materiais causados ao tsunami que destruiu partes da Tailândia e da Indonésia, entre outros, no Natal de 2004. Um outro analista estimava os danos em cerca de 14 mil milhões de dólares.

Tufão nas Filipinas

As Filipinas, um país com mais de sete mil ilhas, são o terceiro país mais vulnerável do mundo às alterações climáticas causadas pelos gases de efeito estufa.

Não existem estudos científicos definitivos que concluam inequivocamente que a frequência ou a força das tempestades do Pacífico tem aumentado, mas a destruição causada pelo tufão Haiyan, conhecido como Yolanda nas Filipinas, emerge como o terceiro ano consecutivo que uma tempestade causa mais de mil mortos, ou o sexto ano consecutivo que os danos causados ultrapassam os 190 milhões de dólares (ver aqui dados históricos completos sobre os tufões nas Filipinas).

Cada época de tufões custa às Filipinas cerca de 2% do PIB em colheitas e produtividade, aos quais devem ser acrescidos mais 2% em custos de reconstrução, segundo estimativas do comissário filipino para as alterações climáticas.

As expectativas para 2014 não são muito melhores. Os efeitos das alterações climáticas são irreversíveis. O aumento do nível do mar no leste das Filipinas tem crescido a um dos maiores ritmos do mundo, facto que não será alheio às consequências do tufão Yolanda.

Aumento anual medio do nivel do mar entre 1993 e 2010

O novo olhar aqui mencionado é personificado pelo delegado filipino às negociações internacionais sobre a renovação do protocolo de Quioto. Saño, quer em Dezembro passado em Doha, quer esta semana em Varsóvia, tem vindo a exigir entre lágrimas aos delegados que alcancem um acordo urgente.

A principal prioridade é desenvolver um mecanismo de compensação para os países mais pobres pelas consequências das alterações climáticas. Os países mais desenvolvidos, origem histórica dos gases de efeito estufa, seriam aqueles a financiar esse mecanismo.

Embora a atual conjuntura orçamental dos países desenvolvidos não seja facilitadora deste tipo de acordo, os efeitos disproporcionais das alterações climáticas nos países em desenvolvimento é uma temática em discussão crescente nos fóruns de desenvolvimento. Já en 2010, os países desenvolvidos tinham anunciado milhares de milhões de dólares em doações para permitir a adaptação dos países em desenvolvimento às alterações climáticas através do denominado Green Climate Fund. Até à data, nem sequer um dólar foi desembolsado.

Texto adaptado de um artigo de Eric Holthaus.

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