O sucesso da China e o insucesso da Índia explicado por um Prémio Nobel

Como é possível que um regime de partido único tenha mais sucesso em reduzir os níveis de pobreza e fazer o país crescer do que um sistema democrático?

Num seminário na sede do Banco Mundial em Washington DC no passado 20 de junho, Amatya Sen ofereceu uma análise fascinante sobre as razões de o processo de desenvolvimento, crescimento e redução da probreza na Índia, uma democracia, term ficado muito aquém do processo observado na China, um regime de partido único.

China-India

O video encontra-se na integra no site do Banco Mundial.

A lição a retirar, embora não traga muitas novidades, é a de que a Índia deve investir em educação e saúde para maximizar o crescimento de longo prazo, bem como para torná-lo mais inclusivo. Segundo o Prémio Nobel, é o investimento em educação que induz o crescimento e não o oposto, dando como exemplos o Japão da segunda década do século XX (resultado dos investimentos em educação e saúde resultants da restauração de Meiji em 1868) e, mais recentemente, os casos da Coreia do Sul, Singapura, Taiwan e Malásia.

De facto, os dados mostram um grande discrepância entre os dois gigantes asiáticos em níveis de educação … (vemos como a taxa de literacia de 95% na China em 2010 contrasta com 74% na Índia em 2011 e, mais surpreendemente, os níveis de literacia observados na Índia hoje em dia são inferiores aos observados na China em 1990.

Literacia na India e na China

… e saúde (vemos como, mais uma vez, a esperança media de vida na Índia em 2011 é inferior àquela observada na China em 1990, e que em 2011, um indiano médio deverá ter vivido menos onze anos que um chinês).

Esperança mèdia de vida na India e na China

A mensagem final é clara. Não existem atalhos que conduzam a processos sustentáveis de desenvolvimento. O crescimento económico necessita de fundações fortes.

A desigualdade no rendimento entre ricos e pobres são semelhantes em ambos os países, mas na Índia esta vê-se acompanhada por uma ausência quase absoluta de cuidados básicos, de saúde, saneamento, e educação. Curiosamente, a China, um regime de partido único, forneceu estes cuidados não na tentativa de tornar sustentável o seu processo de desenvolvimento, mas por ideologia do partido dominante, algo que não aconteceu até à data na maior democracia do mundo, à partida muito mais responsabilizadora dos seus governantes face aos seus eleitores.

Amartya Sen

Eis algumas das frases mais emblemáticas do Prémio Nobel:

  • A grande questão que a Índia ainda não enfrentou é que educação e saúde são críticos. O sucesso de um país depende da qualidade dos seus cidadãos
  • A qualidade da educação importa. Mais de metade dos alunos indianos com mais de quarto anos de escolaridade não consegue dividir 20 por 5”.
  • “A Índia é líder mundial na indústria de medicamentos genéricos e tem hospitais de elite mundial, mas não tem um sistema de saúde digno dessa dessa designação”.
  • A estratégia dominante é a de fazer crescer o país primeiro, para depois fornecer serviços mínimos de saúde e educação. Cavar buracos e voltá-los a encher gera rendimento e emprego, mas não a longo prazo.

A leitura de Amartya Sen vai ao encontro daquela que, de uma forma mais geral, é defendida recentemente pelo economista de Harvard. Dani Rodrik, que demonstra como saltos de crescimento económico sustentáveis devem-se a transformações estruturais, com um forte investimento em capital humano e qualidade das instituições e com um forte desenvolvimento do setor das manufacturas.

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