Indonésia e Timor-Leste estreitam laços

O Presidente de Timor, José Maria Vasconcelos, também conhecido como Taur Matan Ruak, acaba de concluir a sua primeira visita oficial à Indonésia, que coincide com a sua primeira visita oficial ao estrangeiro após ter tomado posse do seu posto há cerca de um ano, em abril de 2012.

Presidente timorense na Indonesia

A deslocação surge também em resposta à visita do Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, a Dili em maio de 2012 para participar nas celebrações do décimo aniversário da restauração da independência de Timor-Leste.

O estreitamento dos laços entre ambos os países é um apoio essencial às aspirações de Timor-Leste de passar a ser membro da Associação de Países do Sudeste Asiático (ASEAN), formalizadas em 2011, e de alicerçar o seu processo de desenvolvimento com o apoio técnico e financeiro do seu vizinho mais próximo (em particular no setor das telecomunicações e energia). Do lado indonésio, serve ainda, como referia o Jakarta Post na sua editorial, para limpar a sua imagem de repressão durante o período de 24 anos no qual ocupou Timor-Leste.

Timorenses querem mais desenvolvimento

Apesar da diferença abissal em dimensão (cerca de 250 milhões de indonésios e pouco mais de um milhão de timorenses), o amplo excedente da balança de transações correntes de Timor e o wealth fund alimentado com as receitas da exploração petrolífera (próximo dos 10 mil milhões de dólares na atualiade) é um excelete cartão de visita em Jakarta.

Plataforma petrolifera offshore

Ambos os países parecem decididos em estreitar rapidamente laços. A visita de Matan Ruak serviu para acordar a abertura de três postos fronteirços (Haekesak/Turiskain-Tunubibi, Builalo-Memo e Haumeniana-Passabe). Foi ainda assinado um memorando de entendimento sobre isenção de visto para passaporte diplomáticos e de serviço. Numa altura em que a ASEAN está a analisar a candidatura de Timor, é sempre útil que o Presidente do país mais populoso da associação refira que “geopoliticamente e geoestrategicamente, Timor-Leste cumpre sem dúvida os requisitos de adesão”.

Taxas de crescimento esperadas dos paises ASEAN

Há no entanto um grande número de questões que têm de ser ressolvidas pelos dois países, designadamente a proposta de integração económica dos sectores de petróleo e gàs, a promoção das exportações indonésias para terceiros países atravès de Timor e o fornecimento de materiais de construção para os projetos dos novos aeroporto, porto e plantas energéticas de Timor-Leste, bem como as barreiras ao comércio bilateral e as disputas fronteiriças ainda existentes. A este respeito, refira-se que ambos os países já conseguiram demarcar cerca de 97% da fronteira terrestre, de cerca de 270 quilómetros, mais ainda restam a disputa pelas zonas de Bijael Sunan Oben e Noel Besi/Citrana.

O caminho parece estar bem traçado e ambos países parecem querer percorré-lo de mão dada. A Portugal interessa-lhe que assim seja, como porta de entrada para este outro gigante asiático.

Cavaco Silva na Indonesia

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