A integração regional na Ásia: uma primeira introdução

Uma mesma moeda na China e na Índia? Liberdade de circulação de bens, serviços, indivíduos e capital entre digamos a Índia e o Paquistão? A China e O Japão ressolvendo os seus diferendos territoriais num tribunal de justiça supra-nacional asiático? Um mercado úunico energético que acabe com os apagões na Índia? Ainda estamos muito longe.

Mas quão longe?

quão longe?

Alguns passos foram dados.

  • A melhoria nas infra-estruturas do Corredor Económico Leste-Oeste da subregião do grande Mekong permitiu reduzir o tempo de viagem de Dong Ha no Vietname para Savannakhet no Laos de 12 para 3 horas.
  • A inauguração do gasoduto entre o Mianmar e a Tailândia para transportar a produção dos poços de Yadana e Yetagun é responsável hoje em dia por 30% das exportações do Mianmar.
  • A barragem hidroelétrica de Nam Theun 2 no Laos vai gerar ao país cerca de 2 mil milhões de receita a partir de Tailândia nos seus 25 anos de vida útil.
  • A Índia e o Bangladesh estão a construir neste momento as primeiras interconexões das suas redes de transmissão energética. Também a Malásia peninsular e a Sumatra indonésia.
  • O tempo necessário para as mercadorias cruzarem postos fronteiriços rodoviários nos países da Ásia Central foi reduzido em média em 6,2 horas apenas em 2011.
  • Em setembro de 2012, as bolsas ASEAN, que reúne sete bolsas da região, anunciaram a sua intenção de constituir o ASEAN trading link, que inicialmente contava apenas com a bolsa de Kuala Lumpur e de Singapura, mas à qual um mês mais tarde se associou a Bolsa de Banguecoque. Foi criado um mercvado virtual de 1,4 biliões (trillion) de dólares.
  • Os acordos bilaterais de crédito cambial recíproco assinados pelos países ASEAN, China, Coreia do Sul e Japão estão ser copiados pelo Banco Central da Índia, que colocou à disposição dos seus países vizinhos uma facilidade de 2 mil milhões de dólares em maio de 2012.

Mas esta descrição é ainda muito parcial.

Numa tentativa de conhecer com clareza qual o ponto de situação da integração regional na Ásia, o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) publicou no passado 5 de março a segunda edição de uma das suas publicações-bandeira, o Asian Economic Integration Monitor.

Asian Economic Integration Monitor

Trata-se da única publicação no mundo que analisa a evolução, nas suas várias vertentes, mas também como um todo, do fenómeno da integração e cooperação regional na região. Apresenta também um índice sintético que permite inferir rapidamente se a região está a caminhar para uma maior ou menor integração. Eis a tendência geral observada.

Como tem evoluido a integração na Ásia

Sendo um dos pilares da sua estratégia de longo prazo a promoção de uma maior integração e cooperação regional das economias da região da Ásia e do Pacífico, o Banco apresenta-se sem dúvida como o maior centro de conhecimento, análise e acompanhamento dessa integração reginal. No seu Asia Regional Integration Center, podemos encontrar, entre outros, informação sobre todos os acordos de comércio livre que abrangem países da região.

E não são poucos. O número de acordos de comércio livre na região mais que triplicou na última década. De 70 em 2002 a 257 em janeiro de 2013.

Como tinha acontecido de forma mais ampla em 2012 aquando do lançamento da primeira edição da publicação, tendo por base um workshop de dois dias em Kunming, na China, com representantes principais iniciativas regionais, o evento de 5 de março serviu também para reunir representantes das principais iniciativas regionais, todas elas apoiados pelo BAD:

  • Na Ásia do Sudeste, a mais antiga, a Associação de Nações do Sudeste Asiàtico (Association of South East Asian Nations – ASEAN), tendo como compromisso criar uma união económica, caraterizada por liberdade de circulação de servicos, bens, pessoas e capital, já em 2015. Envolve Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Singapura, Tailândia e Vietname.

 Paises ASEAN

  • Na Ásia Oriental, e com uma componente mais financeira, a ASEAN+3 (China, Coreia do Sul e Japão). Criada em resposta à crise financeira asiática de 1997, os países ASEAN+3 acordaram em maio de 2000, na cidade tailandesa de Chang Mai, a constituição de acordos bilaterais de crédito cambial recíproco (bilateral currency swap arrangements) que, fora das condicionalidades impostas pelo Fundo Monetário Internacional, fomentasse a estabilidade financeira na região, mas desta vez por asiáticos e para asiáticos. O acordo foi aprofundado em 2010 com a criação de um fundo multilateral de reservas cambiais de 120 mil milhões de dólares, alargado dois anos depois, em maio de 2012, em Manila, para 240 mil milhões.

 Asean Plus 3

  • Na Ásia Central e do Cáucaso, o Programa de Cooperação Económica Regional da Ásia Central (Central Asia Regional Economic Cooperation Program – CAREC). Cobrindo cerca de 4.000 quilómetros e dez países, o constitui-se num amplo programa de infra-estruturas regionais e de facilitação do comércio. E enfrenta grandes desafios. A título de exemplo, uma viagem típica transfronteiriça de 500 quilómetros de uma camião TIR de vinte toneladas neste corredor demora 19,3 horas e custa 1.068 dólares (a mesma deslocação, na Europa Ocidental, demoraria oito horas e custaria 800 dólares). Envolve Afeganistão, Azerbaijão, Cazaquistão, China (essencialmente a região autónoma de Xinjiang), Mongólia, Paquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Uzbequistão. Para mais informação sobre o CAREC, ver o nosso post de 9 de abril.

 Paises CAREC

  • Na Ásia do Sul, a Associação da Ásia do Sul para a Cooperação Regional (South Asian Association for Regional Cooperation – SAARC), a região comercialmente menos integrada do mundo (o comério intra-regional apenas representa 6% do total). Inclui Bangladesh, Butão, Índia, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka.

 Paises SAARC

  • No Pacífico, o Fórum das Ilhas do Pacífico (Pacific Islands Forum – PIF), envolvendo Austrália, Ilhas Cook, Ilhas Marshall, Ilhas Salomão, Micronésia. Nauru, Nova Zelândia, Niue, Palau, Papua Nova Guiné, Quiribati, Samoa, Tonga, Tuvalu e Vanuatu. Tem por visão uma União do Pacífico a longo prazo. Para jà, uma zona de comércio livre em 2021.

Paises do Pacifico

Outros blocos menos subregionais estão entretanto em fase de construção, como a parceria Transpacífica e a Parceria Económica Global Regional (Regional Comprehensive Economic Partnership – RCEP). Esta última, lançada em 2011 na cimeira ASEAN de Bali, e abrangendo os dez países ASEAN, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, anseia tornar-se na maior zona de comércio livre do mundo.

Ao longo das próximas semanas, iremos apresentar cada uma destas iniciativas em detalhe.

Esta entrada foi publicada em Afeganistão, ASEAN, Austrália, Azerbaijão, Índia, Bangladesh, Brunei, Butão, Camboja, Cazaquistão, China, Coreia do Sul, Filipinas, Ilhas Cook, Ilhas Marshall, Ilhas Salomão, Indonésia, Japão, Laos, Malásia, Maldivas, Mianmar, Micronésia, Mongólia, Nauru, Nepal, Niue, Nova Zelândia, Palau, Papua Nova Guiné, Paquistão, Quirguistão, Quiribati, Samoa, Singapura, Sri Lanka, Tailândia, Tajiquistão, Tonga, Turquemenistão, Tuvalu, Uzbequistão, Vanuatu, Vietname. ligação permanente.

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