Os mercados apostam em ativos da Ásia

Os investidores estrangeiros estão a apostar fortemente em várias economias asiáticas, elevando o preço das moedas, ações e imóveis. Estaa injenções de capitais ameaçam no entanto complicar os esforços das autoridades monetárias da região para suavizar a desaceleração económica.

Os fluxos de investimento para o Sudeste Asiático e a Coreia do Sul têm aumentado muito significativamente nos últimos meses, e o capital estrangeiro regressou até para a Índia. Parece que os ativos de risco se tornaram novamente populares.

Os analistas esperam que esses mercados recebam ainda um impulso maior se a Reserva Federal e o BCE avançarem com emissão adicional de moeda para reforçar as suas economias. “Se houver alguma decisão convincente de política monetária por parte do BCE ou da Reserva Federal norte-americana, isso vai aguçar o apetite pelo risco e gerar mais fluxos para a Ásia”, disse Dariusz Kowalczyk, economista para países emergentes da Ásia no Crédit Agricole, ao Wall Street Journal. Isso coloca desafios para as autoridades asiáticas, que estão a tentar manter as suas economias em boa forma, enquanto o resto do mundo enfrenta dificuldades.

Imagem da bolsa de Banguecoque

O índice bolsista da Malásia está perto de níveis recordes, depois de subir 7% desde meados de maio, enquanto o índice da Coreia está próximo do seu nível máximo em três meses. Várias bolsas da Ásia, incluindo Singapura, Tailândia, Filipinas e Índia apresentam índices com taxas de crescimento de dois dígitos em 2012. Os fluxos de capitais apreciaram significativamente o valor do peso filipino (7% em 2012), do won coreano (6%), do ringgit malaio (4%) e do bath tailandês (3%) (ver gráficos no final deste artigo sobre a evolução das principais moedas da região e dos principais países emergentes, bem como dos principais mercados bolsistas, em 2012). Esta apreciação pode limitar o crescimento, via encarecimento das exportações.

Moedas asiaticas

Os upgrades da dívida soberana dos países da região sucederam-se nos últimos doze meses (Coreia do Sul, Indonésia e Filipinas). A própria Mongólia coloco na semana passada pela primeira vez títulos de dívida pública a cinco e dez anos, e com taxas muito apelativas de 4,8% e 5,1%, respetivamente.

Por outro lado, se a entrada de capital estrangeiro continuar a aumentar significativamente o preço dos imóveis naqueles países, como até à data, as autoridades monetárias poderão enfrentar uma decisão muito difícil: criar uma bolha imobiliária se suavizarem a sua taxa diretora para manter o crescimento da economia, ou abrandar o ritmo de crescimento para controlar a bolha imobiliária. Como exemplo, as Filipinas estão “conscientes da tendência para procurar rendimentos em vários mercados de ativos, o que cria o risco de bolhas no preço dos ativos, com o risco de minar a estabilidade financeira”, disse o presidente do banco central filipino, Amando Tetangco. Um hard landing pode ser altamente prejudicial. As autoridades da Coreia do Sul e de outros países têm tomado medidas para reduzir esse perigo, limitando, por exemplo, as posições futuras dos bancos em divisas estrangeiras.

Mercado bolsista em depressao

Já as potências regionais, China e Japão, não estão a atrair capitais especulativos. Invertendo uma tendência que já tem dez anos, a China tem vindo a experimentar uma saída líquida de capitais nos últimos meses. O ligeiro abrandamento no crescimento e um renminbi mais fraco desencorajaram os investidores estrangeiros. No Japão, o capital estrangeiro tem vindo a substituir progressivamente ações locais por papéis de dívida de curto prazo, considerados mais seguros.

As economias de dimensão média da região tem vindo assim a atrair fortemente capitais, enquanto o fascínio pela China tem diminuído. Sameer Goel, diretor de análise cambial no Deutsche Bank, disse que ficou surpreso com a quantidade de dinheiro que está a chegar à Ásia, já que os dados macroeconómicos da região têm sido “bastante fracos”. Foi o compromisso assumido em julho por Mario Draghi, do Banco Central Europeu, de fazer o que for necessário para preservar a área do euro, que tranquilizou os investidores e “levou à aplicação de níveis excepcionalmente elevados de caixa em poder dos fundos de índice”, disse Goel ao Wall Street Journal.

Indices bolsistas 2012

 

Spreads soberanos em 2012

 

indices cambiais 2012 - asia

 

indices cambiais 2012 - america latina

 

indices cambiais 2012 - outras economias emergentes

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2 respostas a Os mercados apostam em ativos da Ásia

  1. Enrique Galán diz:

    No seguimento deste post, a Bloomber publicava a notícia de que o Governo Filipino vai implementar uma medida de limitar a entrada de “capitais sensíveis” no país… http://www.bloomberg.com/news/2012-12-14/philippines-ready-to-unveil-measure-to-cap-flows-tetangco-says.html

  2. Pingback: A união monetária e económica asiática: como os asiáticos aprendem dos erros europeus | O Retorno da Ásia

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