Dependência excessiva da China? Antes a China que os EUA, diz a América Latina

A maior parte dos latino-americanos e caribenhos olham com bons olhos para a presença crescente da China na região.

A China na America Latina

Segundo o inquérito do Barómetro das Américas, realizado pela Universidade de Vanderbilt e o Projeto de Opinião Pública da América Latina, um em cada cinco (20%) dos latino-americanos considera a China o poder com maior influência na região. Mais 23% considera que aquele país se tornará o mais influente nos próximos dez anos.

Mais interessante ainda, 68,2% classifico a influência da China no seu país como positiva, enquanto a influência dos EUA apenas era bem-vinda para 62,2% dos latino-americanos. Os jamaicanos foram os que mais satisfeitos se mostraram com o gigante asiático. Os mexicanos os que menos.

Anti-imperialismo norte-americano na America Latina

Ao crescimento da confiança não é alheio o aumento exponencial do investimento chinês naquela região, que passou de 10 mil milhões de dólares em 2000 a 100 mil em 2009 e a 245 mil em 2011, segundo o Centro Woodrow Wilson. Esse investimento foi essencial para mitigar o efeito da crise de 2009 na região. Nesse ano, as exportações da América Latina à Europa e aos EUA cairam em 26% e 28%, respectivamente, mas as exportações para a China aumentaram em 5%.

Crescimento do comercio entre a China e a America Latina

A China é o já o principal parceiro comercial do Brasil, Chile e Peru e o segundo destino das exportações da Argentina, Costa Rica e Cuba. Segundo a Comissão Económica da Nações Unidas para a América Latina e as Caraíbas (CEPAL), a China deverá ultrapassar a União Europeia como segundo maior investidor na região.

Curiosamente, um estudo referido pelo El Pais mostra que o desempenho económico de ambas as regiões está amplamente ligado. Por cada 1% de crescimento adicional do PIB da China, o da América Latina aumenta em mais 0,4%, e as suas exportações para o gigante asiático aumentam em mais 2,5%.

A Alicia García Herrero, economista-chefe do departamento de análise do BBVA, apresentou a este respeito em outubro de 2012 no Instituto do Banco Asiático de Desenvolvimento em Tóquio uma análise comparativa muito interessante, denominada “China’s thirst for commodities. What does it mean for Latin America and Asian commodity exporters”, sobre a evolução da dependência da procura chinesa por matérias-primas no mundo entre 2002 e 2010, por tipo de produto e por país.

Dados da dependencia mundial pela procura chinesa por materias-primas

A principal preocupação é a da excessiva concentração das exportações de cada país à China em apenas uma ou duas matérias primas. Vejamos os casos da Argentina, do Brasil, do Peru e do Chile. Nestes quatro países, 5%, 12%, 10% e 15% das suas exportações, respectivamente, estão dependentes de apenas uma ou duas matérias-primas (soja no caso da Argentina, soja e minério de ferro no caso do Brasil, cobre no caso do Chile e minério de cobre no caso do Peru, respectivamente) e um único país (China).

Dependencia da America Latina na procura chinesa por materias-primas

Como a própria Alicia refere, estará a América Latina a brincar com fogo?

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