As contas chinesas da Grécia

Na passada segunda-feira, no mesmo dia em que o Governo grego anunciava o encerramento da rádio e da televisão públicas gregas, a The Economist publicava um artigo, com o título “A Greek island”, no qual tece considerações muito interessantes sobre como a Grécia olha para a China como um potencial (se não salvador) ao menos mitigador da sua crise.

O Partenon chines

Apesar de ter sido construído para um volume anual de passageiros próximo dos 21 milhões, a utilização do aeroporto internacional Eleftherios Venizelos de Atenas ficou-se pelos 12 milhões em 2012. 25% menos do que o observado em 2007. E a projeção é a de que este número continuar a descer em 2013. Das 24 mangas do aeroporto, apenas 10 estão em uso permanente. Para poupar, o ar condicionado tem permanecido desligado até junho.

Aeroporto de Atenas às moscas

Várias companhias estrangeiras têm vindo a fechar os seus voos para Atenas: United Airlines, Thai Airways, Gulf Air, Czech Airlines. A rota Nova Iorque-Atenas, operada pela Delta, foi encerrada em 2012. A Qatar Airways recuou em abril da decisão de cobrir essa mesma rota com o seu A380, que tinha sido anunciada em novembro. Pela primeira vez em 70 anos, não existe uma ligação direta entre a Grécia e os EUA. A Singapore Airlines deslocalizou o seu centro de operações regionais para Istambul. Mesmo a companhia bandeira grega, a Olympic Air, em resposta a uma virtual falência, viu-se obrigada a cancelar todas as suas rotas de longo percurso, que incluiam Dubai, Nova Iorque e Joanesburgo. Os pequenos voos domésticos representam já cerca de 60% do trâfego do aeroporto.

Avião a decolar

Em resposta a esta situação, o Governo grego vira os seus olhos para a China. O primeiro-ministro Antonis Samaras visitou Beijing em maio na tentativa de conquistar um maior número de investidores chineses, que já controlam uma grande parte do porto do Piréu e que planeiam tomar conta da requalificação do antigo aeroporto internacional da cidade (Aeroporto Ellinikon, encerrado em 2001). A verdade é que o número de turistas chineses na Grécia tem duplicado nos últimos três anos. Começa a ser familiar a sua presença em locais como Santorini ou Mykonos. A agência de turismo grego tem lançado este ano uma campanha promocional na televisão chinesa. Não é por acaso que o turismo representa cerca de um quarto do PIB grego.

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A cereja no topo do bolo seria a concretização da intenção do Governo grego em estabelecer voos directos com Beijing. Nas palavras do primeiro-ministro grego: “queremos ser a vossa porta para a Europa”. No entanto, Air China e Hainan Arlines terão rejeitado a proposta. Isto apesar do Governo ter liberalizado recentemente o até então vastamente protegido mercado doméstico de aviação.

Chineses interessados em investir na Grecia

Esperemos que as negociações da ANA com a Air China e com outras companhias chinesas tenham um final mais feliz.

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