A Nova Rota da Seda

Numa altura em que muito se têm falado na comunicação social desta iniciativa chinesa, também conhecida como Plano Marshall chinês ou como OBOR (acrónimo para One Belt, One Road), optamos por consolidar aqui três análises muito completas sobre a mesma:

A Nova Rota da Seda

  1. Realising opportunities along the Belt and Road“, da PwC, relatório que propõe a melhor forma de aproveitar as oportunidades de negócio: principais atores, oportunidades para empresas estrangeiras, estratégias para avaliar e selecionar projetos, e formação de plataformas internacionais, entre outras.
  2. Understanding China’s Belt and Road Initiative“, do Lowy Institute for International Policy, think-tank australiano, relatório que apresenta de forma sintética e estruturada a iniciativa chinesa.
  3. China and the Mediterranean: Open for Business“, do European Council on Foreign Relations,  que analisa os interesses e as atuações chinesas no Mediterrâneo, com particular foco no interesse chinês nos portos da região, investimentos chineses na Itália ou a sua estratégia de segurança no Médio Oriente.

Para mais informação sobre a OBOR, veja a página compilada pela Iberchina para o efeito.

A Rota da Seda

 

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A Airbus assina um novo contrato de USD 23 mil milhões com a China

A Chancheler alemã, Angela Merkel, e o Presidente chinês, Xi Jinping, presenciaram ontem à margem da reunião de Chefes de Estado ou de Governo do G-20, em Berlim, a assinatura do acordo entre a Airbus e China Aviation Supplies Holding Company (CASHC) para a aquisição de 140 novas aeronaves.

Merkel Jinping

A encomenda subdivide-se em 100 A320 e 40 A350, que irão ser posteriormente distribuídos pelas várias companhias chinesas que dependem da CASHC, empresa pública de compras de aviação.

O montante total do negócio é de cerca de USD 23 mil milhões (cerca de um oitavo do PIB de Portugal).

Importa referir que é expectável que metade dos A320 adquiridos sejam concluídos na própria linha de montagem que a Airbus tem na China.

 

Mais uma bandeira na luta concorrencial entre a Boeing e a Airbus.

Airbus vs Boeing

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Nove das dez melhores companhias de aviação do mundo são asiáticas

A web especializada Skytrax organiza anualmente os World Airline Awards, conhecidos como os “Óscar” da aviação.

Os prémios são outorgados tendo por base inquéritos de satisfação realizados a cerca de 20 milhões de passageiros em mais de 100 países. Estes avaliam 325 companhias de aviação a partir de 49 parâmetros, entre os quais a facilidade no boarding, limpeza, simpatia e profissionalismo do seu staff, comodidade a bordo ou os sistemas de entretenimento.

O domínio das companhias asiáticas em 2017 é quase total, com nove companhias nos dez primeiro lugares (apenas acompanhadas da Lufthansa, em sétimo lugar).

Melhores companhias de aviação

São elas:

  1. Qatar Airways (que tinha já ficado em primeiro lugar em 2011, 2012 e 2015), de Catar;
  2. Singapore Airlines, de Singapura;
  3. ANA All Nippon, do Japão;
  4. Emirates (primeiro em 2016, que agora desce ao quarto lugar), dos Emirados Árabes Unidos;
  5. Cathay Pacific, de Hong Kong;
  6. EVA Air, de Taiwan;
  7. Lufthansa, da Alemanha;
  8. Etihad, dos Emirados Árabes Unidos;
  9. Hainan Airlines, da China (e acionista da TAP, que apenas surge em 62.º lugar); e
  10. Garuda, da Indonésia.

Curiosamente, as companhias norte-americanas só começam a surgir a partir da 32.ª posição, com a Delta

 

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E o melhor banqueiro da Ásia é…. português!

O CEO do Banco Nacional Ultramarino (BNU), Pedro Cardoso, foi galardoado com o prémio ao melhor banqueiro da Ásia, pela sua estratégia de alargamento de mercado além-Macau e de entrada na China continental.

Pedro Cardoso BNU Macao

O prémio é atribuído pela World Finance, revista do setor financeiro com sede em Londres.

Pedro Cardoso é CEO do BNU desde 2011, tendo sido com anterioridade Administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O BNU é de facto o banco emissor em Macau e do universo CGD.

Desde 2011, as receitas do BNU tiveram um crescimento de 107%, enquanto o número de clientes cresceu 17% para 225 mil, numa região que conta com 650 mil habitantes, atenuando os prejuízos anuais observados na casa mãe.

Entrevista ao galardoado pelo Dinheiro Vivo disponível aqui.

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O Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura recebe notação máxima da Moody’s

O Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, a mais recente instituição financeira multilateral, da qual Portugal é acionista e Brasil e Timor-Leste estão em processo de adesão, foi objeto hoje, pela primeira vez, de notação de agências de rating, neste caso da Moody’s.

E a notação é máxima! AAA!

Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura

Em termos financeiros, quer isto dizer que o seu passivo detém virtualmente risco zero para os seus credores. A consequência é a de fazer com que o financiamento da entidade nos mercados possa ocorrer a taxas significativamente baixas, fazendo com que esse custo de financiamento muito reduzido seja passado com custos igualmente reduzidos aos projetos financiados pelo Banco, de promoção do desenvolvimento e da integração da região asiática, para sua aplicação em project finance.

Relembramos que o Banco Asiático de Desenvolvimento estima as necessidades em project finance para infraestruturas da região em cerca de USD 1,7 biliões (1.700.000.000.000) por ano até 2030.

O comunicado inicial da Moody’s é o seguinte:

AIIB Receives Triple-A Credit Rating

 Beijing – (June 29, 2017) Moody’s Investors Service (“Moody’s”) announced it has assigned the Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB) its highest possible rating and a stable outlook.  According to its press release, Moody’s has provided the Bank with a long-term issuer rating of Aaa and a short-term issuer rating of Prime-1.

Moody’s cited, “the strength of AIIB’s governance frameworks, including its policies on risk management, capital adequacy, and liquidity,” as reasons for the high rating.  The full press release announcing their decision is available below.

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Seis novos portos de grande dimensão, 250 novos aeroportos, 27.000 novos quilómetros de auto-estradas e 400 estações de comboio até 2025. Só na Índia.

Modi em operação charme na Europa.

O Primeiro-Ministro Modi encontra-se a meio da sua visita de charme à Europa, hoje na Espanha, após ter passado pela Alemanha, e antes de visitar França e Rússia.

Macron e Merkel

O objetivo é claro: atrair investimento, especialmente nos sectores de infraestruturas, cidades inteligentes, economia digital, energias renováveis, defesa e turismo.

A Espanha foi, entre 2006 e 2016, o duodécimo maior investidor na Índia, com um stock de USD 2,32 mil milhões, especialmente em infraestruturas (Isolux, Corsán, Grupo San José), energias renováveis (Gamesa, Acciona), componentes automóveis e dessalinização de água (Abengoa).

Made in Spain

230 empresas espanholas têm hoje presença permanente no gigante asiático, muito além das 70 observadas em 2008. Na Espanha, operam hoje cerca de 40 indianas, essencialmente nos sectores de tecnologia, energia, automóveis e farmacêuticas.

Modi, acompanhado das empresas Mahindra, Suzion Energy, Sun Pharmaceuticals e Telcon, reuniu com a direção de empresas espanholas como: Abengoa e Gamesa (renováveis), Talgo (comboios), Navantia (barcos), Indra (tecnologia), CAF e Acciona (infraestruturas).

Índia e Espanha

Em entrevista ao principal jornal diário de negócios, Expansión, Modi refere que o gigante asiático planeia construir seis portos de grande dimensão, 250 novos aeroportos e 27.000 quilómetros de auto-estradas, bem como modernizar 400 estações de comboio até 2025. Mais ainda, como signatária do Acordo de Paris na luta contra as alterações climáticas, a Índia deve assegurar que, até 2030, 40% da energia gerada no país tem origem em fontes não fósseis.

As empresas espanholas parecem estrategicamente situadas para tirar o devido proveito.

25 anos depois da anterior visita de um Primeiro-Ministro indiano à Espanha (Narashima Rao em 1992), o Produto Interno Bruto indiano cresce a 7% ao ano, sendo hoje a economia do mundo acima dos 100 milhões de habitantes com maior taxa de crescimento do mundo.

Não é apenas Portugal que está num momento doce com a Índia, com a mediática visita do Primeiro-Ministro António Costa àquele país em janeiro e a sua distinção com o prémio Pravasi Bharatiya Divas, que homenageia os indianos ou descendentes que se tenham distinguido no estrangeiro.

Costa e prémio indiano

A Índia quer aproveitar a atual janela de oportunidade de realinhamento de prioridades geoestratégicas na Europa para captar investimento para as suas prioridades de desenvolvimento.

Para tal, contudo, será essencial que aquele país chegue a acordo com a Comissão Europeia sobre o Acordo de Promoção e Proteção de Investimento Recíproco. As negociações decorrem, com altos e baixos, há cerca de uma década. No caso bilateral de Portugal e a Índia, este encontra-se caducado desde a primeira semana de maio de 2017.

Bandeira Índia-União Europeia

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ASEAN: uma oportunidade perdida para Portugal?

Fazemos eco do artigo publicado conjuntamente pelo Pedro Vieira e pelo Luís Mah na secção de economia da edição online do diário Público com o mesmo título:

ASEAN e Portugal

Este ano, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) celebra o seu 50.º aniversário. Composta pela Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei Darussalam, Laos, Camboja, Vietname e Myanmar, a ASEAN é hoje a região com maior dinamismo económico a nível mundial. O FMI e o Banco Mundial estimam que as economias da ASEAN, que agrupam quase 629 milhões de habitantes, cresçam cerca de 5% tanto em 2017 como em 2018. Esta é uma história de sucesso que dura há mais de quatro décadas. Entre 2004 e 2015, o PIB das economias da ASEAN, a preços correntes, cresceu de 833 mil milhões de dólares para quase 2,5 biliões de dólares. Da mesma forma, o PIB per capita passou de 1500 para 3867 dólares durante esse mesmo período.

No entanto, Portugal parece ter passado ao lado desta região em termos de relações comerciais. De acordo com a UN Comtrade, entre 2000 e 2015, as relações comerciais de Portugal com a ASEAN tiveram pouca representatividade no comércio externo nacional, não ultrapassando mais de 2,5% do total. Durante este período, as exportações tiveram um aumento pouco significativo, passando de 121 milhões para 152 milhões de dólares. Pelo contrário, as importações da ASEAN aumentaram de 303 milhões para 644 milhões de dólares para o mesmo período. Os números do comércio entre Portugal e a ASEAN contrastam com os da União Europeia (UE), que ultrapassam os 70% do total do comércio externo português.

Em Dezembro de 2015, o lançamento da Comunidade Económica ASEAN marcou mais um passo no sentido de maior integração regional através da criação de um mercado comum com livre circulação de mão-de-obra e capital. Este grupo de países foi capaz de, no espaço de 20 anos, eliminar quase todas as barreiras aduaneiras entre os seus Estados-membros e afirmar-se como um bloco económico fundamental para a progressiva integração regional na Ásia Oriental. Num momento em que cresce a retórica do protecionismo nos EUA e em alguns países europeus, a ASEAN, em conjunto com a China, o Japão e a Coreia do Sul (ou ASEAN+3), continuam a mostrar o desejo de promover o comércio livre na região, contribuindo para a emergência de uma nova ordem económica asiática.

 Para a ASEAN, a UE-28 é o segundo mais importante mercado para as suas exportações e o terceiro no que toca a importações. Bruxelas tem vindo a negociar acordos de comércio livre com vários membros da ASEAN, tendo já concluído as negociações com Singapura e Vietname e iniciado negociações com as Filipinas e a Indonésia. Se a mensagem que tem sido passada pelos agentes políticos e económicos é a de que Portugal precisa de diversificar os destinos de exportação para a economia continuar a crescer e sair da dependência comercial com a UE, o que os dados comerciais revelam é que o mercado ASEAN, apesar da sua importância económica regional e global agora e nos próximos tempos, pouco nos tem interessado.
Oportunidade perdida
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