Como 16 horas por dia sem eletricidade podem representar uma janela de oportunidade

No seguimento do artigo publicado a 12 de janeiro no Semanário Expresso sobre a problemática da energia no continente asiático, e como contributo à sessão que irá decorrer no IPRI a 21 de fevereiro sobre a “Ásia e a Energia no século XXI – Desafios Económicos e de Segurança”, gostavamos de partilhar convosco, e como exemplo dessa problemática, o caso do Nepal.

Pokhara

O Nepal, sendo o anfitrião de uma grande parte da Cordilheira dos Himalaias, não deveria ter à partida nenhum défice no seu abastecimento energético. Apenas o derreter sazonal dos gelos daquelas montanhas deveria ser suficiente para, através de energia hidroelétrica, satisfazer todas as necessidades energéticas de um país de cerca de 27 milhões de habitantes.

Não é por acaso que o Nepal é o país com o maior potencial em energia hidroelétrica do mundo, logo a seguir ao Brasil.

Esse potencial deveria constituir-se ainda em uma das principais fontes de receitas do país, uma vez que todo o excedente da geração energética seria absorvido sem problemas pelo mercado indiano.

Rio Ganga

No entanto, o país sofre de apagões constantes no abastecimento energético. Em consequência de um planeamento inadequado, de falta de investimento em projetos de geração energética, de atrasos na execução de projetos e de um regime tarifário incapaz de suportar sequer os custos operacionais (as tarifas foram revistas pela primeira vez em 11 anos em julho de 2012), os cortes de energia alcançam até 16 horas por dia. As redes de transmissão e de distribuição carecem de modernização e extensão. O aumento da procura energética, em consequência do normal desenvolvimento do país, tem piorado o problema (apesar de que apenas 34% dos domicílios do país estão atualmente conectados à rede). E o país é, por incrível que possa parecer, um importador líquido de energia em relação à Índia. Segundo os relatórios anuais da Autoridade Elétrica nepalesa, 18% da eletricidade consumida no Nepal em 2011 e 2012 tinha sido gerada na Índia.

Bandeiras da India e do Nepal

O Banco Asiático de Desenvolvimento estima que a potência total instalada no país seja atualmente de 706 megawatts (MW) (a maior parte operada pela Nepal Electricity Authority e apenas 105 MW nas mãos do setor privado). Esta capacidade instalada representa contudo menos de 1,5% do potencial hidroelétrico do país, estimado em cerca de 83.000 MW (dos quais 43.000 MW são considerados economicamente viáveis). O défice energético aumenta amplamente no inverno, altura de menor caudal nos rios e na qual a oferta diminui até entre 250-300 MW. Muito pouco se considerarmos que a procura aumenta sazonalmente em sentido inverso com o frio do inverno até aos 1.000 MW. Contudo, cerca de 85% da geração no país baseia-se em centrais hidroelétricas run-of-river, que não permitem flexibilidade na gestão do caudal.

EDP AsiaPrecisamente a EDP, a partir da recentemente criada EDP Ásia, e em joint venture com a China Three Gorges, se encontra em processo de licitação para o contrato de supervisão do projeto da construção da segunda maior barragem do Nepal, Tanahu Hydropower Projet. A barragem, de 140 MW, situar-se-á a cerca de 150 quilómetros a oeste de Katmandú, e com uma componente de exportação para a Índia. O financiamento do projeto, estimado em 505 milhões de dólares, é co-financiado pela Agência Japonesa de Cooperação Internacional (184 milhões), pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (150 milhões), pelo Governo do Nepal (71 milhões), pelo Banco Europeu de Investimento (70 milhões) e pelo Fundo para o Desenvolvimento de Abu Dhabi (30 milhões).

Este projeto enquadra-se nos resultados de um grupo de trabalho criado pelo Governo nepalês em dezembro de 2008 para preparar um roteiro para a concretização do objetivo nacional de gerar 10.000 MW adicionais de energia hidroelétrica até 2020.

Energia hidroelétrica é por sinal um setor onde as empresas e consultores portugueses têm muito conhecimento para partilhar. As oportunidades de negócio existem. E devem ser aproveitadas. A EDP está no bom caminho.

Oportunidades de negocio

Esta entrada foi publicada em Índia, Brasil, Energia, Internacionalização e oportunidades de negócio, Nepal. ligação permanente.

2 respostas a Como 16 horas por dia sem eletricidade podem representar uma janela de oportunidade

  1. Pingback: Um mercado pan-asiático da energia em 2030 | O Retorno da Ásia

  2. Pingback: Os meus mais sinceros parabéns | O Retorno da Ásia

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s