Reformar a China?

O editorial de ontem da Caixin, a revista de negócios chinesa mais reputada, revela bem os desafios que esperam a nova liderança chinesa que irá tomar posse no próximo dia 8 de Novembro no 18º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês. E tudo se reduz à palavra reforma: económica, social e acima de tudo política.

Se uma maioria da sociedade chinesa está satisfeita com a sua situação económica, é cada vez maior a preocupação com a corrupção, desigualdades de rendimento entre ricos e pobres, inflação, poluição e perda de valores tradicionais, tal como diz uma recente sondagem do Pew Research Center.

 Numa economia e sociedade mais complexa, o trabalho da futura liderança para responder a estas ansiedades da população não será fácil. Não só porque o poder central de Pequim está longe de ser o que foi no passado. Mas também porque a legitimidade da elite política, cultivada através da imagem de uma “boa servidora das massas”, está cada vez mais minada pela recente e rápida divulgação nas redes de media social de casos de corrupção e enriquecimento dúbio de quem controla a máquina do Estado.

Numa iniciativa inédita, e como que a oferecer à futura liderança do país um caminho para a reforma, o Banco Mundial em conjunto com duas entidades estatais chinesas – Ministério das Finanças e Centro de Investigação do Desenvolvimento do Conselho de Estado – publicaram antes do Verão o relatório “China 2030: Construindo uma Sociedade de Alto Rendimento Moderna, Harmoniosa e Creativa” (China 2030: Building a Modern, Harmonious and Creative High-Income Society no título original em inglês). O relatório extenso merece uma leitura e propõe seis grandes recomendações:

1)      Repensar o papel do Estado e do sector privado para encorajar uma maior competitividade da economia;

2)      Encorajar a inovação e adoptar um sistema de inovação aberta com ligações às redes globais de inovação e investigação;

3)      Olhar para a economia verde como uma significante e nova oportunidade de crescimento económico;

4)      Promoção da igualdade de oportunidades e protecção social para toda a sociedade;

5)      Fortalecimento do sistema fiscal e melhoria da sustentabilidade fiscal;

6)      Assegurar a continuação da sua integração nos mercados globais.

Enquanto o resto do mundo parece preocupado com os impactos de uma re-emergência da China, os desafios do país mais populoso do mundo continuam a ser muitos. Se a futura liderança estará à altura, só o saberemos daqui a uns tempos….

Sobre Luis Mah

Investigador no Centro de Estudos sobre África, Ásia e América Latina (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) em Lisboa. Sou também professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
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2 respostas a Reformar a China?

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