Uma das duas cadeiras vagas mais importantes do mundo neste momento já foi ocupada

Duas são as cadeiras vagas mais importantes do mundo neste momento. E as duas deverão ser ocupadas por indivíduos em idade da reforma.

Cadeira vazia

Uma, a do líder da igreja católica, o Papa.

O Papa

Outra, a do Governador do Banco Central do Japão, deverá ser ocupada em meados de março por Haruhiko Kuroda, atual Presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD). Isto se a história não se repetir e, como em 2008, o candidato do primeiro-ministro não obtiver a aprovação das duas câmaras do parlamento japonês. Para tal, o primeiro-ministro Shinzo Abe necessita do apoio do principal partido da oposição ou de uma combinação de votos de partidos com menor representação, uma vez que a coligação no poder não conta com a maioria na câmara alta.

Haruhiko Kuroda

É certo no entanto que Kuroda deverá ser nomeado ainda esta semana por Abe para o posto (acompanhado de Kikuo Iwata, professor na Universidade de Gakushuin, e de Hiroshi Nakaso, membro do Conselho de Administração do Banco Central, como seus vice-governadores).

Kuroda, que passou em pouco mais de dois meses de candidato improvável a candidato escolhido, passará a assumir um dois cargos mais sensíveis no atual panorama financeiro mundial. Uma das consequências do Abenomics (ver nosso posting de 31 de janeiro a esse respeito), tida como a mudança radical da política económica (e monetária) do novo primeiro ministro japonês que visa acabar com duas décadas de deflação e de estagnação da economia nipónica, é inaugurar aquilo que vários políticos e economistas têm vindo a denominar de guerra cambial mundial, em resultado de uma política monetária agressiva que reative a economia daquele país. Os indicadores avançados mostram que o impacte na economia é para para já positivo. O indicador de confiança Shoko Chukin aumentou até 46 em fevereiro (44,3 em janeiro). A expetativa para março foi revista em alta para 49,3.

Guido MantegaEsta denominação de “guerra cambial” foi inaugurada pelo Ministro das Finanças do Brasil, Guido Mantega, em 2010, aquando da rápida depreciação do dólar norte-americano face ao real em resultado da primeira vaga de quantitative easing da Reserva Federal norte-americana.

Nos últimos quatro meses, o iene japonês depreciou em cerca de 16%, tendo despertado receios de movimentos de depreciação competitiva em outras autoridades monetárias da região e do mundo. A diferença entre o caso norte-americano de 2010 e o caso japonês de 2013 é a de que o primeiro dos casos envolvia apenas uma decisão independente da autoridade monetária, e não uma política concertada do Governo, como no caso japonês, que põe em causa a independência do seu Banco Central.

A problemática foi até o principal ponto em discussão na mais recente reuniao dos Ministros das Finanças do G-20 a 15 e 16 de fevereiro em Moscovo. O comunicado final da reunião referia que “We will refrain from competitive devaluation. We will not target our exchange rates for competitive purposes”. Este não referia especificamente o Japão, mas a linguagem era suficientemente contundente. “We reiterate our commitments to move more rapidly toward more market-determined exchange rate systems and exchange rate flexibility to reflect underlying fundamentals, and avoid persistent exchange rate misalignments, and in this regard, work more closely with one another so we can grow together.

Foto de familia da reunião dos Ministros das Finanças do G20 em Moscovo

Um recente artigo de opinião de Lorenzo Bini Smaghi publicado a 18 de fevereiro no Financial Times explicava como os receios de uma guerra cambial são reais. E as suas consequências imprevisíveis.

Da parte que me toca, e tendo trabalhado de perto com o Presidente Kuroda ao longo dos últimos dezoito meses, só me resta desejar-lhe boa sorte. Tenho confiança em que será um bom Governador do Banco Central do Japão. Os oito anos que esteve à frente de uma instituição multilateral como o BAD serão sem dúvida úteis para fazer vincar junto dos seus homólogos políticas que irão causar com certeza uma forte fricção nos principais parceiros comerciais do Japão.

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