Yuans na nossa carteira em breve?

O Governo chinês vai apresentar ainda em 2013 un plano para que o renminbi seja totalmente convertível na conta de capital. Quer isto dizer que pessoas coletivas ou individuais, chinesas e estrangeiras, poderão comprar yuans sem restrições na compra de ativos ou ações.

Bolsa chinesa

Até à data, apenas era possível comprar moeda chinesa na conta de transações correntes, isto é, no comércio de bens e de serviços (medida tomada em 1996). A resistência do Governo chinês a este tipo de convertibilidade devia-se a algum receio de eventuais fugas de capital ou entradas de capital com fins especulativos.

A decisão inclui-se num pacote de reformas pró-mercado que o Conselho de Estado chinês, chefiado pelo primeiro-ministro Li Keqiang, definiu em março como prioritárias em 2013 e representa mais um passo, neste caso muito importante, na internacionalização do renminbi e no aumento do seu protagonismo nos mercados financeiros.

Internacionalizacao da moeda chinesa

Esta decisão era esperada, mas apenas para 2015. A decisão representa assim um acelerar no processo de liberalização da economia. Segundo Beijing, a convertibilidade total de yuans deverá ainda incluir um sistema para promover o investimento de investidores individuais no estrangeiro, bem como políticas ativas de proteção dos direitos e interesses dos pequenos e médios investidores.

Analistas económicos têm vindo ainda a afirmar que o Governo chinês irá flexibilizar significativamente a câmbio da moeda chinesa. Hoje em dia, a taxa de câmbio do yuan encontra-se limitada a uma banda de flutuação de um máximo de 1% diário.

Dolar contra yuan

Uma terceira reforma, também revolucionária, diz respeito ao estabelecimento de um sistema global de encaminhamento de investimentos individuais no estrangeiro. Na prática, estamos a falar de um sistema que irá permitir aos chineses investir diretamente e sem limitações na Bolsa de Hong Kong. Uma boa altura sem dúvida para investir nessa praça. O preço dos títulos irão sem dúvida aumentar significativamente quando esta medida entre em vigor.

Bolsa de Hong Kong

Outras reformas acordadas pelo Conselho de Estado dizem respeito às dívidas das autarquias locais e provinciais, ao sistema de controlo migratório entre as áreas rurais e urbanas e à entrada de capital privado em alguns setores.

Em síntese, a total convertibilidade do renminbi não irá apenas aumentar significativamente os movimentos de capital e os investimentos da China e na China, mas também irá permitir ao renminbi ganhar mais peso como unidade de troca e de reserva internacional, beneficiado ainda pela desconfiança no futuro do euro.

Assim, não será de estranhar que alguns investidores nacionais, grandes, médios e pequenos, comecem a diversificar a sua carteira de investimentos com moeda chinesa. Precisamente o yuan alcançava há duas semanas o seu máximo histórico faco ao dólar americano.

Dolar contra Yuan

É algo que já está a acontecer com marcada frequência em África. Vários são os exemplos.

Em primeiro lugar, os fluxos comerciais entre a China e África representaram cerca de 200 mil milhões de dólares em 2012 e Standard Chartered estima que alcancem os 325 mil milhões em 2015.

China em Africa

Em segundo lugar, a procura pelo dim sum, isto é, pelo mercado offshore de obrigações denominadas em yuans, tem vindo a aumentar de forma espetacular nos últimos anos, também em África. O Banco Central da Nigéria começou jà a deter yuans no seu balanço como moeda de reserva em 2011. Aliás, a Standard Chartered estima que os Bancos Centrais da Nigéria e da Tanzânia compraram cerca de 500 milhões de yuans de uma emissão de obrigações dim sum (por um montante total de 3,5 mil milhões) lançada pelo China Development Nank em julho passado. Angola tem investido também nesse mercado. Quénia e Gana tem mostrado interesse em seguir esses passos. Na passada cimeira de março dos BRICS, em Durban, a África do Sul comprometeu-se a comprar até 1,5 mil milhões de dólares em obrigações dim sum. O seu Banco Central, seguindo os passos do Banco de Inglaterra, está a negociar ainda uma linha de swap cambial bilateral de três anos com o seu homólogo chinês por um montante de 20 mil milhões de dólares. Standard Chartered refere ainda que existe mercado para países como a Nigéria e a África do Sul emitirem dívida em yuans.

Moeda chinesa

Faz assim sentido que os agentes económicos africanos detenham yuans. Neste sentido, o Ex-Im Bank da Tanzânia anunciou esta terça-feira a inauguração de uma janela de transações em yuans, em colaboração com o HSBC de Hong Kong, para facilitar os fluxos de comércio entre ambos os países. Segundo as estatísticas do Banco Central da Tanzânia, as exportações daquele país para a China aumentaram nove vezes entre 2005 e 2010 (de 101 a 908 mil milhões de xelins). As importações em cinco vezes nesse mesmo período (de 245 mil milhões a 1,21 biliões de xelins).

Começa a fazer sentido que os agentes económicos portugueses também o façam?

Para mais informação sobre a evolução da cotação do renminbi nos últimos anos face às principais moedas internacionais, ver o gráfico interativo publicado pelo Financial Times a 15 de abril e construido por Eswar Prasad, Professor da Universidade de Cornell. 

A moeda chinesa

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