À procura de novas experiências e oportunidades? It’s more fun in the Philippines!

Qual é a imagem que surge na vossa imaginação se alguém vos referir as Filipinas?

Provavelmente nenhuma. Ou, em alguns casos, uma imagem de miséria e pobreza.

E no entanto, apesar dessa imagem, que é cultivada até no novo filme Legado de Bourne, as Filipinas são um país cheio de experiências novas e de oportunidades que merecem ser descobertas.

Talvez alguns saibam que, nas décadas de 50 e de 60, o rendimento das Filipinas era um dos mais elevados da região. Contudo, o desempenho do país em termos de crescimento de longo prazo tem ficado aquém das expectativas, tendo sido observado um amplo período de divergência com as restantes economias do leste asiático (vejam-se os casos da Coreia do Sul, da Tailândia ou da Malásia).

Após décadas de um pobre desempenho económico, o país tem conseguido caminhar no sentido da convergência com a região. O seu Produto Interno Bruto (PIB) duplicou em apenas cinco anos, entre 2005 e 2010 (a preços correntes). Esta tendência mantém-se em 2012, tendo as Filipinas passado a ocupar o terceiro lugar entre as economias asiáticas com maior crescimento do PIB na primeira metade do ano (apenas superado pela China e pela Indonésia). Aliás, o país cresce de forma contínua há 54 trimestres. As taxas anuais de crescimento da ordem dos 3% da década de 90 parecem ultrapassadas. A tendência atual é de manutenção das taxas de 5%-6%. As reservas cambiais têm também aumentado, cinco vezes desde 2005. As finanças públicas estão controladas, com um défice orçamental de apenas 2% do PIB, apesar dos maciços investimentos em infra-estruturas realizados. A inflação mantém-se controlada, na ordem dos 3%. As Filipinas são o país da região com menor dependência das exportações, algo que favorece o país na atual situação económica mundial. O consumo represente cerca de 70% do PIB.

Neste contexto, especialistas financeiros internacionais como Barclays, ANZ ou Standard & Poor’s têm anunciado a sua expectativa de que as Filipinas, após vários upgrades do seu rating soberano nos últimos anos, alcancem em 2013 o investment grade pela primeira vez na sua história. Esta leitura tem por base uma forte estabilidade política, sucesso na luta contra o branqueamento de capitais, um défice orçamental contido, uma boa gestão das tensões inflacionistas e um avanço significativo na implementação da agenda de promoção de parcerias público-privadas. Neste momento, a notação das Filipinas encontra-se precisamente um nivel abaixo daquela atribuída ao Brasil e um nível acima daquela atribuída a Portugal. Em consequência, os fluxos de investimento nas Filipinas tem aumentado fortemente, beneficiando a bolsa local e a apreciação do peso filipino (6% em 2012).

O crescimento populacional, na ordem dos 2% ao ano, tem vindo a abserver historicamente uma parte significativa do crescimento do produto e da capacidade do país em gerar emprego. Observa-se no entanto uma descida recente da taxa de fertilidade, e o país encontra-se às portas do que os especialistas demográficos denominam como “demographic sweet spot”. Com a mediana etária em cerca de 22 anos, a menor da Ásia, mais de metade da população estará em idade de trabalhar em 2015. Este é de facto o ponto em que outras economias asiáticas despoletaram o seu arranque económico, transformando-se em tigres.

Poucos saberão que as Filipinas são o maior fornecedor de Business Process Outsourcing (BPO) do mundo, tendo ultrapassado em fevereiro deste ano a Índia nessa posição. Os BPO incluem serviços de apoio ao cliente, vendas, marketing, apoio técnico e operações de front e back office, sendo que o seu lado mais visível são os denominados call centers. Com uma mão-de-obra fluente em inglês e atenciosa para com o cliente, a indústria tem vindo a crescer a uma média espantosa de 30% ao ano ao longo da última década, representando, em 2011, 5% do PIB filipino e cerca de 650 mil trabalhadores.

Sem que o saibamos, é muito possível que, quando entramos em contacto com  um call center desde Portugal ou do Brasil a solicitar esclarecimentos sobre um produto que acabamos de comprar, estejamos a falar, de facto, com as Filipinas.

Aliás, as oportunidades de emprego para lusófonos neste âmbito são muitas, e bem remuneradas. Todos os anos, são divulgadas centenas de oportunidades de recrutamento para lusófonos (ver exemplos 1, 2, 3 e 4), de preferência nativos, para estes call center. A remuneração, dependendo da responsabilidade assumida e da experiência, varia entre os PHP 35.000 e os PHP 120.000, isto é, entre os EUR 700 e os EUR 2.000 por mês. Os únicos requisitos, falar português e aceitar turnos de trabalho noturnos (por causa da diferença horária).

Os BPO contribuem mais do que a indústria turística para a riqueza nacional, num país que conta com algumas das melhores praias do mundo, apesar de serem pouco conhecidas fora da Ásia

De facto, é raro encontrarmos uma classificação das melhores praias do mundo que não inclua uma ou duas praias filipinas. Apesar de Boracay, El Nido, Bohol ou Coron não nos soarem tão familiares como Phuket ou Bali, são verdadeiros paraísos naturais que ainda não foram absorvidas pelo turismo em massa, muito embora o número de turistas que visitam o país deva aumentar de 5 para 10 milhões entre 2010 e 2015. E percebe-se facilmente a razão.

As Filipinas permitem experiências únicas, como observar mais de um milhar de verdadeiras montanhas de chocolate, passear por terraços de arroz milenares, os mais belos do planeta, ou nadar durante horas junto do tubarões-baleia de quinze metros.

Infelizmente, Portugal tem mostrado algum desinteresse por um país com cerca de 100 milhões de habitantes, fortemente católico e com uma grande tradição de peregrinação a Fátima e Santiago de Compostela. Milhares de filipinos viajam cada ano a Portugal. O número de dormidas de cidadãos filipinos em Portugal foi de 10.000 noites em 2010, um montante três vezes superior ao observado em relação a coreanos e o dobro do que malásios, tailandeses ou cingapuranos. No entanto, o Serviço de Estrangeiros de Fronteiras de Portugal está a rejeitar a grande maioria dos pedidos de visto turístico recebidos de residentes nas Filipinas devido ao elevado “risco migratório”. O consulado de Portugal em Jacarta, responsável pelas Filipinas, envia cerca de cem pedidos de visto por mês para Lisboa. Acontece que, de entre esses pedidos, contam-se pedidos até de empresários, que pretendem passar férias em Portugal.

Um outro claro exemplo deste desinteresse é o facto de Portugal ter encerrado a sua representação diplomática em Manila em 2007, contrariamente ao interesse das Filipinas em Portugal, que avançou em 2010 com a inauguração de uma embaixada em Lisboa.

E o encerramento do missão diplomática nas Filipinas foi uma decisão estratégica, numa altura em que não se observavam os atuais fortes constrangimentos financeiros na Administração Pública em Portugal. Isto apesar de Manila ser a sede do Banco Asiático de Desenvolvimento, do qual Portugal é acionista desde 2002 e, em consequência, fonte potencialmente importante de oportunidades de negócio para as empresas e consultores lusófonos, com um volume de aprovações próximo dos USD 22 mil milhões em 2011. Não é por acaso que o Brasil tem vindo incessantemente nos últimos dez anos a solicitar a adesão a esta instituição.

Portugal e os portugueses devem estar mais atentos às oportunidades e desafios que as Filipinas, mas também o restante sudeste asiático como um todo e a ASEAN, apresentam.

Seguindo a terminologia das campanhas publicitárias nacionais, a Tailândia pode ser espantosa, a Índia pode ser incrível e a Malásia pode ser verdadeiramente Ásia, mas, sem dúvida, it’s more fun in the Philippines!

Esta entrada foi publicada em Brasil, Filipinas, Portugal. ligação permanente.

3 respostas a À procura de novas experiências e oportunidades? It’s more fun in the Philippines!

  1. Maryfe diz:

    Me gusta el artículo y me sorprende. Muy bueno
    En esta página siempre se aprende.

  2. Enrique Galán diz:

    Tendo recebido na nossa página no facebook a seguinte pergunta:

    “o interessante seria tentar perceber como é que se chegou até aqui…porque até ao final do século XX…as Fiipinas foram sempre vistas como o parente pobre na Ásia…principalmente pelo papel do Estado disfuncional e pelos níveis de corrupção”,

    a resposta rapida seria a de apontar a uma mistura de uma boa governação (que tem promovido programas massivos de construção e renovação de infra-estruturas, bem como políticas orçamental e monetária macroprudentes), luta contra a corrupção (vários casos mediáticos de julgamentos por corrupção têm envolvido antigos primeiros-ministros e procuradores-gerais da república, mas também programas de transparência e responsabilização na utilização dos recursos públicos que se encontram na vanguarda mundial) e luta contra a pobreza (com um forte Estado social, com a quase-universalização dos sistemas de reforma e de saúde e a implementação de numerosos programas de conditional cash transfer, semelhantes ao Bolsa Familia no Brasil).

  3. Pingback: As novas embaixadas de Portugal apontam à Ásia: Astana, Baku e Manila | O Retorno da Ásia

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