A China vai Mudar?

_time_asia_magazine_2007_0205_democracyO volume mais recente do Journal of Democracy tem este mês em destaque um conjunto de artigos sobre a durabilidade do regime político chinês tal como existe hoje em dia. Dois dos artigos por dois dos mais reputados especialistas chineses a nível internacional, Andrew Nathan da Universidade de Columbia em Nova Iorque e Cheng Li do Brookings Institution em Washington têm acesso aberto.

Andrew Nathan começa logo na primeira frase por dizer que existe um consenso cada vez maior de que, desde a crise em Tiananmen em 1989, a resiliência do regime autoritário na República Popular da China começa a atingir os seus limites. Embora ninguém seja capaz de dizer com certeza se a mudança acontecerá, e se acontecer quando e como, a expectativa de mudanças dramáticas continuam a pairar no ar. Como diz Nathan, “a mesma antecipação de tal mudança, mesmo que infundada, transmite um tipo particular de ‘meta-instabilidade’ ao sistema chinês actual. Existe uma sensação de impermanência que não encontramos em sistemas políticos maduros –mesmo que problemáticos de outras formas – onde os seus membros operam assumindo, de forma sábia ou não, que os seus sistemas são duradouros”.

Cheng Li, por seu lado, fala-nos de duas perspectivas que diz serem controversas e radicalmente contrastantes sobre o futuro do país a médio e longo prazo. Uma primeira perspectiva visualiza uma revolução de baixo para cima, ou seja iniciada a partir da sociedade, ou como se diz em inglês, bottom-up.  A segunda perspectiva fala de uma reforma de cima para baixo, i.e., a partir das elites do Partido Comunista Chinês. Em última análise, para Li, o futuro da China na próxima década dependerá do equilíbrio dinâmico entre o medo da revolução e a esperança de uma reforma política a partir do topo. Merecem leitura.

Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
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