A liderança da China em 2022

Não podia deixar de partilhar convosco uma adaptação do recente texto de Leslie Hook no Financial Times. A autora vai para além da atual mudança geracional na liderança da China e relata como está a ser iniciada a corrida à próxima, a ocorrer apenas daqui a dez anos, em 2022. Este relato muito nos diz do funcionamento dos corredores do poder na segunda maior economia do mundo.

“Quando a China apresentar a sua próxima geração de líderes, no fim desta semana, a maior parte dos olhares se voltará para Xi Jinping, o próximo presidente, e para outros membros do Comitê Permanente do Politburo.

Mas, fora da luz dos holofotes, estará um antigo operário de construção civil que deverá um dia seguir esse mesmo caminho: Hu Chunhua, de 49 anos, o principal dirigente do Partido Comunista na Mongólia Interior.

As decisões tomadas durante o 18º Congresso do Partido Comunista chinês vão traçar os rumos de Hu e de outros membros da assim chamada sexta geração, à medida que forem sendo preparados para assumir o poder em 2022, quando Xi e Li Keqiang, o próximo premiê, se afastarem.

Os analistas dividem os dirigentes chineses, em linhas gerais, em “gerações”, a começar por Mao Tsé-tung, que capitaneou a primeira geração após fundar a República Democrática da China, em 1949, até Xi e Li, membros da quinta geração.

A carreira dos políticos de sexta geração — aproximadamente 100 autoridades jovens o suficiente, mas suficientemente maduras para assumir postos máximos após 2022, repousa na possibilidade de eles conquistarem um lugar no Politburo, de 25 membros, ou bons empregos como chefe do partido numa metrópole ou uma província rica.

Uma das características mais notórias dessa sexta geração é o fato de terem históricos de formação acadêmica mais diversificados do que seus antecessores, sendo na maioria formados na área de ciências exatas. Entre eles está Zhou Qiang, advogado que administra a província de Hubei; executivos da indústria como Su Shulin, ex-presidente da estatal Sinopec e atualmente governador da província de Fujian; e Sun Zhengcai, cientista da área agrícola que chefia do partido na província de Jilin.

“Não estamos mais falando de um grupo de tecnocratas de engenharia”, diz Scott Kennedy, professor de política chinesa da Universidade de Indiana.

Analistas dizem que a sexta geração é mais cosmopolita, mas ainda segue o exemplo de seus antecessores, o que sugere que não serão reformadores agressivos.

“Há um alto grau de continuidade entre a sexta geração e as anteriores”, disse Bo Zhiyue, especialista em política chinesa da Universidade Nacional de Cingapura. “Eles têm o mesmo tipo de formação. Vestem-se igual, têm os mesmos gestos e a mesma linguagem, com o mesmo tom.”

Entre os membros da sexta geração, Hu Chunhua se destaca pelo seu cabelo grisalho – em relação ao cabelo tingido de preto usado por muitos dirigentes – e pela sua rápida ascensão ao poder. Chamado em amplos círculos de “Pequeno Hu” devido a suas relações estreitas com Hu Jintao (com quem não é aparentado), ele deverá ingressar no Politburo esta semana, posicionando-se para entrar no Comitê Permanente do Politburo em 2017, após o 19º Congresso do PC.

As carreiras de políticos destacados, como Hu Chunhua, chamam a atenção para como o sistema político da China é obstinado e profundamente apegado à sua velha maneira de agir, produzindo dirigentes criados por meio de laços com mentores e nos moldes de seus antecessores.

Hu começou na Liga da Juventude Comunista, ao aceitar um cargo em seu departamento de organização no Tibete após se formar na universidade. Ele ocupou o cargo por quase duas décadas.

No Tibete, chamou a atenção de Hu Jintao, na época o chefe provincial, que ajudou o Pequeno Hu a se tornar secretário da Liga da Juventude Comunista. Em 2009 ele era o mais jovem governador da história da China, ao comandar a província de Hebei.

Embora tenha estourado um escândalo de leite tóxico sob sua gestão, o incidente teve pouco efeito sobre Hu, principalmente por seus contatos políticos, que o ajudaram a ser promovido a chefe do partido na Mongólia Interior.

“Há uma relação de clientelismo, pela qual eles são preparados para serem futuros dirigentes e recebem muitas oportunidades para ter um bom desempenho”, explica Bo. “Esta geração é fiel ao partido, mas não é necessariamente uma geração de realizadores.”

Em Hohhot, a capital da Mongólia Interior, região rica em recursos naturais, a população diz que seu estilo de governo é discreto. “Na China há um dito popular: você faz ao não fazer. É assim com Hu Chunhua”, diz um editor.

O governo de Hu na região passou por um difícil teste no terceiro trimestre do ano passado, quando irromperam protestos dotados de poderosa carga étnica após a morte de um pastor da Mongólia que foi assassinado por um chinês da etnia han (majoritária na China), motorista de um caminhão carregado de carvão. Hu reagiu com uma rápida imposição do estado de sítio, que, segundo os habitantes da província, foi uma reação exagerada originária de suas experiências na região separatista do Tibete.

Falando no congresso do partido na sexta-feira, Hu disse ter sido às vezes necessário tomar medidas duras, mas afirmou que pessoas inocentes sempre conseguiram ser liberadas após uma operação de repressão.

“Somos duros quando precisamos, e brandos quando precisamos”, disse ele.”

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