A classe média chinesa está a aproveitar a sua “janela de oportunidade”

Com uns dias de atraso, publicamos a notícia do Público sobre o crescimento da classe média na China. Obrigado aos alunos do Mestrado em Estudos Chineses da Universidade de Aveiro por partilhar!

A classe média chinesa está a aproveitar a sua “janela de oportunidade”

Representam já 25% da população do país aqueles que conseguem pôr de lado 1/3 dos rendimentos mensais para “gastos discricionários”. Consomem cada vez mais mas não se estão a endividar.

Tiram fotografias a pratos com comida sofisticada e partilham tudo nas redes sociais; entram em lojas caras e saem com malas de luxo a que não conseguem resistir; fazem ouvir a sua voz na Internet e exigem cada vez mais qualidade nos produtos e nos serviços; investem cada vez mais dinheiro em cultura; e não vivem sem um telemóvel que tire fotografias a pratos com comida sofisticada.

Classe média na China

São padrões de comportamento familiares a muitos europeus e norte-americanos, mas os hábitos de consumo já estarão um pouco mais perdidos na memória. Bem-vindos à nova classe média da China, um grupo que representa 25% da população do país, ou mais consumidores do que toda a população dos EUA, consoante os pontos de vista.

Ainda está longe de ser um fenómeno comparável às classes médias de alguns países ocidentais anteriores à crise financeira de 2008, mas cada vez mais chineses estão a descobrir e a aproveitar o mundo que se estende para além dos muros das fábricas, segundo um estudo conjunto da agência multinacional MEC e da consultora chinesa CIC.

São jovens, licenciados e vivem nas grandes cidades, em agregados familiares que ganham o equivalente a entre 7500 e 45.000 euros por ano. De nada serve comparar estes rendimentos com os de outros países, porque os preços dos produtos e dos serviços são diferentes. Para Helen Wang, autora do livro The Chinese Dream: The Rise of the World”s Largest Middle Class and What It Means to You, uma família chinesa de classe média é aquela que consegue pôr de lado 1/3 dos rendimentos mensais para “gastos discricionários”, cita o site CNNMoney.

A China em 2020

A nova liderança de Pequim aposta no consumo interno como motor da economia em 2013, para devolver ao país taxas de crescimento mais próximas da média alcançada durante os dez anos de governação do Presidente Hu Jintao e do primeiro-ministro Wen Jiabao, após o abrandamento registado em 2012. Se assim for, “será a primeira vez em mais de uma década que a contribuição do consumo para a expansão económica ultrapassa o investimento”, escreve a revista The Economist.

“Os chineses estão a consumir muito mais. O retalho está a espalhar-se como um fogo florestal descontrolado. Há muitos mais consumidores e eles estão a exigir muitos mais serviços”, afirma Helen Wang. As mudanças nos hábitos de consumo são mais evidentes nos mais jovens: “Muitos chineses, especialmente os mais jovens, querem artigos de luxo. Associam as marcas de luxo ocidentais com qualidade de vida e sofisticação. Querem ginásios e querem muito viajar. Querem conhecer o mundo. E o negócio da restauração também está muito bem”, descreve Wang, uma consultora de empresas privadas e presença regular na BBC, na CNN e no The New York Times.

Para Wang, tudo se resume a aproveitar as oportunidades: “Eles sabem que a China está a crescer muito e estão muito empenhados em aproveitar esta oportunidade. Sabem que a China não vai crescer a este ritmo para sempre e têm consciência de que a janela de oportunidade vai fechar-se. Também sabem que o Governo não vai tomar conta deles. Eles têm de tratar deles próprios.”

Empreendedorismo na China

E parecem fazê-lo sem pôr em causa os hábitos de consumo cada vez menos frugais: muito poucos usam cartão de crédito, a maioria opta por andar de transportes públicos e a conta mensal de telemóvel não ultrapassa, em média, os oito euros, segundo as estimativas da empresa China Market Research. É essa a especificidade da classe média chinesa: está a aproveitar a oportunidade, aparentemente sem se endividar, e consegue arrendar um apartamento de 65 metros quadrados numa grande cidade, gastar 35% dos rendimentos em alimentação e ainda poupar 20%, de acordo com a mesma empresa de análise de mercados, citada pela CNNMoney.

O que o Governo sabe é que a chave do regresso a taxas de crescimento anual a rondar os 7% ou 8% é o consumo interno e tudo faz para o estimular. No último plano de desenvolvimento a cinco anos, apresentado em 2010, o Partido Comunista Chinês estimou quadruplicar o volume de negócios gerado pelas vendas através da Internet. Na entrevista à Economist, a analista Helen Wang prevê que a classe média chinesa será composta por 700 a 800 milhões de pessoas nos próximos anos, ultrapassando metade de toda a população do país. Mas deixa o alerta para o agravamento das assimetrias. “Não há futuro para as pessoas que vivem nas aldeias. Ainda há muitas barreiras que impedem essas pessoas de subirem na escada económica.”

Esta entrada foi publicada em China. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s