As novas embaixadas de Portugal apontam à Ásia: Astana, Baku e Manila

Quando em novembro de 2011, Paulo Portas anunciou em audição parlamentar o encerramento das embaixadas de Portugal em Malta, Andorra, Quénia, Letónia, Lituânia, Estónia e Bósnia-Herzegovina, afirmou igualmente que iria por outro lado abrir embaixadas novas em países onde Portugal “precisa dramaticamente” de novos postos para “captação de investimentos”.

Paulo Portas no Parlamento

O então Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros (MENE) deu como exemplo o Catar (entretanto inaugurada), tendo ainda referido que o mesmo iria acontecerá na Ásia e na América Latina.

Pois bem, quase dois anos depois, Paulo Portas anunciava quais as embaixadas a abrir, já em 2014: Astana (Cazaquistão), Baku (Azerbaijão), Panamá e Manila (Filipinas).

Um piscar de olho à Ásia, há muito necessário no denominado século asiático. Assume especial relevância as Filipinas, sede do Banco Asiático de Desenvolvimento, o maior banco regional de desenvolvimento do mundo, e onde Portugal tinha encerrado a embaixada há seis anos, em 2007.

O então ainda MENE referia a abertura dos novos postos numa audição parlamentar da comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, no passado 9 de julho, onde era discutida a política e atividades do Ministério para 2014.

Paulo Portas no Medio Oriente

Depois do pesadelo de uma noite de verão que foi a crise política e institucional de Portugal das últimas duas semanas, a decisão tomada ontem pelo Presidente da República de fazer como se nada tivesse acontecido, deverá ter como consequência a nomeação de Paulo Portas como Vice-Presidente do executivo. Não será assim expectável qualquer alteração na rota traçada para o Ministério dos Negócios Estrangeiros para 2014.

Folgo com a decisão tomada no Largo do Relvas.

Apenas um senão. Do meu ponto de vista, deviamos estar a abrir delegações da Aicep, e não embaixadas, muito embora a capacidade de atração de investimentos e a capacidade de gerar oportunidades de negócio naqueles países vá depender fortemente das personalidades destacadas para chefiar essas missões.

Procuram-se embaixadores

Faço uma chamada de atenção para o facto de Paulo Portas, na audição parlamentar de 9 de julho, ter referido Manila como uma missão reforçada. Para além dos 22 mil milhões de dólares em oportunidades de negócio geradas pelo BAD anualmente, ver aqui e aqui outras razões na base da decisão.

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7 respostas a As novas embaixadas de Portugal apontam à Ásia: Astana, Baku e Manila

  1. Ken Westmoreland diz:

    É possível para combinar as delegações da AICEP (ou ‘Portugal Global’) com as embaixadas – já aconteceu no caso de Singapura. Se for possível para designar um homem de negócios local como consul honorário, deve ser possível para designar o chefe da delegação da AICEP.

    O Consulado Geral da Austrália em São Paulo, por examplo, é operado por Austrade, a comissão de comércio.

    O encerramento da Embaixada em Quénia não foi uma boa decisão, porque África Oriental é uma região importante.

    • Enrique Galán diz:

      Caro Ken,

      Muito obrigado em primeiro lugar pelo interesse no blogue.

      Não podiamos estar mais de acordo.

      Existe também um caso curioso em Kuala Lumpur, onde Portugal tem delegação da aicep, mas não embaixada. E as lições a retirar são muito positivas.

      Quanto ao papel de um consul honorário, sou um pouco cético, a não ser que seja feito um acompanhamento muito próximo dos trabalhos desenvolvidos na promoção do investimento e das exportações portuguesas. Conheço muito bem o caso de Manila, onde Portugal nomeou um consul honorário há cerca de um ano, mas sem nenhuma atividade desenvolvido nesse tempo. Nesta cidade, a atividade económica está dominada por uma dúzia de familias, e todos eles gostam de se apresentar como consul de algum país: Togo, Costa Rica, Libano, Síria…. mas apenas por uma questão pessoal e não por ter uma ligação especial ou contactos privilegiados naquele país. No caso de Portugal, o consul nunca viajou a Portugal sequer. Pode ser um bom contacto, no entanto, para as empresas nacionais, mas alguém tem de fazer a ponte.

      Na minha opinião, os resultados a serem obtidos na prática dependem muito de quem for nomeado para o posto. Considero no entanto que o aumento da presença na Ásia é uma decisão acertada, sendo esta a região que vai concentrar o crescimento económico no mundo no século XXI. Esperemos que as escolhas para os postos sejam as certas. Em particular, no caso de Manila, sede do Banco Asiático de Desenvolvimento, a operar em 40 países da Ásia e do Pacífico, onde é mais que justificada a abertura de uma sede da aicep.

      Um abraço

  2. Ken Westmoreland diz:

    Muito obrigado, Enrique.

    Estava em correspondência com o presidente de Etihad, a companhia aerea em Abu Dhabi, sobre a possibilidade de voos directos de Lisboa, e o que me decepcionou não foi que a companhia não considerou os voos directos viáveis, foi que me disse que estava em contacto com o consul honorário em Bahrain, não o director da delegação Aicep em Dubai, no mesmo país. (Bahrain e Qatar escolheram ser independentes da EAU).

    Entanto, Emirates voam sem escala entre Dubai e Lisboa.

    • Enrique Galán diz:

      Muito obrigado mais uma vez por este novo comentário, Ken. Tendo voado varias vezes na rota Dubai-Lisboa desde a sua inauguração, parece-me que existia uma grande falha de mercado. Os voos vao sepre cheios, não apenas em deslocações à Ásia ou Médio Oriente, mas, dados os preços competitivos, também à África, em especial Moçambique. Não conheço qual a coordenação entre o referido cônsul honorário e o escritório da aicep no Dubai, se alguma, mas devo saudar nesse caso o papel desempenhado pelo cônsul. Da minha experiência, são poucas as vezes que é aproveitado o potencial destes nossos representantes pelo mundo fora. Posso referir em particular o caso do cônsul honorário em Manila, nomeado a quase um ano e que ainda não foi contactado por nenhuma autoridade nacional (aicep, MNE…) para aproveitar os seus amplos contactos no meio empresarial das Filipinas.

  3. Pingback: Nova rota para a Ásia | O Retorno da Ásia

  4. Pingback: Uma embaixada com posto consular e delegado comercial em Manila já! | O Retorno da Ásia

  5. rui costa diz:

    Boa tarde,e em Baku ja abriu?

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