Reportagem “Inside Malaysia´s Shadow State” (Global Witness)

A Global Witness, uma conhecida organização não-governamental internacional que desenvolve campanhas de sensibilização sobre a corrupção e o seu impacto na exploração abusiva de recursos naturais e desrespeito pelos direitos humanos acaba de lançar um novo filme sobre as corrupções e ilegalidades no Estado de Sarawak na Malásia.

No seu site, a Global Witness diz que a sua investigação revela bem como a corrupção e a ilegalidade têm minado a governação no Estado de Sarawak, o maior da Malásia, na ilha de Bornéu.

Durante mais de 30 anos, Abdul Taib Mahmud tem governado a ilha. Ele detém o controlo sobre a classificação de todos os solos e concessão de licenças de deflorestação e plantação no Estado. Durante o seu governo, Sarawak tem sofrido uma das taxas mais intensas de deflorestação a nível mundial. O Estado tem agora menos de 5 por cento das suas florestas intactas e continua a exportar mais madeira tropical do que a América do Sul e África juntas.

O filme mostra pela primeira vez, os instrumentos que a família de Abdul Taib Mahmud e os seus advogados têm utilizado para se escaparem às leis e impostos na Malásia. As suas entrevistas revelam como é que os seus lucros enormes são obtidos à custa das populações indígenas e o seu “dinheiro sujo” escondido em Singapura.

Taib e os seus advogados já negaram as alegações de corrupção feitas pela Global Witness.

Para a Global Witness, a corrupção está a destruir a sociedade de Sarawak e os recursos naturais do Estado. São as populações indígenas que mais têm sofrido com esta situação. As suas terras ancestrais, que têm tentado reclamar e proteger, têm sido licenciadas de forma contínua para desflorestação e plantações e em violação dos seus direitos à luz da lei do Estado de Sarawak e da Malásia. Muitas comunidades indígenas acabam por entrar num ciclo de pobreza e dependência.

Um estudo do final de 2012 aponta a Malásia como o terceiro país a nível mundial com maior fuga ilícita de capitais. Estima-se que tenham saído ilicitamente do país, cerca de 285 mil milhões de dólares entre 2001 e 2010, ou 43 mil dólares por agregado familiar.

Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Esta entrada foi publicada em Malásia, Singapura. ligação permanente.

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