Mais de mil especialistas discutem o Japão em Lisboa

Hoje têm início na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa os trabalhos formais da 15.ª Conferência Internacional da EAJS.

É a primeira vez que se realiza em Portugal a Conferência Internacional promovida pela European Association for Japanese Studies (EAJS), uma associação fundada em 1973, que reúne investigadores que têm o Japão como objeto de estudo, e promove os estudos japoneses em todos os países da Europa, nos Estados Unidos da América e no próprio Japão.

A conferência conta com 1.124 participantes, 43% dos quais vindos do Japão. Estão também representados vários países da Europa, da América e da Ásia.

Estudos japoneses

O evento é organizado pelo CHAM – Centro de Humanidades – centro de investigação da Faculdade – e o programa científico se desenvolve em 12 áreas do conhecimento das Ciências Sociais e Humanas.

Tendo sido os Portugueses os primeiros europeus a chegar ao Japão no século XVI, foi preocupação da organização local valorizar o legado histórico desse relacionamento. Neste sentido, organizaram-se visitas a Coimbra, Évora e Vila Viçosa, palcos determinantes na formação dos missionários que largavam para a missão nipónica e no encontro diplomático e cultural entre Portugal e Japão (programa). Com a mesma intenção foram organizadas visitas guiadas aos Museus em Lisboa com coleções relacionadas com o Japão e a exposições temporárias de artistas japoneses contemporâneos (programa).

Geishas

Nos dias prévios ao evento, terão ainda lugar workshops da iniciativa de universidades e centros de investigação japoneses (programa), e durante todo o período da Conferência editoras especializadas em estudos japoneses fazem-se representar através de uma feira do livro. Estas iniciativas são de entrada livre.

A participação no evento está sujeita a inscrição. O programa completo é o seguinte: Programa completo (pdf)

FCSH

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Sabia que a Índia….

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, tem iniciado um amplo programa para melhorar as infra-estruturas do país.

Modi

Abaixo deixamos alguns dados interessantes que dão uma ideia da dimensão do plano:

  • 4: o número de quilómetros de estrada que são construídos na Índia cada dia.
  • 23 milhões: o número de passageiros que viajam nos comboios indianos cada dia.
  • 1,3 milhões: o número de empregados diretos nas companhias ferroviárias indianas.
  • 12%: o aumento da despesa em investimento em infraestrutura no orçamento da Índia em 2017 quando comparado com 2016.
  • 59 mil milhões: o orçamento alocado para construir e modernizar os rodovias, ferrovias e aeroportos indianos em 2017/2018, em USD.
  • 377 mil milhões: o montante que a Índia planeia investir, entre agentes privados e público, na modernização e construção de novas infra-estruturas no país nos próximos três anos, em USD.

Os desafios, de facto, são significativos, como relembra o World Economic Forum:

Dados Índia

Segue-nos em @oretornodaasia.

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Comentário no Caderno de Economia do Semanário Expresso sobre o papel dos países emergentes (asiáticos) em evitar uma segunda Grande Depressão dez anos atrás

Partilhamos aqui o comentário e leitura sobre o papel dos países emergentes (asiáticos) em evitar dez anos atrás uma segunda Grande Depressão, na série de artigos publicados pelo Jorge Nascimento Rodrigues e pelo João Silvestre no Caderno de Economia do Semanário Expresso.

Expresso Ásia

O papel da China como fator contracíclico e mitigador dos efeitos da crise financeira global foi decisivo. A economia chinesa cresceu com uma taxa anual média de 9,5% em 2008 e 2009, os piores anos da crise. Apesar deste nível de crescimento ser inferior aos 12,8% observados em média nos três anos anteriores à crise financeira global, esta não difere significativamente da média de longo prazo observada desde a década de 80, que é de 10%. De facto, se retirarmos o contributo direto da China para a taxa de crescimento do PIB mundial observada em 2009 (calculada em paridade do poder de compra e a preços correntes), esta teria afundado de 1,0% a -0,3%. Nesse caso, a economia mundial teria encolhido em 2009, e teria registado o menor nível de crescimento em todo o pós-Segunda Guerra Mundial (dados retirados a 6 de agosto de 2017 da World Bank Open Data database). Importa ainda referir que neste cálculo apenas retiramos a China da taxa de crescimento mundial, sem entrar em consideração com os impactos indiretos, mas também benignos e sem dúvida significativos, que, por exemplo, a procura chinesa por matérias-primas terá tido em países como a Austrália ou o Brasil.

Dados China

O papel da China como fator contracíclico e mitigador, altamente resiliente a crises globais e regionais, não se limitou no entanto à crise financeira global de 2008-2009. De facto, importa referir como a China tem contrariado sistematicamente, pela positiva, as previsões de abrandamento do crescimento projetadas para a sua economia, especialmente em períodos de crise.

Em primeiro lugar, recuemos mais dez anos no tempo, de 2007 a 1997. A crise financeira asiática, que depois arrastaria à América Latina, afetou profundamente os níveis de crescimento observados na região, sendo especialmente marcada na Indonésia, Tailândia, Malásia, e Coreia do Sul, com quebras do PIB de 13,1%, 7,6%, 7,4% e 5,5%, respetivamente, em 1998. Todas as previsões macroeconómicas mundiais apontavam para o forte impacto que esta crise iria ter na economia chinesa. A este respeito, a capa da The Economist de 24 de outubro de 1998 (ver abaixo) ilustrava a economia chinesa a ser sugada para o fundo de um remoinho, metáfora da crise financeira asiática. No entanto, a economia chinesa apenas observou um ligeiro abrandamento, tendo registado um crescimento médio surpreendente de 7,8% em 1998 e 1999, e apresentado uma taxa média de crescimento de 10,4% na década que se seguiu.

A China e o contágio

Em segundo lugar, o recente abrandamento da economia chinesa. Este é devido (i) quer ao abrandamento dos ganhos relativos de produtividade próprios de níveis mais elevados de rendimento explicado pelas teorias económicas de convergência; (ii) quer aos efeitos intrínsecos da mudança de modelo de crescimento, de um modelo baseado na industrialização e nas exportações a um outro de serviços e de consumo privado doméstico. O debate macroeconómico sobre a China tem-se dividido entre aqueles que anteveem um hard landing e um soft landing da economia chinesa, isto é, entre aqueles que projetam um abrandamento acelerado do ritmo de crescimento chinês para os níveis médios observados nas economias da OCDE e aqueles que estimam um abrandamento gradual e progressivo. As duas grandes fragilidades atuais da economia chinesa, nomeadamente o endividamento do setor privado e a bolha no setor imobiliário tem sido os principais fatores apontados a este respeito pelos defensores do hard landing. Contudo, e de forma surpreendente após uma década de abrandamento gradual contínuo da economia chinesa, a taxa de crescimento real do PIB chinês acelerou em meados de 2017. A taxa anualizada de 6,9% reportada no segundo trimestre do ano é superior aos 6,7% registados em 2016, e significativamente acima das previsões dos principais organismos internacionais (por exemplo, o FMI apontam para 6,6% em 2017 e 6,2% em 2018). As exportações cresceram em junho a uma taxa anualizada year-on-year de 11,3% (motor externo), mas a taxa anualizada de crescimento real year-on-year das vendas de retalho cresceu também no mesmo mês acima dos 10% (motor interno).

Morgan Stanley

Em jeito de conclusão, concordo com economistas como Stephen Roach, antigo diretor da Morgan Stanley para a Ásia, que têm defendido a existência de uma tendência para menosprezar a resiliência e a capacidade intrínseca de se autoalimentar da economia chinesa. A ótica com a qual olhamos para a economia chinesa continua a ser a mesma com a qual olhamos para as economias da OCDE, sem colocar na equação as especificidades próprias de uma economia centralizada de mais de 1.300 milhões de indivíduos, com taxas de poupança de 45%, com mais de um terço das reservas cambiais globais e com uma população ávida de adotar padrões de consumo mais sofisticados. Por exemplo, (i) o ritmo de crescimento do e-commerce na China não é comparável ao observado noutras economias e o seu impacto merece considerações específicas, ou (ii) a despesa em investigação, desenvolvimento e inovação da China já supera a da União Europeia.

Quanto ao fraco desempenho dos indicadores das Bolsas chinesas, a China é há algum tempo reconhecida como tendo uma excecionalmente fraca ligação com o crescimento da economia real. Em primeiro lugar, as Bolsas chinesas são apenas responsáveis por cerca de 5% do financiamento das empresas e por 2% do investimento em ativos fixos da economia, níveis significativamente aquém dos observados noutras economias desenvolvidas ou emergentes. Em segundo lugar, as Bolsas são uma das áreas nas quais a China se encontra mais atrasada em relação ao resto do mundo. Estas instituições funcionam na China de uma forma muito diferente (e muito menos profissional) à observada nas principais praças financeiras do mundo. Apenas 15% dos investidores em bolsa na China são profissionais financeiros. A maior parte destes investidores são captadores de poupança privada cujo mérito circula de boca a boca, os denominados “Mom and Pop investors”, que olham para a Bolsa como uma espécie de jogo de azar, sem ter grande atenção aos fundamentals da economia, e com posições financeiras altamente alavancadas.

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Comentário na Edição da Noite da SIC Notícias sobre a tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos

Partilhamos aqui o comentário e leitura geoestratégica do Luís Mah, comentador habitual da SIC Notícias para assuntos da Ásia e co-editor de “O Retorno da Ásia”, sobre a tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, realizado ontem na Edição da Noite daquele canal televisivo.

Mah e SIC Notícias

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Sete das dez economias que mais crescem em 2017 são asiáticas

Sete das dez economias que mais deverão crescer em 2017 são asiáticas (e três africanas), segundo as projeções do Global Economic Prospects, do Banco Mundial, publicadas em junho, designadamente:

Economias com maior crescimento do mundo em 2017

Mais informação aqui, incluindo uma breve discussão sobre as fragilidades do Produto Interno Bruto como indicador de desenvolvimento económico, protagonizada pelo Prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz.

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A China ultrapassa já a Europa em investigação e desenvolvimento

O conhecido think-tank Bruegel, com sede em Bruxelas, publicou em julho um policy paper denominado The challenge of China’s rise as a science and technology powerhouse sobre a ascensão da China a potência mundial em investigação e desenvolvimento, da autoria de Reinhilde Veugelers.

O artigo mostra como a China:

(i) ultrapassa já a União Europeia em despesa com investigação e desenvolvimento em percentagem do PIB;

I&D no mundo

(ii) produz mais doutorados em ciências naturais e engenharias do que os Estados Unidos; e

China e ciência

(iii) produz sensivelmente a mesma quantidade de artigos científicos do que os Estados Unidos.

China e ciência

O objetivo das autoridades chinesas de se tornar o líder mundial em ciência e inovação em 2050 parece bem encaminhado. De certa forma, a China pretende reproduzir o caminho seguido pela Coreia do Sul, construindo uma economia globalmente competitiva baseada em setores intensivos em conhecimento.

A estratégia chinesa pretende criar o melhor sistema de talento científico aquém fronteiras, mas tem por base ainda um modelo de exportação para formação dos seus recursos humanos nos melhores centros científicos do mundo, que absorvem e incorporam no sistema chinês o conhecimento e as redes adquiridas no seu regresso à China. A este respeito, os Estados Unidos continuam a ser o destino preferido, num ganho recíproco para ambos os países, permitindo à China convergir tecnologicamente com a primeira potência mundial e permitindo a esta manter o seu papel de state-of-the-art science.

O paper defende ainda que as relações científicas entre a União Europeia e a China estão no entanto muito menos desenvolvidas e que ainda há muito caminho a percorrer a este respeito.

I&D no mundo

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A China na linha da frente nos negócios com o Irão

No início de 2016, a China e o Irão concordaram em aumentar o comércio bilateral entre ambos os países em USD 600 mil milhões numa década.

China e Irão

Este acordo é ainda mais relevante pelo facto da China ser já há vários anos o principal parceiro comercial do Irão, beneficiado pelas sanções impostas àquele país do Médio Oriente. Apenas em 2016, o comércio entre ambos os países aumentou em 41%, em resultado de um aumento de 60% nas exportações iranianas para a China e de 27% das exportações chinesas para o Irão.

Enquanto a China contribui para este relacionamento bilateral com capital, tecnologia e equipamento, o Irão contribui com o potencial de mercado de 80 milhões de pessoas e vastas necessidades de industrialização e modernização.

Este mês, o Irão acabou de assinar um acordo de USD 5 mil milhões com a francesa Total e a China National Petroleum Corporation para desenvolver um jazigo offshore de gás natural no Golfo Pérsico, o South Pars, que partilha com o Catar (e que este denomina North Pars), sendo este uma das principais fontes de riqueza do emirado catarense. Este é o primeiro acordo deste género com companhias estrangeiras desde o acordo nuclear assinado com as principais potenciais mundiais em 2015.

Irão e Catar

Também este mês, a China e o Irão decidiram colaborar bilateralmente no âmbito da Nova Rota da Seda. Neste âmbito foram incluídas uma ferrovia de 926 quilómetros que irá ligar em alta velocidade Teerão a Mashhad, a segunda cidade mais populosa do país. A este respeito, o Irão assinou um contrato de EUR 2,2 mil milhões para eletrificação dessa linha com a China National Machinery Import and Export Corporation. A ferrovia em questão integra a Nova Rota da Seda ferroviária de 3.200 quilómetros com início em Urumqi, capital da província chinesa de Xinjiang e a capita iraniana.

China e Irão

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