Um dos maiores desafios à concretização do século asiático: a água (e o grão de aréia português)

No ano internacional da cooperação no setor da água, o Banco Asiático de Desenvolvimento lançou ontem o Asian Water Development Outlook (AWDO) 2013.

Asian Water Development Outlook

Esta é a primeira análise abrangente e quantitativa da segurança da água, por país, na região da Ásia e do Pacífico. Partindo da análise de cinco dimensões, desde a qualidade e segurança no abastecimento ao consumidor até à vulnerabilidade a desastres naturais relacionados com a àgua, o estudo quantifica e categoriza o progresso observado em 49 países da região.

Conclui-se que, apesar de ser a região mais dinâmica do mundo, nenhum dos seus países pode ser considerado como seguro em termos de segurança da sua água. A pressão sobre esse recurso natural tão essencial tem aumentado exponencialmente na região na última década. Maior produção agrícola, maior urbanização, maior classe média. O Banco estima que, em 2030, a procura por água na região exceda a oferta em mais de 40%.

Acesso a agua na Asia

Nas últimas duas décadas, o número de pessoas com um acesso seguro a água na região aumentou em 1,7 mil milhões. E, no entanto, 65% das pessoas não têm ainda acesso seguro e estável a água canalizada. Três em cada quatro países da região enfrentam ameaças sérias na segurança da sua àgua (water security). A situação em muitos destes países pode ser mesmo caracterizada como de crise iminente (ver a este respeito os termos de “world water bankrupcy”e “segundo maior risco global mundial” utilizados pelas Nações Unidas e pelo World Economic Forum, respetivamente).

World Economic Forum

Por vezes água a mais, por vezes água a menos, outras vezes água muito poluida.

As situações mais graves encontram-se na Ásia do Sul (Índia, Paquistão e Bangladesh), dada a pressão suportada por muitos dos rios, muito embora as ilhas do Pacífico apareçam como muito vulneráveis a desastres naturais e com falta de infra-estruturas.

Asian Water Development Outlook

A região necessita de cerca de investimentos na ordem dos 59 mil milhões de dólares em abastecimento e da ordem dos 71 mil milhões em saneamento nos próximos anos. Nas cidades asiáticas, apenas cerca de 20% das águas residuais são tratadas. Isto significa que 80% dessas águas são lançadas em rios e lagos sem qualquer tratamento. O impacto nos ecossistemas e na saúde humana é claro. Mas também nas atividades industriais e agrícolas a jusante. 80% dos rios asiáticos estão categorizados como ‘doentes”.

Rios poluidos na China

Investimento também é necessário e urgente na proteção da região a desastres naturais relacionados com a água. Estima-se que as cheias no Paquistão, Tailândia, Sri Lanka, Filipinas e China, apenas em 2011, tiveram um custo acima dos 61 mil milhões de dólares.

Gostei particularmente da apresentação de Fredrik Rosenholm. O global sustainability manager da multinacional sueca H & M  explicava como a problemática da água na Ásia se tem tornado o centro da sua corporate social responsibility. Não podia ser de otra forma. Explicava Fredrik que o algodão (altamente intensivo em água) cresce na Ásia (China, Índia, Paquistão, Uzbequistão e Turquemenistão no top ten mundial), a roupa é fabricada na Ásia e os seus principais consumidores residem na Ásia. Mais ainda, referia que “water risk is now business risk”.

white ripe cotton field ready for harvest

O lançamento do AWDO 2013 decorreu na sessão de inauguração da Feira Anual do Banco para o setor da água, que reúne até sexta-feira em Manila a mais de um milhar de especialistas em àgua da região da Ásia e do Pacífico.

As Águas de Portugal (AdP) encontram-se precisamente em Manila para participar na Feira e renovar os contactos com uma instituição que já lhes permitiu a entrada no Azerbaijão. A visita decorre após passagem em Timor-Leste, onde as AdP decidiram reativar as Águas de Portugal Timor, como nova aposta do grupo no continente asiático. A presença do grupo naquele país deverá abranger abastecimento, saneamento e recolha de resíduos.

Águas de Portugal

Especialistas do Banco estiveram em Lisboa no ano passado a visitar as AdP e ficaram maravilhados com a tecnologia e a capacidade de gestão que viram. Mais empresas devem seguir este caminho.

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