A China já tem o seu primeiro acordo de livre comércio na Europa

No início desta semana, um amigo divulgava no facebook a seguinte mensagem sobre a Islândia.

A receita islandesa para a crise

De facto, a heterodoxia da estratégia islandesa para recuperar a sua economia da crise que causou a falência dos três maiores bancos privados em 2008 (e um buraco de 85 mil milhões de dólares numa economia com um PIB próximo dos 15 mil milhões) tem sido um sucesso. É algo que não se pode negar.

A solução islandesa

As decisões políticas arrojadas da Islândia não se ficam contudo por ai.

A Islândia transformou-se na passada segunda-feira no primeiro país europeu a assinar um acordo de livre comércio com a China.

Islandia e China

O acordo foi assinado pelo Ministra dos Negócios Estrangeiros da Islândia, Ossur Skarphedinsson, e pelo Ministro do Comércio chinês, Gao Hucheng, em Beijing.

O acordo não foi fácil. Foi negociado ao longo de seis anos.

A estratégia islandesa é dupla.

Por um lado, dar um grande empurrão à sua indústria pesqueira. Em 2012, 90% das exportações da Islândia à China, cerca de 65 milhões de dólares, vinham deste sector, que agora ganha uma acesso livre à segunda maior economia do mundo e 1,35 mil milhões de consumidores.

Peixe islandes

Por outro lado, a de vender o seu vasto conhecimento e tecnologia em energia geotêrmica. Este tipo de energia, que representa 25% do seu consumo energético islandês, deve constituir-se, nos olhos do Governo nórdico, numa alternativa credível de diversificação das relações comerciais com a China.

Precisamente, o maior contingente de estudantes estrangeiros na Islândia é o chinês, ao abrigo de uma colaboração com o Governo nórdico. A Islândia já formou 80 chineses no programa geotêrmico da Universidade das Nações Unidas em Reiquiavique.

Energia geotermica na Islandia

A estratégia chinesa é menos óbvia.

A China tem repetidamente tentado obter o estatuto de observador no Conselho Ártico, um clube diplomático que reúne a Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia, Suécia e Estados Unidos. Noruega e Suécia apoiavam essa aspiração chinesa. Agora a Islândia também. A resposta dos EUA é, claro, não, nao e não.

A China tem mostrado sempre um grande interesse nesta região, não apenas pela sua vasta riqueza em recursos naturais, em particular de terras-raras, mas também como rota marítima alternativa, mais eficiente, de distribuição dos seus produtos.

Urso polar

Curiosamente, as relações da Islândia com a China não são totalmente cor-de-rosa.

O país nórdico tem vindo a travar por dezoite meses as várias tentativas do bilionário chinês Huang Nubo para arrendar um terreno montahoso de 300 quilómetros quadrados no nordeste do país. Devido ao receio quanto ao verdadeiro interesse de Huang, o parlamento islandês irá aprovar em breve uma lei que limita a aquisição de terrenos por parte de estrangeiros. Huang, que pretende investir 200 milhões de dólares num megaresort de luxo, até já lançou um ultimato e anunciou que desistiria do projeto caso este não fosse aprovado até finais de maio.

Huang Nubo

Em qualquer caso, os empresários islandeses olham para este acordo como uma enorma janela de oportunidade. Marel, um produtor de maquinaria para processamento alimentar e uma das maiores empresas locais, acaba de anunciar dois novos acordos de exportação para a China. De forma muito clara, o seu Presidente Arni Oddur Thordarson, referia ao Financial Times “this shows one of the benefits of being a small country. It is good news.

Beneficios de ser pequeno

Esta entrada foi publicada em Canadá, China, Dinamarca, Energia, EUA, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia, Suécia. ligação permanente.

Uma resposta a A China já tem o seu primeiro acordo de livre comércio na Europa

  1. Enrique Galán diz:

    Curiosamente, o Conselho Ártico atribuiu a 15 de maio o estatuto de observador permanente à China (também à Índia, Itália, Singapura, Coreia do Sul e, parcialmente, a União Europeia).

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