O maior mistério de Xangai

Pouco ou nada teria de especial a inauguração de uma nova zona económica especial na China. Afinal, são já 23.

Mistério

E no entanto, andam todos revolucionados com a inauguração da zona piloto de comércio livre (ZCL) conhecida como Pudong, um subúrbio longínquo da maior cidade da China. Os 28 quilómetros quadrados da zona, pelas suas atribuições, é a primeira do seu género na China continental. Espera-se que o impacto da zona na liberalização das contas de capital do país e da internacionalização do yuan seja significativa. É também um teste ao verdadeiro dinamismo da economia chinesa numa altura de algum abrandamento.

As expectativas são muito elevadas. Revestidas de alguma euforia, diria eu.

Entusiasmo

As ações das empresas que irão beneficiar da nova zona valorizaram em mais de 300% no último mês. Já não há um único imóvel à venda perto de Pudong. Referia ao Financial Times na passada sexta-feira Xi Xinlei, um agente imobiliário, que “o preço das moradias aumentou 30% em um mês. É uma loucura. Ninguém sabe exatamente qual a situação da zona, e as pessoas nem sequer estão a visitar as casas antes de as comprar”.

Contudo, não pergunte a nenhum comprador, investidor ou analista o que irá haver exatamente na ZCL. Por enquanto, eles não sabem.

Classificados

Quando o Conselho de Estado aprovou a criação da ZCL em julho, as autoridades locais descreveram-na como um forte impulso para o setor logístico, mas apenas isso.

Desde aquela altura, as especulações sobre o que mais poderá estar incluído viraram uma bola de neve montanha abaixo. Sobretudo quando o Governo central sugeriu que irá ser usada como um teste para reformas financeiras. Segundo alguns comentadores, estão a ser discutidas a desregulamentação das taxas de juro, uma taxa de câmbio conversível e a eliminação das restrições a investimentos de empresas estrangeiras. Li Ka-shing, o magnata de Hong Kong e o homem mais rico da Ásia, referia publicamente esta semana a sua preocupação com as consequências para HK da criação desta ZCL.

Hong Kong

O South China Morning Post, de Hong Kong, informava também esta semana que o Governo irá suspender os controlos sobre a internet na ZCL, permitindo o acesso a sites bloqueados no resto da China (como Facebook, Twitter ou mesmo o Retorno da Ásia). Afinal, não haverá residentes lá, apenas escritórios, indústrias e hotéis.

Estas medidas são parte do projeto de longo prazo da China para equilibrar a economia por via da redução da dependência do investimento e da promoção de atividades mais inovadoras. Contudo, a China, pela sua dimensão e pela sua cultura, sabe muito bem que este tipo de reformas têm primeiro de ser realizadas em laboratórios, sem as restrições colocadas pela elevada burocracia do aparelho. Pudong é esse laboratório.

Laboratório

O mesmo se passou na década de 80, quando o Governo deun início a vários reformas de livre mercado em Shenzhen, antes de disseminá-las ao resto do país.

A ZCL a ser inaugurada hoje engloba três áreas: o aeroporto de Pudong, o porto de Yangshan e a zona alfandegâria de Waigaoqiao. A uma hora de carro de Lujiazui, o principal distrito financeiro de Xangai.

Sem dúvida, um negócio da China. E abriu as portas hoje.

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