Os charters de chineses estão ai a chegar. E agora, o que fazemos?

No nosso artigo sobre como a marca Portugal poderia começar a conquistar a China, referiamos há seis meses que:

O potencial da China como origem mundial de turistas deverá assumir um papel particularmente relevante. Espera-se que, em 2014, a China ultrapasse a Alemanha e os EUA como o principal consumidor de turismo do mundo por volume de despesa. Em 2011, o número de chineses que viajaram para o exterior chegou aos 70 milhões, contra apenas 5 milhões quinze anos antes. No entanto, desses 70 milhões de turistas contabilizados em 2011, apenas 50 mil visitaram Portugal.

O tempo deu-nos a razão.

Bravo!

Pelo menos parcialmente.

Falhamos na nossa previsão quanto a 2014.

Ficamos a saber a 4 de abril pela Organização Mundial do Turismo (OMT) que a China se tinha transformado em 2012 no principal consumidor de turismo do mundo por volume de despesa.

Os chineses gastaram nesse ano 102 mil milhões de dólares no estrangeiro, um montante 41% acima do valor observado em 2011. Com um aumento dessa ordem, não è de estranhar que tenham quebrado todas as previsões e tenham ultrapassando a Alemanha e os EUA dois anos antes que o previsto. “É impressionante. Totalmente inesperado”, referia numa entrevista ao Financial Times o presidente da associação de agências de viagens alemã, Jürgen Büchy.

Turistas chineses

O número de turistas chineses a viajar ao estrangeiro aumentou nesse mesmo período em cerca de 18%. De 70 para 83 milhões em apenas um ano. E a OMT estima que ultrapassem os 100 milhões já em 2015. Talvez já em 2013. Com certeza em 2014, diriamos nós.

Os chineses até já ultrapassaram em fevereiro os japoneses como o maior contingente de turistas estrangeiros na Coreia do Sul e na Tailândia.

Felizmente, Portugal consta da lista de “approved destination status” das autoridades chinesas para os seus cidadãos. Aguardamos com impaciência pelos dados da entrada de turistas chineses em Portugal em 2012. Cruzamos os dedos, embora não sejamos muito otimistas. Sem ir mais longe, em 2012, o número de turistas chineses a visitar o Chipre duplicava o daqueles que visitavam Portugal.

Postal de Portugal

Em qualquer caso, 2012 é passado. Devemos olhar para o futuro.

Alguns especialistas em turismo tem descrito o fenómeno do turismo chinês como “the biggest phenomenon to hit the global travel industry since the invention of commercial flight”. Muitos outros especialistas têm vindo a repetir que o mundo não está preparado para receber turistas chineses. Precisamente a este respeito, a CNN divulgava um artigo sobre as especificidades dos turistas chineses (em inglês), a não perder.

Turistas chineses em grupo

Recepcionistas de hotel, guias turísticos, empregados de balcão e de restaurantes e motoristas de taxi precisam de se familiarizar com a cultura e a lingua chinesa. É a nova vantagem comparativa que deveriamos construir para os redirecionar dos seus destinos de férias tradicionais (Hong Kong, Tailândia, Taiwan, Coreia do Sul e Maldivas), mas também dos europeus (Reino Unido, França e Espanha).

Turista chinesa

O Hotel Ritz em Paris tem um concierge chinês. Também as lojas de artigos de luxo nos Campos Elíseos.

Chineses e artigos de luxo

Muitos outros têm incluído nos seus menus de pequeno-almoço pratos chineses. As cadeias asiáticas de hotéis de referência, Shangri-la e Peninsula, estão a alargar a velocidade supersónica a sua rede de estabelecimentos na Europa.

Wolfgand Georg Arlt, director do China Outbound Tourism Research Institute, refere no tal artigo da CNN que “os inquéritos de satisfação e fóruns online mostram sem dúvida que a maior parte dos turistas chineses no estrangeiro não estão satisfeitos com o serviço que lhes é prestado quando viajam ao estrangeiro, em particular na Europa e nos EUA”. Sentem que são tratados como turistas de segunda, mesmo em níveis médios e elevados de turismo.

Queixa de turista chines

Como?

Ver aqui (em inglês) o que estão a fazer para os atrair trinta dos nossos concorrentes. Se Gâmbia, Cazaquistão e Paquistão estão já a construir estratégias próprias de atração de turistas chineses, por que não Portugal? 

A diferença deve ser feita não ao nível dos gestores, mas no front-office, em quem lida e contacta directamente com eles.

Turista chines em Lisboa

Cada um de nós pode contribuir no dia a dia sempre que encontrarmos um turista chinês. Devemos fazer com que as redes sociais chinesas partilhem a sua boa experiência em Portugal.

As redes sociais chinesas

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6 respostas a Os charters de chineses estão ai a chegar. E agora, o que fazemos?

  1. Enrique Galán diz:

    Muito interessante o artigo que o Diário de Notícias publicava em junho do ano passado sobre um dos raros estudos de portugueses acerca das especificidades do emergente turismo chinês, da Marta Agostinho: em http://www.dnoticias.pt/dossier/turismo/330666-historia-e-paisagens-atraem-mais-os-chineses-do-que-a-praia

  2. Bartolomeu Lança diz:

    a oferta limita a procura = no charters ever
    para um mercado como a China, a tour operação tem de ser especializada

    • Enrique Galán diz:

      Muito obrigado pelo comentário, Bartolomeu. Não podiamos estar mais de acordo. Os gregos já o estão a fazer (ver o seguinte extracto do Financial Times desta semana: “Greece’s cash-strapped government is desperate to prevent its oversized airport from becoming a white elephant. It thinks Chinese money will help. On a visit to Beijing in May, Prime Minister Antonis Samaras promised to unravel the red carpet for Chinese investors, who already run part of the port of Piraeus and who plan to redevelop a large, disused airport in the centre of Athens. Chinese tourists are also becoming familiar in popular resorts like Santorini and Mykonos. Their numbers have doubled in three years and a new advertising campaign on Chinese television aims to attract more”).

      • Bartolomeu Lança diz:

        Parabéns pelo artigo e pela iniciativa do blog, Enrique.

        Se a DMO de Portugal para a Ásia estivesse na minha equipa, este (com o que temos) seria o briefing:

        1.Orientação da oferta ao POS. Tratar a Ásia (China, Coreia, Japão, Indonésia, Filipinas, India, Tailândia) como um emissor.
        2.Ponte aérea em sistema híbrido. Hub no hemisfério sul, ligação point-to-point de aeroportos asiáticos a Lisboa em época de operação sustentável.
        3.Inovação no processo de venda. TIC’s asiáticas em território português.

        Bónus
        4.Área aeroportuária de acolhimento, dedicada ao emissor.
        5.Congresso Turismo EuroAsia em Lisboa.

        Para o consumidor asiático, em termos de operação turística, Portugal estará na mesma categoria que o Hawai está para um europeu, Long-Haul destination.
        A essência do destino comporta um território pequeno em solo, que acultura – naturalmente, faz parte do ADN receptor – por assimilação o hóspede e que consegue ser rico em diversidade, tanto em recursos como oferta. Na sua génese geográfica, Portugal é o “Shangri-la do oeste / Western Shangri-la”, “first multicultural and melting pot”, “ancient civilizations clash”.
        A diferenciação deverá acompanhar toda a cadeia de valor, desde a origem até ao consumidor, o que torna necessário alianças com grupos corporativos locais em rede, aptas à distribuição do produto Long-Haul “by recommendation/invitation only sales” for re-intermediation and “crowdsourcing sales” for disintermediation.

        (Asia = ~25% Long-Haul travelers)
        LONG HAUL TRAVELERS MOTIVATIONAL KEYS

        – Free Spirits –
        São pessoas strong-minded que prosperam na iniciativa e realização, e, vivem para viajar.
        Gostam de mergulhar na natureza e cultura, e, gostam de ser mimados durante as férias.
        Tags: Excitement; Experiences they cannot find at home; Lives for travel; Indulgence, carefree; Sharing experiences; FIT

        – Social Samplers –
        Curiosas sobre o mundo ao seu redor. Quando viajam, são espontâneas e gostam de passear no seu próprio ritmo, descobrir lugares que apenas os moradores conhecem.
        Como acontece nos Free Spirits, vivem de forma intensa os contactos na natureza com outra cultura.
        Tags: Cultural immersion; Spontaneous; Wander at own pace; Escape ordinary life; Off the beaten path

        – Personal History Explorers –
        Também adoram aprender sobre a história e cultura. Preferem circuitos organizados por razões de segurança e conforto, com itinerários que lhes permitam ver tudo.
        Tags: History; Ancestry; Look for the big picture; Organized tours

        – Cultural History Buffs –
        Querem ficar nos lugares onde a história aconteceu. Procuram experiências de viagem autênticas, misturam-se em pequenos meios, preferem descobrir as coisas por conta própria. Apreciam as ligações de ancestralidade civilizacional.
        Tags: History; Spontaneous; Authentic experiences; Self-discovery

        Não sei se será muita mudança para certos paradigmas de pensamento que estão instalados, mas garanto-lhe (com alguma segurança) que a Grécia não está a fazer o mesmo, e, se começasse a fazer igual, Portugal levaria vantagem (para além de sermos portugueses) e os nossos stakeholders também (pois continuariam com um destino autêntico e com forte identidade).

        Espero ter conseguido responder à sua pergunta de forma clara e objectiva.

        p.s. Nem se tocava nos 50.000 que já cá vêm, esses entram porque Portugal é um periférico do seu tour pack, quando muito, um extend stay…which I don’t believe much.

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