Algo está a mudar em Beijing. Muito pouco em Pyongyang.

Até agora era assim.

A posição da China quanto a Coreia do Norte

Algo está a mudar em Beijing. Eis a crónica do inesperado recuo no apoio da China à Coreia do Norte.

O regime de Pyongyang retomou os ensaios nucleares no passado 12 de fevereiro com a detonação controlada de um artefato nuclear. É a terceira vez que Pyongyang realiza este tipo de ensaios. Já o tinha feito em outubro de 2006 e maio de 2009. A explosão foi registada por sismógrafos na Coreia do Sul, no Japão e nos EUA, que a descreveram como um terramoto artificial.

Nas duas anteriores ocasiões em que Pyongyang realizou ensaios nucleares, a China compensou as sanções de Ocidente e do Japão quanto a apoio energético e económico. Desta vez, a reação chinesa é muito diferente.

A China e os ensaios nucleares norte-coreanos

Às habituais sanções ocidentais e das Nações Unidas, somam-se pela primeira vez as do seu aliado chinês.

O desencanto de Beijing com a ausência de reformas económicas e a negativa de Kim Jong Un em retomar as negociações quanto ao seu programa nuclear fora já sentido em Dezembro, aquando do lançamento de fogetões balísticos desarmados de longa distância. Pouco à primeira vista, mas um sinal muito forte para quem conhece a forma de comunicar de Beijing. Tão forte que o Secretário de Estado Adjunto para as Finanças norte-americano, David Cohen, declarava aos jornalistas após uma visita recente a Beijing: “there’s reason to believe the Chinese are looking at the threat in a real way”.

David Cohen

Beijing anunciou ontem que vai redobrar ainda mais as inspeções dos cargueiros norte-coreanos atracados nos portos chineses. Exportadores no porto chinês de Dalian referem que as suas exportações para a Coreia do Norte cairam até 80% nos últimos três meses. Em 2011, a China fornecia a quase totalidade do combustível consumido na Coreia do Norte, bem como 83% das suas importações.

A reação do Governo do grande líder Kim Jong Un merece ser partilhada em primeira mão.

A 5 de Fevereiro, o website de propaganda governamental norte-coreana Uriminzokkir divulgava um video com uma simulação de uma bomba atómica que alcançava a cidade de Nova Iorque, acompanhado de mensagens como “Death to easy listening American imperialism!. Duas semanas depois, mostrava a Barack Obama e soldados norte-americanos a arder nas chamas de um ataque nuclear. No início da semana passada, um outro video mostrava a cùpula do Capitólio a explodir numa bola de fogo.

Fogos de artificio no Capitolio

Na passada sexta-feira, o mesmo website Uriminzokkir divulgava um video de mais de quatro minutos, com o título “A Short, Three-Day War”, que mostra com detalhe uma invasão do vizinho do Sul por parte de 4.000 tanques e 3.000 veículos blindados norte-coreanos. Segundo o video, 150.000 residentes norte-americanos seriam feitos refens pelas forças de Pyongyang. O narrador descreve diferentes fases da invasão virtual e chega a referir a destruição das forças norte-americanas que comandam o Pacífico com poderosas armas de destruição em massa. A dada altura, o narrador refere que, após três dias, as principais cidades da Coreia do Sul estariam em estado de total caos, sem água, comida e rede de comunicações. Apenas o Exército do Povo Coreano (do Norte) seria capaz de estabilizar a situação. A vitória ficaria conhecida como a Guerra da Unificação.

Tropas norte-coreanas

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