Diários de Gangnam IV

No último The World in 2013 da The Economist , Adrian Wooldridge fala do retorno dos conglomerados económicos, algo que parecia fora de moda desde os anos 1980. Se há país onde nunca deixaram de estar em moda esse país é a Coreia do Sul (tal como Wooldridge indica, de certa m

KoreanChaebolOs conglomerados sul-coreanos, também conhecidos por chaebol, continuam a dominar, de pedra e cal, a economia do país por mais tentativas políticas, precisamente desde os anos 1980s, de reduzir o seu poder. E este poder voltou a ser no final do ano passado, um dos temas dominantes das eleições presidenciais de dia 19 de Dezembro, quando ambos ambos candidatos assumiram a necessidade de reforma dos chaebol  para uma maior “democratização da economia”. Os sul-coreanos têm uma relação amor-ódio com os chaebol. Se por um lado vêm nestes grupos económicos a razão do crescimento e desenvolvimento do país (e até orgulho), o seu poder no país é de tal maneira dominante que são vistos muitas vezes como minando a democracia (principalmente pelos casos de corrupção).

chaebolA grande questão é que ir atrás dos conglomerados é ir atrás de quem tem sido o principal responsável pelo rápido crescimento da economia nos últimos anos. A Coreia do Sul tem, hoje em dia, uma economia que depende claramente do comércio com o exterior. A percentagem que o comércio representa para o PIB sul-coreano passou de 58.4% nos anos 1990s para 81.4 nos anos 2000s, uma das percentagens mais altas entre os membros da OCDE. O país está por isso, altamente dependente da sua performance comercial para crescer. E isso significa que depende essencialmente da capacidade dos chaebol em exportar.

ChaebolFighting

Se em termos domésticos, a vida não está a ser fácil, no exterior, os tempos também começam a ser difíceis apesar dos últimos sucessos comerciais ou anúncio de bons resultados por chaebol como a Samsung ou Hyundai. Os seus mercados principais como a China (hoje a sua maior parceira comercial), EUA, Japão ou Europa, estão instáveis em termos económicos e fiscais e por isso será cada vez mais difícil vender aos seus consumidores. A conquista de novos mercados na América Latina, Sudeste Asiático e África é agora a nova batalha para os chaebol.

Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
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