A China de hoje em onze minutos e meio

Recomendamos vivamente ouvir o noticiário da meia noite emitido na TSF na passada quinta-feira.

No contexto do 18.º congresso do Partido Comunista Chinês, no seio do qual está a decorrer estes dias a quinta mudança geracional no poder da segunda maior economia munial, é apresentada em onze minutos e meio a China de hoje, bem como o seu papel e interesses num mundo globalizado.

A partir do minuto 2’54 e até ao minuto 14’28 do noticiário, várias sino-especialistas descrevem debruçam-se sobre:

  • a biografia de Xi Jinping, à partida o próximo Presidente da República Popular da China (a partir do minuto 2’54).
  • as relações comerciais e de investimento entre a China e Portugal, descritas pelo Presidente da liga dos Chineses em Portugal. Segundo Y Ping Chow, o interesse chinês em investir em empresas portuguesas não desvaneceu, sobreturo em empresas estatais, que representam um investimento mais seguro e atrativo. Menciona a este título, e de forma inesperada, as Águas de Portugal. Por outro lado, Y Ping Chow aconselha aos empresarios portugueses a apostar na China, com particular atenção aos setores não tradicionais. Nas suas palavras, a China está muito interessada na transferência de tecnologia que Portugal pode despoletar a partir das suas patentes e conhecimentos técnicos (a partir do minuto 3’46).
  • os interesses geopolítico-comerciais da China, interpretadas pelo vice-presidente da Câmara de Comércio Luso-Chinesa. Segundo Ilídio Serôdio, o contexto internacional desfavorável têm forçado à China a virar-se para o mercado doméstico, como já tinha acontecido na crise de 2008-09. No entanto, a agressividade chinesa na aquisição de empresas tem tido continuidade, não apenas empresas europeias com dificuldades de liquidez ou insuficiência de capital, mas também americanas. Estas servem ainda de ponte para mercados mais protegidos onde a entrada directa se encontra mais condicionada, como é o caso da América Latina e, com especial relevância, o Brasil (a partir do minuto 6’52).
  • os direitos humanos, segundo Raquel Vaz Pinto, investigadora da Universidade Católica especialista na China. A Raquel refere em primeiro lugar a forte campanha de controlo dos meios de comunicação observada nos dois últimos anos na China, como resposta do Governo chinês a um eventual alastramento da primavera árabe no seu país. Refere como exemplo paradigmático a censura da palavra “jasmim” nos motores de busqueda na internet. De seguida, a investigadora descreve o aumento das tensões na frente laboral. Em resposta a uma forte emigração das zonas rurais do interior para as zonas costeiras mais industrializadas da China, muitos destes trabalhadores não se integram na cidade de acolhimento e nem sequer fixam domicílio. Este facto tem originado fortes diferenças remuneratórias e de condições de trabalho. Na prática, cidadãos de segunda que, descontentes, mostram a sua contestação (a partir do minuto 10’10).
  • por último, os efeitos da globalização na cultura chinesa, comentados por Ana Maria Amaro, Presidente do Instituto Português de Sinologia. A autora argumenta que a cultura ocidental, potenciada pelo fenómeno da globalização, não é absorvida de forma directa e pura na sociedade chinesa. Contrariamente ao observado noutras regiões do planeta, esta encontra-se muito aquém de “derrubar” a cultura chinesa. Os aportes culturais chineses são fortemente achinesados (a partir do minuto 13’11).
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