Diário de Gangnam II

O futuro dos liberais na Coreia do Sul

A vitória de Park Geun-hye, filha do antigo presidente autoritário Park Chung Hee que liderou o país entre 1961 e 1979, vem dar às forças políticas conservadoras mais um mandato de 5 anos para liderar o país. Mas a vitória de Park Geun-hye vem confirmar algo que já se vinha observando desde o princípio do século XXI e que ficou bem claro na leitura dos resultados finais, tal como o revela esta publicação do Asan Institute.

O país está cada vez mais polarizado politicamente, entre conservadores e progressistas, com os primeiros a abarcar a faixa etária acima dos 50 anos e os segundos a população abaixo dos 30 anos. Enquanto quem tem acima de 50s representa 40% da população, os restantes ficam-se pelos 38,2%. Quem está dentro da faixa etária dos 40s divide-se mais ou menos igualmente entre conservadores e progressistas, embora nestas eleições tenham votado, com uma margem de diferença muito baixa, no candidato progressista Moon Jae-in.

Com o país a registar uma das mais baixas de natalidade do mundo, e a tendência no país os votantes mais velhos apoiarem partidos conservadores, o que a demografia eleitoral nos diz é que será cada vez mais difícil a vitória das forças progressistas e liberais em actos eleitorais sul-coreanos (ler aqui).

Ao fim de 30 anos de mobilização social, activismos progressistas e conquistas eleitorais, como a eleição dos Presidentes Kim Dae-Jung em 1998 e de Roh Moo-hyun em 2003, o futuro das forças progressistas no país dependerá não só de manter os votos mais jovens mas acima de tudo da sua capacidade de atrair os votos tendencialmente conservadores da população mais velha.

No entanto, há algo de que estas forças progressistas se podem orgulhar. A sua influência na definição dos contornos do debate político destas últimas presidenciais: promoção de mais Estado Social e mais justiça económica.

Advertisements

Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Esta entrada foi publicada em Coreia do Sul. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s