Europa e Ásia

ASEM-3A Europa e a Ásia estão cada vez mais unidas pelo comércio. A União Europeia é a principal parceira comercial da China, a segunda da Associação de Nações do Sudoeste Asiático ou ASEAN (Indonésia, Filipinas, Malásia, Tailândia, Brunei, Camboja, Laos, Mianmar, Singapura e Vietname), a terceira do Japão e quarta da Coreia do Sul (o primeiro país asiático a ter um acordo de comércio livre com a UE). Ao mesmo tempo, a União Europeia é também um dos mais importantes investidores na região (ver aqui e aqui). Mas será que este comércio crescente se reflecte também em melhores laços políticos, sociais e culturais?

Um estudo financiado pela Fundação Ásia-Europa -ASEF (e que já foi mencionado aqui) e intitulado Asia in the Eyes of Europe: Images of a Rising Giant investigou, através de análise dos media e de um inquérito à opinião pública em vários países europeus (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Reino Unido e Roménia), as percepções dos Europeus em relação a esta “emergência” do continente asiático e quais os potenciais para melhorar esta relação. Destaco dois pontos a partir do sumário do estudo (aqui):

  • Os media tendem a privilegiar notícias sobre a China. Se assumirmos que para uma grande maioria da população europeia o contacto que têm com a Ásia passa pelos media, então a imagem que irão construindo da região não deixará, em grande parte, de ser moldada por estes mesmos media. E por mais que seja difícil deixar de falar da China, como se sabe, a Ásia não é só a China. Segundo os autores do estudo, os jornalistas e editores entrevistados queixaram-se da falta de recursos para uma cobertura no terreno que permite oferecer um retrato mais correcto da diversidade e complexidades do continente asiático;
  • E a forma como os Europeus (opinião pública e media) olham para a Ásia: “A  representação das populações e culturas asiáticas através da análise da opinião pública e media oferece uma imagem da Ásia que é rica em diversidade, inexplicável exótica e construída, na maior parte das vezes, a partir de chichés e estereótipos associados à comida, religião e referências culturais. Imagens negativas e difíceis de esquecer como desastres naturais, caos político e abuso de direitos humanos também estão presentes. Quer queiramos ou não, estas imagens estão efectivamente generalizadas nas mentes das pessoas de toda uma região. Estes clichés ajudar a traçar uma imagem unificada das percepções Europeias sobre a Ásia e são ainda mais reforçadas pela propensidade de imaginar a Ásia como uma vasta entidade geográfica sobre-populada por pessoas com diferentes backgrounds culturais.” (tradução pessoal).
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Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
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Uma resposta a Europa e Ásia

  1. Rui diz:

    Pelos vistos a China está a tornar-se mais importante para a UE, mas a UE menos importante para a China.
    ‘EUA tornaram-se o maior mercado da China, destronando a União Europeia’: http://www.publico.pt/economia/noticia/eua-tornaramse-o-maior-mercado-da-china-destronando-a-uniao-europeia–1573185

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