Leituras de Fim-de-Semana V

Chinese Army IllustrationHá alguns países que estão a fortalecer as suas alianças militares na Ásia-Pacífico, expandindo a presença militar na região, e frequentemente tornam a situação ali mais tensa”, diz o oitavo Livro Branco lançado esta semana pelo Ministério de Defesa chinês numa alusão “clara” aos Estados Unidos e à sua recente estratégia de “pivot” para Ásia. O primeiro Livro Branco da área da Defesa foi tornado público em 1998. O New York Times diz que este documento tem um significado simbólico e que é raramente lido pelos militares chineses. Mas tem a utilidade de servir como ponto de referência para a forma como o Partido Comunista chinês pensa que a questão da Defesa nacional deve ser apresentada ao público.

North Korean IllustrationPara Alexander Vorontsov, a principal causa do “problema coreano” (e aqui refere-se à Coreia do Norte) está na situação pendente deixada pela Guerra da Coreia (1950-53). Este ano marca o 60º aniversário desde o final da Guerra. Mas um tratado de paz entre os participantes continua por ser assinado. Existe apenas uma cessação de hostilidades ou um acordo de armistício. Mas mais importante, argumenta Vorontsov, não existem relações diplomáticas entre as duas principais partes envolvidas no conflito, Coreia do Norte e Estados Unidos. Seul não é aqui incluída porque Pyongyang considera as relações entre as Coreias como sendo questões domésticas ao contrário das relações diplomáticas entre estados estrangeiros.

“A natureza anómala da situação é demasiado evidente. Pyongyang já sugeriu repetidamente que este anacronismo impressionante da Guerra Fria seja removido, mas tem sido em vão. Washington recusa teimosamente em não só normalizar as relações intergovernamentais mas também em substituir o acordo de armistício por um documento fundamental que estabeleça uma paz duradoura na península. Efectivamente, os Estados Unidos estão a provar pelas suas acções que tem “intenções hostis”, como são chamadas em Pyongyang, independentemente do que diga. Uma co-existência pacífica com a República Democrática Popular da Coreia não está nos planos da América. Antes pelo contrário, os Estados Unidos estão à procura de eliminar a República Democrática Popular da Coreia”, diz Vorontsov, à frente do Departamento de Estudos Coreanos e Mongóis no Instituto de Estudos Orientais na Academia Russa de Ciências e que foi segundo secretário da Embaixada russa em Pyongyang entre 2000 e 2002.

NYTPankaj Mishra, autor do livro From the Ruins of Empire: The Revolt Against the West and The Remaking of Asia, eleito um dos melhores de 2012 pelo The Economist (ainda em leitura mas que já merece aprovação e talvez uma crítica neste blogue num futuro próximo) escreve no The New York Review of Books sobre três novos livros e a sua relação com a “Transformação Explosiva” da nova Ásia capitalista.

Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Esta entrada foi publicada em China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, EUA, Rússia. ligação permanente.

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