Os novos tigres asiáticos: as Filipinas

Como referimos ontem, “o consumo privado disparou na Indonésia e nas Filipinas. Contrariamente ao que seria de esperar, as duas economias mais populosas do sudeste asiático não sofrem com o abrandamento económico dos principais destinos das suas exportações e a pujança do consumo interno fá-las crescer a níveis máximos na última década.

Estes dois países até ganharam uma alcunha própria nos mercados: os “novos tigres da Ásia” (Asian new tigers), segundo o termo cunhado pela Market Watch do The Wall Street Journal (o conceito de novos tigres inclui também a Colômbia e o Perú na América, a Polónia e a Turquia na Europa e o Uganda e o Gana em África).

Novos tigres asiaticos

As Filipinas ultrapassaram em 2012 a taxa de crescimento observada na Indonésia, com 6,6%, acima da meta do Governo, que previa um crescimento de entre 5 e 6% para o conjunto do ano. Como no caso da Indonésia, a economia surprende pela sua capacidade de resistir à conjuntura económica desfavorável dos seus principais parceiros económicos – Japão 15%, EUA 13%, China 12%, UE 10% – baseada no consumo interno.

A política monetária é favorável. O Banco Central das Filipinas diminuiu a sua taxa de juro de referência quatro vezes ao longo do ano. A última descida, em outubro, colocou-a num nível mínimo histórico de 3,5% (!).

E as perspetivas de médio prazo são excelentes.

Bandeira filipina

O investimento estrangeiro no país, sobretudo na indústria de componentes eletrónicos e naquela que é já a maior indústria de Business Process Outsourcing (BPO) do mundo, isto é, de call centers e back office dos maiores grupos financeiros, de logística e de serviços mundiais, ver-se-á sem dúvida favorecida pela expectável atribuição ao peso filipino do grau de investimento (BBB) pelas maiores agências internacionais de notação (BB+ com outlook positivo pela Standard & Poor’s neste momento, que compara com o BB com outlook negativo para Portugal). A Administração do atual Presidente Aquino, apenas em dois anos, de 2010 a 2012, conseguiu que a notação do país fosse revista em alta por cinco vezes, sem contar revisões do seu outlook.

Parodia do Presidente Aquino

Desde o início de 2009, o índice da Bolsa de Valores de Manila valorizou em 220%, tendo alcançado a 1 de fevereiro, pela décimo-terceira vez (!) em 2013, o seu máximo histórico.

A evolução das remessas dos dez milhões de overseas filipino workers (OFW) – 10% da população de cerca de 100 milhões de pessoas – e a recuperação esperada no mercado de exportação serão também contributos importantes para produzir um crescimento sustentável acima dos 6% pelo menos nos próximos dois a três anos.

E o próprio Fundo Monetário Internacional revia no início do mês a previsão de crescimento em 2013 para 6%, muito acima dos 4,8% inicialmente previsto.

Nouriel RoubiniNouriel Roubini, o professor da Stern School of Business da Universidade de Nova Iorque, e que previu de forma assustadora em 2005 o colapso do setor imobiliário norte-americano e a crise financeira global observada em 2008 e 2009 (facto que lhe valeu a alcunha de Dr. Doom), referia numa palestra há quinze dias em Manila que o país tem o potencial para crescer a uma taxa de pelo menos 7%, muito acima do crescimento médio global dos próximos anos, que segundo ele não deverá ficar acima dos 3%.

Rapariga filipina

Entre os principais atrativos do país os seus recursos naturais, uma regulamentação fiscal sólida, uma democracia saudável, a melhora na governação (plasmada na forte liderança do Presidente Aquino, que é posta a prova nas eleições de 13 de maio próximo) e, claro, o seu capital humano (jovem, alfabetizado e de língua inglesa).

O potencial de crescimento é particularmente elevado nos referidos BPOs, no turismo e na extração de minério. As reformas estruturais chave devem ocorrer no combate à corrupção, na prevenção de um excesso de concentração do poder económico e no aumento do investimento em infra-estrutura e capital humano, bem como nos cuidados de saúde e educação.

Os desafios, aumentar o rendimento per capita (tarefa difícil no terceiro país da Ásia com maior taxa de fertilidade, 3,15 filhos por mulher, logo a seguir ao Afeganistão e a Timor-Leste), a rápida apreciação do peso em relação ao dólar norte-americano (a cotação passou de 45 pesos por dólar em setembro de 2012 a 40 em fevereiro de 2013, sendo que a Goldman Sachs prevê que esta alcance os 37 pesos por dólar até ao final do ano), reduzir a pobreza rural e melhorar a gestão de catástrofes naturais.

A situação conjuntural dificilmente podia ser melhor mas, estruturalmente, o país precisa de muito trabalho para sustentar os ganhos alcançados.

Campanha publicitária de promoção do turismo nas Filipinas

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3 respostas a Os novos tigres asiáticos: as Filipinas

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