The beauty of China is in the eyes of the beholder

A percepção que os europeus têm sobre a China varia em grande medida consoante o grupo abordado. Eis a principal conclusão de um estudo publicado recentemente pela Fundação Asia-Europa (ASEF), com sede em Singapura, e denominado “Asia in the eyes of Europe: images of a rising Asia”. O estudo, que foca oito países representativos da UE, designadamente Alemanha, Austria, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Reino Unido e Roménia, foi conduzido na forma de barómetro e com base em entrevistas.

Os dados económicos e o discurso oficial mostram uma forte interligação entre a Europa e a China. A título de exemplo, a China ultrapassará a França como principal parceiro comercial da Alemanha já este ano, tendo vindo a escalar posições como parceiro comercial de muitos outros Estados-membros. Vejamos os casos exemplificativos da Austria, onde a China ocupa o lugar de maior parceiro comercial extracomunitário dese 2010, ano em que superou os EUA, ou até de Portugal, onde as exportações com destino à China aumentaram em 76% em 2011 face a 2010, em grande medida por via da ascensão deste país como maior destino da produção da AutoEuropa, que representa por sua vez cerca de 4,6% das exportações nacionais.

Por não falar de igual forma na participação chinesa nos processos mais recentes de aquisições e privatizações na Europa, que passou de representar cerca de USD 1,3 mil milhões em 2006 a cerca de USD 10 mil milhões apenas em 2011, e que a Rodhium Group, um conceituado think-thank com sede em Nova Iorque, prevê que venha a representar um total cumulativo de USD 500 mil milhões em 2020. Vejam-se os casos da EDP, da REN, da Addax, dos ativos da Repsol no Brasil, da produtora noruega de painéis solares Orkla ou da química húngara Borsodchem, por mencionar apenas algumas daquelas aquisições acima dos mil milhões de euros, bem como as aquisições de marcas bandeiras europeias como a Volvo, Saab ou a MG. Mais ainda, especial destaque merecem pelo seu peso estratégico os fundos criados recentemente pela China para financiar parceiras de PMEs alemãs com parceiros chineses, em particular em setores de I+D+i, por um montante total de EUR 2,8 mil milhões, bem como a linha de crédito criada para apoiar o investimento chinês em setores de energias renováveis, infraestruturas e tecnologia de ponta em países da Europa Central.

Mas o estreitar de laços não se limita à arena comercial. Os estudantes chineses representam já o segundo maior grupo de estudantes estrangeiros em França, apenas ultrapassados pela comunidade marroquina. Em Portugal, as receitas geradas por turistas chineses foram as que mais crescenam em 2011, tendo disparado 84,2% face ao ano anterior, para um total de EUR 12 milhões segundo o Banco de Portugal. Note-se a este respeito que a China já é a terceira maior origem de turistas do mundo, com 70 milhões de turistas no estrangeiro em 2011, mais 20% que em 2012, segundo a Academia de Turismo da China, apenas superada pela Alemanha e pelos EUA. A própria Espanha tinha lançado em julho de 2011 um plano para captar um milhão de turistas chineses até 2020.

E no entanto o relatório acima mencionado mostra que os Europeus continuamos a considerar a Asia como um lugar misterioso, longínquo, exótico, mas culturalmente distante. Dos cerca de 40 milhões de estudantes de mandarim como língua estrangeira no mundo, e dos mais de 300 centros Confúcio criados desde 2005 em 94 países do globo, estatísticas mostram que, em 2010, apenas havia cerca de 1.500 estudantes de mandarim no Reino Unido, segundo a agência estatística britânica do ensino superior, apesar do forte aumento das relações económicas.

Curiosamente, enquanto a maioria dos franceses consideram que as relações comerciais e económicas devem ser o principal tópico de cooperação com a China, este valor diminui a cerca de 15% no caso dos alemães, que atribuem maior importância a outros tópicos como o terrorismo e a segurança ou os direitos humanos.

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