A Indonésia também está de moda em Portugal

Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar às ilhas da atual Indonésia, em 1512. Muitos portugueses criaram raízes naquelas ilhas e desenvolveram laços comerciais e económicos com a antiga metrópole. Ainda hoje, um número significativo de palavras portuguesas podem ser encontradas no Bahasa: escola, igreja, natal, mesa, sapato, ou bola, entre outras. Há cinco séculos, Portugal era de facto o embaixador de Ocidente na Indonésia. Inauguraram o primeiro contacto da população daquelas ilhas com a Europa.

Mapa da Indonesia

Após um interregno de 24 anos, na sequência da invasão indonésia de Timor-Leste, as relações diplomáticas entre os dois países foram reatadas em 1999. Desde então, os dois países têm-se aproximado e cooperado entre si, nomeadamente no plano internacional.

Esta aproximação tem aumentado exponencialmente no último ano, no seguimento da visita do Presidente da República e da respetiva delegação empresarial há em maio de 2012.

Cavaco Silva na Indonesia

Apenas entre maio e junho deste ano, os eventos sucedem-se.

O Banco Espírito Santo está a organizar uma visita a Jakarta (que inclui também Dili) com cerca de duas dúzias de empresários nacionais (EDP, Águas de Portugal, …), de 21 a 24 de maio, tendo em vista oportunidades de investimento naquele país.

Banco Espirito Santo

A AIP está também a organizar uma missão empresarial a Timor-Leste e Indonésia, a decorrer de 13 a 29 de junho, desta vez para PMEs.

A 2 de maio, a Universidade de Aveiro e a Embaixada da Indonésia em Lisboa promoviam um seminário sobre oportunidades de parceria entre ambos os países, quer económicas, quer académicas. O evento, que também contou com o patrocínio do BES, contou ainda, entre outros, com a presença do Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Indonésia-Portugal, criada faz agora precisamente um ano. 

Câmara de Comércio e Indústria Indonésia-Portugal

O texto de divulgação do seminário referia como:

A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo, beneficiando de uma localização transversal entre os oceanos Índico e Pacífico, o que lhe confere grande relevância em termos geoestratégicos e económicos. Os seus cerca de 250 milhões de habitantes e as suas 17 mil ilhas, para além de ilustrarem a grande dimensão do país, concedem-lhe características únicas, tornando-o uma referência incontornável, não apenas no Sudeste Asiático, mas também a nível mundial.

A atual conjuntura económica da Indonésia é de facto favorável.

O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) que deu entrada no país no primeiro trimestre de 2013 representou um novo recorde, com um total de 6,7 mil milhões de dólares, montante este que representa um aumento de 27,2% face ao período análogo de 2012. E mais importante ainda, tem vindo a ser observado um redirecionamento deste investimento para o sector manufatureiro, com especial relevo para o sector automóvel.

Grupo Toyota na Indonesia

As principais multinacionais mundiais tem vindo a querer marcar/aumentar presença no quarto país mais populoso e com uma das maiores classes médias em maior crescimento do mundo. Recentemente, o Boston Consulting Group estimava que a classe média indonésia irá representar cerca de 140 milhões de indivíduos em 2020.

O relatório, denominado “Indonesia’s Rising Middle-Class and Affluent Consumers: Asia’s Next Big Opportunity“, refere que o aumento da classe média indonésia será um fenómeno sem precedentes à escala mundial e representa uma janela de oportunidade para as empresas. “Não estamos a falar de um crescimento linear, estamos a falar de um arranque e uma quebra de estrutura no crescimento do consumo de muitos bens e produtos”, nas palavras do Diretor do grupo, Vaishali Rastogi.

Classes medias no Sudeste Asiatico

Como exemplo da pujança da classe média indonésia, o Governo decidiu na semana passada que o terceiro aeroporto de Jacarta, até agora apenas utilizado por voos militares e charters, passe imediatamente a receber rotas comerciais regulares, dada a congestão nos restantes dois aeroportos da cidade.

Um círculo virtuoso tem vindo a ser facilmente criado no país. O IDE em setores manufatureiros é justificado com o crescimento da classe média indonésia, mas ele próprio gera igualmente empregos que reforçam essa classe média. O sector é já o maior empregador do país, com cerca de 16 milhões de empregos em agosto de 2012 (14% do total), acima dos setores agrícola ou turístico.

Mas a previsão carece de duas importantes condições necessárias.

Em primeiro lugar, as empresas devem adaptar as suas estratégias e produtos para dar resposta a esta nova classe de consumidores.

Em segundo lugar, o Governo indonésio deve enfrentar profundas alterações na sua dotação orçamental, diminuindo os fortes subsídios aos combustíveis fósseis e aumentar os montantes destinados a educação e infra-estruturas. A este respeito, assume especial relevância o acesso a financiamento de longo prazo, até agora escasso no país. De facto, mais de metade dos fundos bancários indonésios têm uma maturidade inferior a um mês. E apenas 20% dos empréstimos concedidos no país dizem respeito a investimento, o resto tendo por destino consumo. Segundo dados do Bappenas (National Development Planning Board), dos 214 mil milhões de dólares necessários para investimento em infra-estrutura no país entre 2010 e 2014, o Governo consegue satisfazer cerca de 65%. O gap é de 74 mil milhões. O principal mecanismo escolhido para o satisfazer são as Parcerias Público-Privadas. Mas os riscos na utilização deste instrumento existem, como bem sabemos em Portugal.

Parcerias Publico-Privadas

As reformas são necessárias. E já. A economia indonésia cresceu a um ritmo anual de 6% no primeiro trimestre de 2013, o ritmo mais reduzido dos últimos dois anos, devido essencialmente ao abrandamento nas suas exportações, justificada segundo as autoridades locais pela queda dos preços de algumas matérias-primas como o óleo de palma (a Indonésia é o maior exportador do mundo), borracha, carvão e estanho.

Um factor adicional que tem favorecido esta chuva de capitais frescos é a atribuição da notação soberana de investimento pela Fitch e pela Moody’s em finais de 2011 e início de 2012, respetivamente. Mas Standard & Poor’s reviu em baixa o seu outlook há duas semanas, tendo justificado esta decisão com base na perda de alguma inércia na agenda de reformas.

Moeda indonesia

A concretização do século asiático depende de forma significativa do sucesso destas reformas.

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