Seis novos portos de grande dimensão, 250 novos aeroportos, 27.000 novos quilómetros de auto-estradas e 400 estações de comboio até 2025. Só na Índia.

Modi em operação charme na Europa.

O Primeiro-Ministro Modi encontra-se a meio da sua visita de charme à Europa, hoje na Espanha, após ter passado pela Alemanha, e antes de visitar França e Rússia.

Macron e Merkel

O objetivo é claro: atrair investimento, especialmente nos sectores de infraestruturas, cidades inteligentes, economia digital, energias renováveis, defesa e turismo.

A Espanha foi, entre 2006 e 2016, o duodécimo maior investidor na Índia, com um stock de USD 2,32 mil milhões, especialmente em infraestruturas (Isolux, Corsán, Grupo San José), energias renováveis (Gamesa, Acciona), componentes automóveis e dessalinização de água (Abengoa).

Made in Spain

230 empresas espanholas têm hoje presença permanente no gigante asiático, muito além das 70 observadas em 2008. Na Espanha, operam hoje cerca de 40 indianas, essencialmente nos sectores de tecnologia, energia, automóveis e farmacêuticas.

Modi, acompanhado das empresas Mahindra, Suzion Energy, Sun Pharmaceuticals e Telcon, reuniu com a direção de empresas espanholas como: Abengoa e Gamesa (renováveis), Talgo (comboios), Navantia (barcos), Indra (tecnologia), CAF e Acciona (infraestruturas).

Índia e Espanha

Em entrevista ao principal jornal diário de negócios, Expansión, Modi refere que o gigante asiático planeia construir seis portos de grande dimensão, 250 novos aeroportos e 27.000 quilómetros de auto-estradas, bem como modernizar 400 estações de comboio até 2025. Mais ainda, como signatária do Acordo de Paris na luta contra as alterações climáticas, a Índia deve assegurar que, até 2030, 40% da energia gerada no país tem origem em fontes não fósseis.

As empresas espanholas parecem estrategicamente situadas para tirar o devido proveito.

25 anos depois da anterior visita de um Primeiro-Ministro indiano à Espanha (Narashima Rao em 1992), o Produto Interno Bruto indiano cresce a 7% ao ano, sendo hoje a economia do mundo acima dos 100 milhões de habitantes com maior taxa de crescimento do mundo.

Não é apenas Portugal que está num momento doce com a Índia, com a mediática visita do Primeiro-Ministro António Costa àquele país em janeiro e a sua distinção com o prémio Pravasi Bharatiya Divas, que homenageia os indianos ou descendentes que se tenham distinguido no estrangeiro.

Costa e prémio indiano

A Índia quer aproveitar a atual janela de oportunidade de realinhamento de prioridades geoestratégicas na Europa para captar investimento para as suas prioridades de desenvolvimento.

Para tal, contudo, será essencial que aquele país chegue a acordo com a Comissão Europeia sobre o Acordo de Promoção e Proteção de Investimento Recíproco. As negociações decorrem, com altos e baixos, há cerca de uma década. No caso bilateral de Portugal e a Índia, este encontra-se caducado desde a primeira semana de maio de 2017.

Bandeira Índia-União Europeia

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ASEAN: uma oportunidade perdida para Portugal?

Fazemos eco do artigo publicado conjuntamente pelo Pedro Vieira e pelo Luís Mah na secção de economia da edição online do diário Público com o mesmo título:

ASEAN e Portugal

Este ano, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) celebra o seu 50.º aniversário. Composta pela Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei Darussalam, Laos, Camboja, Vietname e Myanmar, a ASEAN é hoje a região com maior dinamismo económico a nível mundial. O FMI e o Banco Mundial estimam que as economias da ASEAN, que agrupam quase 629 milhões de habitantes, cresçam cerca de 5% tanto em 2017 como em 2018. Esta é uma história de sucesso que dura há mais de quatro décadas. Entre 2004 e 2015, o PIB das economias da ASEAN, a preços correntes, cresceu de 833 mil milhões de dólares para quase 2,5 biliões de dólares. Da mesma forma, o PIB per capita passou de 1500 para 3867 dólares durante esse mesmo período.

No entanto, Portugal parece ter passado ao lado desta região em termos de relações comerciais. De acordo com a UN Comtrade, entre 2000 e 2015, as relações comerciais de Portugal com a ASEAN tiveram pouca representatividade no comércio externo nacional, não ultrapassando mais de 2,5% do total. Durante este período, as exportações tiveram um aumento pouco significativo, passando de 121 milhões para 152 milhões de dólares. Pelo contrário, as importações da ASEAN aumentaram de 303 milhões para 644 milhões de dólares para o mesmo período. Os números do comércio entre Portugal e a ASEAN contrastam com os da União Europeia (UE), que ultrapassam os 70% do total do comércio externo português.

Em Dezembro de 2015, o lançamento da Comunidade Económica ASEAN marcou mais um passo no sentido de maior integração regional através da criação de um mercado comum com livre circulação de mão-de-obra e capital. Este grupo de países foi capaz de, no espaço de 20 anos, eliminar quase todas as barreiras aduaneiras entre os seus Estados-membros e afirmar-se como um bloco económico fundamental para a progressiva integração regional na Ásia Oriental. Num momento em que cresce a retórica do protecionismo nos EUA e em alguns países europeus, a ASEAN, em conjunto com a China, o Japão e a Coreia do Sul (ou ASEAN+3), continuam a mostrar o desejo de promover o comércio livre na região, contribuindo para a emergência de uma nova ordem económica asiática.

 Para a ASEAN, a UE-28 é o segundo mais importante mercado para as suas exportações e o terceiro no que toca a importações. Bruxelas tem vindo a negociar acordos de comércio livre com vários membros da ASEAN, tendo já concluído as negociações com Singapura e Vietname e iniciado negociações com as Filipinas e a Indonésia. Se a mensagem que tem sido passada pelos agentes políticos e económicos é a de que Portugal precisa de diversificar os destinos de exportação para a economia continuar a crescer e sair da dependência comercial com a UE, o que os dados comerciais revelam é que o mercado ASEAN, apesar da sua importância económica regional e global agora e nos próximos tempos, pouco nos tem interessado.
Oportunidade perdida
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Quarta maior empresa do Japão, responsável por um quinto da produção de energia eléctrica em Portugal, abre filial em Lisboa

A Marubeni, que investiu mais de 400 milhões em Portugal desde 2013, abre esta terça-feira uma filial em Lisboa, o que é sinal do “compromisso com Portugal”.
Quatro anos depois de ter entrado no mercado português, onde fez investimentos que ultrapassam os 400 milhões de euros, a multinacional japonesa Marubeni vai abrir esta terça-feira a sua primeira filial em Portugal. A empresa, que controla 22,5% do capital da Galp Gás Natural Distribuição (GGND), diz que a abertura desta sucursal representa “um compromisso firme” com a economia portuguesa.
Marubeni em Portugal

Além da GGND, a Marubeni detém 19% da produção de energia eléctrica em Portugal, através do grupo Trustenergy, e é ainda dona de AGS – Administração e Gestão de Sistemas de Salubridade (com outra empresa japonesa, a Innovation Network Corporation of Japan), que detém a distribuição de águas de 14 municípios (entre os quais Cascais e Setúbal) e detém três subsidiárias no Brasil.

O presidente da AICEP, Luís Castro Henriques, disse que o estabelecimento da Marubeni em Portugal é “muito importante” porque “está a seguir um caminho de maior presença no nosso mercado”, “estabiliza a sua operação” e “pode olhar de uma forma mais geral para todo o território”. “É um sinal de compromisso com o mercado português” e o “culminar de um trabalho de alguns anos” com a multinacional.

“Quando uma empresa desta dimensão – a quarta maior do Japão – abre cá uma filial é porque vê Portugal como um mercado relevante”, descreve Luís Castro Henriques. Além do mercado português, a Marubeni olha para o país como uma plataforma para entrar noutros mercados como a América do Sul e também África, nomeadamente os países de língua portuguesa, acrescenta Castro Henriques.
Presidente aicep

A AICEP tem tido “presença de alto nível no Japão pelo menos duas vezes por ano” e, em 2015, os responsáveis da Marubeni já diziam que “estavam a olhar para a possibilidade de se estabelecerem em Portugal”.

A AICEP tem seis especialistas no país do sol nascente, focados na captação de investimento. Em Fevereiro último, Miguel Frasquilho, então presidente daquela entidade, participou num “road-show” de captação de investimento em solo nipónico.

A abertura da filial, contudo, não deverá trazer já anúncios de novos investimentos. O representante da Marubeni em Portugal, Yasunobu Ono, disse que, para já, não há “novos investimentos para anunciar”, embora “esteja a haver discussões” nesse sentido. A filial será composta por dois quadros japoneses e “alguns portugueses, mas não muitos”, e servirá para “desenvolver novos negócios”. “Esta nova filial representa um compromisso firme para uma contribuição a longo prazo para a economia portuguesa”, rematou Ono.

Bruno Simões, em Jornal de Negócios
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Bolsas para estudiantes de Mandarim em Taiwan abertas até 31 de maio

As Bolsas de Estudo Huayu, oferecidas pelo Ministério da Educação de Taiwan, visam apoiar estudantes internacionais que pretendem frequentar os cursos Huayu (proficiência de Mandarim), tanto para aumentar o conhecimento da cultura e da sociedade de Taiwan como para promover a compreensão mútua entre Taiwan e a comunidade internacional.

Bolsas chinês

  • Duração: 2, 3, 6, 9 ou 12 meses
  • Valor Mensal da Bolsa: NT $ 25.000 (aproximadamente 725 €)
  • Apenas para estudantes que venham a frequentar os centros de línguas Huayu autorizados (confira a lista no site do Centro Económico e Cultural de Taipei).

Entre 15 e 30 de junho o Centro Económico e Cultural de Taipei irá realizar entrevistas com todos os candidatos que tenham feito prova da sua candidatura num dos centros de línguas, em Taiwan.

Período de Apresentação de Candidaturas: de 1 de fevereiro a 31 de maio 2017.

A lista dos candidatos selecionados será anunciada a 30 de junho no site do Centro Económico e Cultural de Taipei.

Mais informações: http://www.roc-taiwan.org/pt_pt/post/509.html.

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Candidaturas para Bolsas de Investigação Académica do Instituto Cultural do Governo de Macau em aberto até 31 de maio

Emitidas anualmente, as Bolsas de Investigação Académica, que têm com objectivo estimular o desenvolvimento de estudos académicos com originalidade, sobre a cultura de Macau e o intercâmbio entre Macau, o Interior da China e outros países.

Bolsas na China

Todos os doutorados, com comprovada experiência de investigação académica ou investigadores, locais ou estrangeiros, e que tenham produção académica de nível reconhecido, podem candidatar-se.

Mais informações aqui.

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Chernobil: do nuclear ao solar

Duas empresas chinesas estão a construir um parque solar dentro da zona de exclusão da central nuclear de Chernobil.

Chernobil

Em 26 de abril de 1986, uma explosão de vapor no quarto reator da usina de Chernobil provocou um derretimento nuclear responsável por cerca de 50 mortes diretas e, estima-se, cerca de quatro mil mortes por exposição à radiação. Foi o pior acidente nuclear da história em custos e em mortes, e um dos dois únicos classificados como um evento de nível 7 (classificação máxima) na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (sendo o outro o Acidente nuclear de Fukushima I, no Japão, em 2011).

Em 2017, os 30 km de zona de exclusão à volta da central nuclear estão a ser transformados numa fonte de energia limpa e renovável.

Painéis solares

As companhias GCL System Integration Technology Co Ltd. e China National Complete Engineering Corp estão a construir um parque solar com uma capacidade de 1 gigawatt a sul de Chernobil. Estima-se que esta produção seja capaz de alimentar cerca de 725.000 lares, isto é, cerca de 2 milhões de pessoas.

As razões são simples: “terra barata para a instalação dos painéis solares e sol em abundância”, nas próprias palavras do Ministro ucraniano de ambiente e recursos naturais.

 

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Fé no turismo

Há uns anos, pedi a alguns amigos expatriados que fossem a agências de viagens e, de forma tão vaga quanto possível (sem restrições de preço, de época do ano, de tipo de turismo, etc.), dissessem que queriam fazer férias em Portugal e me relatassem o que lhes havia sido proposto. Do Reino Unido chegaram as sugestões de Algarve e Madeira. Expectável. Em Boston, falaram dos Açores. Faz sentido. A surpresa veio de um amigo a viver nas Filipinas: apontaram-lhe Fátima.

Assim começa o mais recente texto de opinião da Vera Gouveia Barros no Jornal Económico, “Fé no turismo”, onde traça uma reflexão muito interessante sobre o potencial do turismo religioso (também ele asiático) em Portugal.

Recomenda-se.

Turismo religioso

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