O porquê do forte interesse das empresas (espanholas) na Índia

A entrada das empresas espanholas na Índia tem sido tardia e demorada.

No entanto, a presença de empresas espanholas naquele gigante asiático tem triplicado nos últimos dois anos. E como diria um bom amigo meu, a segunda derivada é positiva.

Segunda derivada crescente

Carruagens de comboio, estradas o redes elétricas das cidades indianas têm um cheirinho espanhol. Podemos também falar do mercado conquistado pelo azeite e o vinho de nuestros hermanos. Ou, num tom menos agrícola, dos campos de painéis solares e torres eólicas.

Após ter registado na última década o período de maior crescimento da sua história, a Índia acolhe agora uma maior liberalização económica e tem plena consciência das suas necessidades enormes de infra-estruturas para explorar o seu potencial de crescimento.

A conjunção destes factores, unida ao esgotamento do mercado doméstico espanhol e à estagnação dos mercados tradicionais das suas empresas, tem dado o empurrão que faltava aos empresários espanhóis.

Internacionalização das empresas espanholas

“Nós, empresas, demos o salto diretamente à China e ao Médio Oriente, mas esquecemo-nos totalmente de países como a Índia. Estamos neste momento a começar a namorar o mercado”, explica à agência noticíosa EFE Francesc Doménech, da consultora Indbest. “Todos os meses batem à nossa porta novos clientes. A maior parte das vezes não sabem o que querem nem o que há na Índia, mas sabem que querem vender”, refere.

Carol Rius, diretora da consultora inQuve, especifica que as empresas procuram agora projetos mais personalizados e com um maior grau de presença. “Mostram muito interesse na abertura de escritórios de representação próprios e apostam em serem eles próprios a controlar a distribuição do seu produto”.

O escritório do ICEX em Nova Deli (organismo espanhol análogo à AICEP) menciona que as primeiras empresas espanholas aterraram na Índia na segunda metade da década de 90, muito embora a grande eclosão tenha acontecido a partir de 2008, após o início da crise financeira global. Nessa data, operavam cerca de 80 empresas espanholas na Índia. Hoje, apenas quatro anos depois, são cerca de 200. Nesse período, o investimento espanhol aumentou cinco vezes, tornando-se a décimo segunda maior fonte de investimento no país, à frente de países como a Itália, Austrália ou Canadá. Em termos setoriais, o setor automóvel deu o pontapé de saída. O cenário é no entanto hoje em dia muito mais variado, com presença relevante nos sectores alimentário, eletrónico, químico, de infra-estruturas e de energias renováveis. A primeira vaga de empresas de grande dimensão (Isolux, Gamesa, Acciona, Indra) também arrastou a outras pequenas e médias empresas.

Internacionalização das empresas espanholas

Com uma capacidade de consumo crescente e gostos mais ocidentalizados que outros países da Ásia, a classe média indiana representa hoje entre 50 e 300 milhões de pessoas (consoante o produto ou serviço). Mas também ao nível das classes com menor poder de compra existem oportunidades de negócio. Um nicho de mercado atrativo são os micro-sistemas de geração (solar em grande medida), transmissão e distribuição de energia fora da rede para zonas rurais.

O mercado é de facto enorme. Vejamos alguns dados. O parque automóvel cresce a 11% ao ano. A rede ferroviária é a terceira maior do mundo (composta por 7.000 estações e com um fluxo diário de 18.000 comboios, 22 milhões de passageiros e 2,5 milhões de toneladas de mercadorias). A Índia é o quinto maior consumidor de energia do mundo (muito embora apenas produza 4% da energia mundial). O número de aeroportos e aeródromos com uma pista de aterragem alcatroada é de apenas 249 (muito aquém dos 593 do Brasil ou 442 da China). O número de indianos a resider em zonas urbanas irá aumentar de 400 a 600 milhões até 2031.

India, um mundo

O mercado é também apelativo. O consumidor indiano denota ainda um elevado grau de fidelidade, uma vez a marca se encontra devidamente posicionada. E num momento de algum abrandamento no crescimento, o Governo indiano tem começado a abrir novos sectores da sua economia a capital estrangeiro (comércio a retalho multilmarca, seguros ou pensões os mais recentes). Um inquérito conduzido recentemente pela consultora AT Kearney concluia que 75% das multinacionais com presença na Índia tinham visto como as suas expetativas e objetivos de entrada no mercado indiano tinham sido ultrapassados.

India feliz

No entanto, a entrada no mercado pode ser difícil. A estratégia de entrada é essencial num país onde existem 22 linguas com mais de um milhão de falantes, grandes diferenças culturais e sociais e uma forte burocracia. Refira-se a este respeito que o ranking “Doing Business” do Banco Mundial coloca a Índia no lugar 132 em 185 países quanto à facilidade de fazer negócios. Mais ainda, apenas dez países no mundo recebem pior pontuação do que a Índia quanto à facilidade de criar um novo negócio.

Os organismos multilaterais podem mitigar algum dos riscos de entrada no mercado, via contratos de licitação pública ou, sobretudo, de project finance (risco de crédito, risco soberano, risco cambial, risco regulador, risco de liquidez) e oferecer financiamento em maturidades mais elevadas do que aquelas que podem ser encontradas no mercado. Dai que o ICEX tenha organizado com regularidade encontros de promoção do mercado multilateral entre empresas e consultores indianos e espanhóis, o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento (o mais recente de 24 a 26 de outubro do ano passado).

O mercado multilateral na India

Como referia o jornal El País num artigo recente, a Índia é “un país que es más un continente, con un potencial mercado de casi 1.200 millones de consumidores y donde todo está por hacer”.

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