Briefing Terça-Feira VI

DEMOCRACY-IN-CHINAPankaj Mishra sobre como a ascensão da China representa o maior desafio para o liberalismo e democracia (tradução livre):

…Com a sua retórica de bem-estar social, o Partido Comunista continua a monopolizar as fontes ideológicas de legitimação política de massas num país pobre. Agora também recorre a um discurso indígena, como o neo-confucionismo, para defender os valores da disciplina, hierarquia e harmonia.

O partido também continua capaz de desviar o fervor político das classes média para o nacionalismo. De qualquer forma, a crescente disponibilidade na China de algumas liberdades privadas – principalmente consumo e viagens – consegue neutralizar, de alguma forma, um possível incitamento à mudança política.

…muitos comentadores vêm na capacidade da China em sobreviver e adaptar uma prova de um modelo alternativo: um estado desenvolvimentista que, presidido por uma elite tecnocrática, é mais forte do que a sociedade e coloca a comunidade nacional acima da individual.

Mas estes sinólogos “invertidos”, ou conservadores asiáticos, cometem o mesmo erro que os ideólogos da democracia liberal: o “modelo” da China também não é para exportação universal. É, por outro lado, um produto não replicável na história peculiar da China.

Aqui está a questão perante nós: Será que este modelo é sustentável e quais as implicações que o seu falhanço pode vir a ter para a China e para o resto do mundo?

A modernização tardia do Japão e da Alemanha, embora largamente de sucesso, não levou à paz na Europa e Ásia. Pelo contrário, crises económicas e instabilidade social crescente levaram a um maior autoritarismo em casa e uma expansão jingoística no exterior.

Certamente que a postura assertiva da China em relação aos seus vizinhos e a crescente dureza contra os dissidentes internos não augura nada de bom. A China pode vir a ser mais uma lição de advertência sobre os perigos de um país que chega demasiado tarde ao mundo moderno, com as elites determinadas a olhar para a democracia liberal como um luxo inacessível.”

Para ajudar à reflexão, Martin Jacques explica como o Ocidente e a Ásia têm concepções diferentes sobre a forma como deve ser organizada não só a sociedade mas também cada individuo.

PAZPara Miles Kahler, a ascensão da Ásia para o centro do palco da economia global promete sérios desafios em termos de paz regional e segurança global:

 “O rápido crescimento económico da China, Índia e a Associação de Nações do Sudoeste Asiático (ASEAN) pode ter vários efeitos na paz regional e segurança global. A perspectiva de transição de poder exagera o risco de conflito que resulta na convergência entre os estados dominantes e desafiadores. Mudanças rápidas nas capacidades militares e económicas podem, no entanto, ter consequências negativas na paz regional. Três características no ambiente internacional – democratização, interdependência económica e instituições internacionais – oferecem um seguro fraco, no seu melhor, contra o conflito na Ásia. Os poderes emergentes asiáticos podem desafiar regimes de segurança globais, uma maior ameaça indirecta à paz global. A continuação da contribuição asiática para a paz e segurança global irá requerer medidas que serão difíceis para actores recentemente empoderados e que competem por status e influência.”

Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Esta entrada foi publicada em Alemanha, ASEAN, Índia, China, Japão. ligação permanente.

Uma resposta a Briefing Terça-Feira VI

  1. Américo Magalhães diz:

    A China, pelo que eu conheço da sua cultura, nunca será uma Democracia ao estilo Ocidental. Nunca conheceram, desde há milénios, a Democracia tal como nós a conhecemos, desde a Grécia antiga.
    A China está a desenvolver um novo sistema político… Uma democracia à Chinesa.

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