2013: O melhor ano possível na Europa. Mais um ano excelente na Ásia (parte I)

Numa altura em que normalmente se multiplicam os desejos de felicidade, sucesso e saúde para o ano que começa, temos observado uma ampla variedade de mensagens de marcadas por um pessimismo implícito. Um claro exemplo sãs as palavras do Presidente da República, que desejava aos portugueses, pelo segundo ano consecutivo, “o melhor ano possível para todos”.

Presidente da República Portuguesa - Anibal Cavaco Silva

Mas não entremos em pânico.

Dois artigos recentes defendem que a dinâmica de círculo vicioso observada em ocidente apenas é uma parte parcial da realidade. E que a outra face da moeda é muito mais esperançadora.

Estamos a falar da Ásia.

Singapura

Em primeiro lugar, o artigo de opinião publicado no Financial Times a 28 de dezembro por Kishore Mahbubani com o título “The east will rise above the west” (tradução livre). No primeiro dia do ano,  não podiamos deixar de partilhar convosco esta análise e projeção para 2013 quanto à continuidade na deslocação da relevância económica mundial de ocidente para oriente.

“O 13 é numero de azar nas mentes ocidentais. Não é assim nas mentes asiáticas.” [para chineses e japoneses, o quatro é o número de azar. É interessante constatar a este respeito que, para contentar a gregos e troianos, não existem os botões “4” e “13” nos elevadores do prédio onde moro em Manila, algo muito comum em prédios das Ásias de Leste e do Sudeste]. “Este fato pode explicar em parte por que muitos ocidentais olham para 2013 com um mau pressentimento. Contudo, a maioria dos asiáticos não partilham esse sentimento.

Sexta-feira 13

Claro que, se o Congresso dos EUA atirar o país para o temido abismo fiscal ou se a área do euro não conseguir diminuir as suas rachaduras, esses pressentimentos estarão mais do que justificados. A economia mundial experimentará então um outro tropeço doloroso. Felizmente, não é provável que ambos os factos se concretizem. De fato, as perspectivas são de que quer os EUA, quer a China, vão melhorar em 2013 o seu desempenho em 2012 parecem realistas. O mesmo acontecerá com muitos outros países asiáticos.

O século asiático, de ressurgimento daquele continente, continuará a sua concretização. Em 2012, cerca de 500 milhões de asiáticos desfrutavam de padrões de consumo próprios de classe média. Número semelhante ao europeu. Em 2020, em apenas sete anos, esse número deverá crescer para 1,75 mil milhões de indivíduos. A procura por produtos tipicamente consumidos pela classe média irá aumentar em igual proporção. Em 1990, a Índia nem sequer possuia as infra-estutruras necessárias a uma rede de comunicações móvel. Em 2010, existiam cerca de 752 milhões de telemóveis em funcionamento. Hoje estão a mudar os seus aparelhos para smartphones. Em 2012, havia 17 milhões de smartphones na Índia. Em 2015 serão cerca de 80 milhões. O setor turístico asiático irá florescer. Novos hotéis são inaugurados diariamente. O volume de negócio das companhias aéreas de baixo custo cresceu 23% em 2012, contra 8% das companhias aéreas tradicionais. Analistas projetam que as reservas online em companhias aéreas de baixo custo irão crescer 55% entre 2011 e 2013. Os asiáticos estão em movimento.

Companhias aéreas de low cost asiáticas

O aumento material da Ásia é facilmente documentável, mas o ressurgimento mental e espiritual da região é dificilmente quantificável, mesmo que seja perceptível uma explosão inegável na confiança cultural dos asiáticos. Alguns projetos fundamentais constituem símbolos de uma nova era. A Universidade Nalanda, a maior universidade da Ásia entre o século VI e o século XII, vai continuar a sua regeneração sob o comando do Prémio Nobel Amartya Sen, que lidera o “Grupo Nalanda Mentor”. Em agosto de 2013, o primeiro grupo de estudantes vai matricular-se na Yale. A partir desta pequena semente, uma grande planta vai crescer. Projetos que reúnam o melhor dos ensinos oriental e ocidental irão demonstrar que a fusão de civilizações (não o choque de civilizações) constituirá a principal dinâmica do século XXI. Apenas um exemplo da grande convergência da história humana que vamos experimentar à medida que o planeta continua a encolher inexoravelmente.

Amartya Sen

Sim, os desafios serão muitos e variados. A geopolítica vai estar presente de forma permanente, mesmo em aspetos quotidianos do nosso dia-a-dia. E os países deverão aprender com os erros do passado. Em 2012, a China cometeu um grande erro geopolítico. Tentou dividir a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) na reunião de Phnom Penh, no Camboja, em novembro.” [no contexto das lutas territoriais por vários ilhéus no Mar do Sul da China (que as Filipinas acabaram de redesignar como Mar das Filipinas Ocidentais)]. “À medida que Xi Jinping consolida gradualmente o seu poder e os seus pareceres prevalecem, a China compreende o significado das palavras de Deng Xiaping, que aconselhava a China a esconder a sua força e esperar sabiamente pela sua vez. Com transições na liderança em Beijing e Washington, DC, a dinâmica da geopolítica será em 2013 a da estabilidade e previsibilidade.

Deng Xiaoping na capa da TIME

Esta análise pode ser interpretada como mero wishful thinking por céticos ocidentais. Mas a prova de que a história vai virar uma nova página na segunda década do século XXI é inegável. É por isso que, em 2013, o sol continuará a elevar-se a leste e a pôr-se suavemente a oeste.

Pôr do sol

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