Um salto em frente na integração regional asiática: China ou EUA?

As economias asiáticas pesam cada vez mais na economia mundial. A produção da Ásia iguala já aquela observada na Europa ou na América do Norte quando comparadas em paridade de poder de compra, e as projeções apontam para que as ultrapasse em mais de 50% em 2020. Pode-se afirmar hoje que o mundo cresce na medida em que a Ásia cresce.

Asia, lider em crescimento

Essa estimativa não entrava no entanto em linha de conta com os dois processos de integração alargados recentemenet na cimeira dos países ASEAN de novembro de 2012: a parceria económica global regional (Regional Comprehensive Economic Partnership – RCEP), liderada pela própria ASEAN, e a parceria transpacífica (Trans-Pacific Partnership – TPP), liderada pelos EUA.

A RCEP abrange os dez países ASEAN e os seus principais parceiros comerciais, Austrália, China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Nova Zelândia. Representa assim um terço do PIB mundial e metade da população mundial. Tem por objetivo construir uma parceria económica muito para além dos atuais acordos de comércio livre atualmente existentes. A lógica da parceira é semelhante à da própria ASEAN e transformará as cinco zonas de comércio livre e os 23 acordos de livre comércio bilaterais atualmente em vigor neste ASEAN+6 num só acordo em 2015, na forma de um enquadramento económico regional integrado, com preocupações não apenas comerciais, mas também conectividade física e institucional. A segunda ronda de negociações está agendada de 23 a 27 de setembro próximo, na Austrália.

RCEP

A TPP, por outro lado, está a ser prosseguida com uma abordagem mais comercial, denominada OMC+ (comércio mais direitos de propriedade intelectual, padrões mínimos de trabalho e política da concorrência, bem como regras de investimento e ambientais), e abrange onze países da orla do Pacífico. Austrália, Brunei Darussalam, Canadá, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Perú, Singapura, EUA e Vietname têm vindo a negociar o acordo ao longo do último ano, sendo que o Japão deverá juntar-se às negociações ainda este mês.

TPP - uma NAFTA com esteroides

O maior risco a ambas as iniciativas é a rivalidade entre os EUA e a China, que pode alastrar para ambas as parcerias e, posteriormente, para a própria ASEAN.

Um estudo muito interessante de Petri, Plummer e Zhai (2011) concluia há cerca de um ano que os ganhos de ambas iniciativas seriam pouco significativos no curto prazo, mas que, até 2025, o TPP e o RCEP gerariam uma riqueza adicional na economia mundial de 104 e 215 mil milhões de dólares, respetivamente (ou 303 mil milhões de dólares se concretizadas em simultâneo).

TPP contra RCEP

Se esta rivalidade não vincar, é provável que assistamos em poucos anos à transformação de uma destas iniciativas numa zona de comércio livre da região da Ásia e do Pacífico. Mas qual delas? Será uma zona de comércio livre à chinesa ou à norte-americana?

EUA contra China

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