O retorno da Índia: desafios e recompensas

O nosso blogue continua aberto a novas colaborações.

Hoje inauguramos o primeiro de esperamos que muitos posts em conjunto com o Constantino Xavier, investigador no Instituto Português de Relações Internacionais, da Universidade Nova de Lisboa, doutorando na Paul H. Nitze School of Advanced International Studies da John Hopkins University, Washington DC, mestre pela Jawaharlal Nehru University e antigo correspondente do Semanário Expresso em Nova Deli.

Obrigado, Constantino, por aceitar o nosso convite e por nos elucidar tão claramente sobre este subcontinente que tão bem conheces.

Obrigado!

Se já há alguns anos era complicado, com a atual recessão económica ainda mais difícil se tornou convencer os empresários portugueses a investir na Índia. Paradoxalmente, é contudo na actual conjuntura que mais oportunidades se nos apresentam a Oriente. Com um sexto da população mundial, um imenso mercado de consumidores em rápida expansão, e urgente necessidade de atrair investimentos estrangeiros, a Índia procura agora diversificar as suas parcerias. Esta é uma oportunidade única para Portugal e as suas empresas atacarem os desafios e as recompensas oferecidas pela imensa Índia.

India: o pais dos mil milhoes de oportunidades

A estratégia de desenvolvimento económico indiana dos próximos anos, plasmada no recém adotado 12.º Plano Quinquenal, pretende criar as condições para que a economia retome os níveis de crescimento observados entre 2004 e 2008, próximos dos 9% (5,4% em 2012).

Não vai ser fácil. A Índia enfrenta vários constrangimentos e faltam-lhe muitas das condições necessárias para sustentar um crescimento rápido.

Uma das principais fragilidades prende-se com a qualidade e quantidade das suas infra-estruturas. Estima-se que o défice em infra-estruturas custe à Índia entre dois a três pontos percentuais no crescimento anual do seu PIB. De facto, a infra-estrutura da Índia é inadequada a uma economia moderna, com os seus portos ineficientes, estradas congestionadas e uma rede elétrica arcaica. Por exemplo, o apagão que a Índia sofreu em finais de julho afetou vinte Estados e cerca de 620 milhões de pessoas.

Autocarro em Nova Deli

O grande desafio é, no entanto, convencer os investidores estrangeiros a investir na Índia. Os fluxos de investimento estrangeiro encontram-se fortemente condicionados por inumeráveis restrições regulamentares, judiciais e fiscais, um sistema complexo de subsídios e marcados desequilibrios macroeconómicos. É perante este cenário que a Índia procura agora cativar investidores e empreendedores de países médios e pequenos, incluindo Portugal. Nem sempre é fácil competir com sucesso contra empresas americanas, alemãs ou japonesas em grandes concursos como, por exemplo, a rede de metro ou o novo aeroporto da capital, Nova Deli. Mas há imensas oportunidades na quase meia centena de outras cidades indianas com mais de um milhão de pessoas. O número de indianos a resider em zonas urbanas irá aumentar de 400 a 600 milhões até 2031. É essa outra Índia, para alem de Deli, Bombaim, Calcutá, ou Bangalore, que aguarda por investimentos portugueses. O mercado é apelativo. O consumidor indiano mostra um elevado grau de fidelidade, uma vez a marca se encontra devidamente posicionada. Um inquérito conduzido recentemente pela consultora AT Kearney concluia que 75% das multinacionais com presença na Índia tinham visto como as suas expetativas e objetivos de entrada no mercado indiano tinham sido ultrapassados.

Notas Indianas

Depois de em séculos passados ter chegado a dominar a economia mundial, a Índia voltará em breve a ter um papel central. As projeções indicam que a sua população deverá ultrapassar a chinesa em 2030, e que a sua economia superar a norte-americana antes de 2040. O fenómeno foi já denominado de “segunda vaga indiana” por Martin Feldstein, professor de Harvard e antigo conselheiro-chefe económico de Ronald Reagan.

É importante Portugal aproveitar esta janela de oportunidade que já foi reconhecida por várias empresas portuguesas que se estabeleceram na Índia recentemente, resultando na duplicação do valor do comércio bilateral em cinco anos. A ampla comitiva empresarial que acompanhou Paulo Portas a Nova Delhi, Bombaim e Goa de 4 a 8 de março deve estar assim bem ciente dos desafios, mas também das imensas recompensas que a Índia oferece a quem nela acredita e investe.

Mapa da India

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