A Banca Chinesa na América Latina

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Kevin P. Gallagher, Amos Irwin e Katherine Koleski, investigadores do Global Development and Environment Institute (GDAE) na Tufts University estudaram o papel dos bancos chineses na America Latina com o apoio do Diálogo Inter-Americano.  Este é o sumário executivo:

“Estima-se que a China tenha concedido empréstimos no valor aproximado de US$ 86 bilhões a países da América Latina desde 2005. Esse montante é mais alto que o conjunto de empréstimos concedidos pelo Banco Mundial, o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Exportação-Importação dos Estados Unidos (US Ex-Im Bank) nesse mesmo período.  É claro que esse valor é menor que o emprestado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dentro do Brasil, mas os financiamentos do BNDES diminuem fora do Brasil. Depois de apresentarmos estimativas dos financiamentos chineses, veremos também que os termos dos empréstimos chineses à América Latina são mais favoráveis, não impõem condições de política interna a seus credores, e suas directrizes ambientais são menos severas que nos empréstimos das Instituições Financeiras Internacionais (IFI—sigla em inglês) e dos governos ocidentais. Concluímos que:

• Os empréstimos do Banco de Desenvolvimento da China (CDB—sigla em inglês) têm termos mais rigorosos que os do Banco Mundial.

• O Banco Ex-Im da China, por outro lado, oferece em geral taxas de juros mais baixas que o Ex-Im dos Estados Unidos—embora essa diferença derive do fato do Banco Mundial oferecer juros subsidiados como uma forma de ajuda, enquanto a China oferece juros subsidiados, não através do CDB mas do Banco Ex-Im da China.

• Os bancos chineses concedem financiamentos a países significativamente diferentes dos países financiados pelas IFIs e bancos ocidentais, a saber, a Argentina, o Equador e a Venezuela, que não conseguem empréstimos tão facilmente em mercados de capital globais.

• A atuação dos bancos chineses e das IFIs/bancos ocidentais não se sobrepõem em termos significativos na América Latina. Eles concedem empréstimos de valores distintos a setores distintos em países distintos. Os bancos chineses têm se concentrado grandemente em empréstimos a setores baseados em recursos naturais e infraestrutura.

• Os bancos chineses não impõem condições de política interna aos governos que tomam empréstimos, mas exigem compras de equipamentos e muitas vezes acordos sobre venda de petróleo.

• Os termos de financiamento em acordos sobre vendas de petróleo parecem ser melhores para os sul-americanos do que muitos acreditam.

• Os bancos chineses operam com um conjunto de directrizes ambientais, mas diferentes das diretrizes de suas contrapartes ocidentais.”

Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
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