A Investigação Científica e Tecnológica: Europa versus Ásia versus Estados Unidos

 

 

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A National Science Foundation (NSF) dos Estados Unidos é uma agência governamental norte-americana que desempenha um papel fundamental no financiamento de projectos de investigação universitários em todas as áreas científicas. No seu relatório sobre Indicadores Ciência e Engenharia 2012, podemos encontrar números muito interessantes.

Em 2009, as despesas em investigação e desenvolvimento chegou aos 400 mil milhões de dólares nos E.U.A. A Ásia chegou aos 399 mil milhões (graças principalmente à China) e a Europa aos 300 mil milhões. Em comparação com os números de 1996, este relatório indica que a percentagem da América do Norte (E.U.A, Canadá e México) em termos de despesas mundiais com investigação e desenvolvimento (I&D) passou de 40% para 36%, da União Europeia passou de 31% para 24%, e da Ásia passou de 24% para 35%. Julgo que isto nos dá a conhecer um bocado o que nos espera em termos de competitividade das economias europeias face às asiáticas.

Outro dado interessante que este relatório nos dá é o do investimento em I&D de multinacionais norte-americanas nas suas sucursais no exterior. Se a Europa e o Canadá continuam a pesar nesse investimento multinacional a percentagem desceu de 83% em 1998 para 74% em 2008. Por seu lado, nas sucursais asiáticas (principalmente China, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura) a percentagem passou de apenas 11% para 20% no mesmo período.

Mais alguns dados relevantes: na área das Ciências Naturais, a nível mundial dos 1.7 milhões de licenciados em 2008 ou do ano mais recente, 45% eram asiáticos contra 18% da UE e 10% dos EUA.

Na área da Engenharia dos 2 milhões de licenciados para o mesmo período, 56% eram asiáticos contra 17% da UE e 4% dos EUA.

A UE domina nos 1,3 milhões de licenciados em Ciências Sociais com 30%, seguida da Ásia com 23% e EUA com 19%.

Interessante é o facto das percentagens norte-americanas na área das Ciências Naturais e Engenharia serem essencialmente devido ao papel dos estudantes asiáticos que acabam os seus cursos nos EUA. Por exemplo, desde 2000, entre 39 a 48% dos doutorados em Ciências Naturais e Engenharia nos Estados Unidos eram estrangeiros e mais de metade era originário da China, Coreia do Sul ou India.

Esta relação académica acaba, sem dúvidas, por ser uma das principais bases das relações americano-asiáticas. Uma capacidade não só de atrair, pela força e prestígio das suas universidades, jovens investigadores asiáticos com grande potencial e mantê-los no seu sistema educacional. Uma capacidade de criar laços que perduram mesmo quando decidem voltar para os seus países.

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Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Esta entrada foi publicada em EUA, Investigação e desenvolvimento, União Europeia. ligação permanente.

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