A reacção mais importante a observar nos próximos tempos, em relação ao terceiro ensaio nuclear norte-coreano, será a da China, formalmente a grande aliada de Pyongyang. No entanto, desde que ascendeu ao poder no ano passado, as relações entre Kim Jong-eun e a liderança chinesa não têm sido as melhores e a sua deterioração tornou-se bem visível depois de Pequim ter apoiado uma nova ronda de sanções impostas no mês passado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Elisabeth Economy diz mesmo que a China já não sabe o que fazer com a Coreia do Norte porque nem a ajuda importante que lhe concede em termos económicos, energéticos e alimentares parece servir para influenciar os decisores norte-coreanos. Chung-in Moon, um dos mais reputados politólogos sul-coreanos, defende, numa entrevista ao programa televisivo Newsline da ABC australiana, que os próximos passos devem ser no sentido de reduzir a tensão na península porque Pyongyang responderá com força se se sentir ameaçada. Moon acredita que é necessário voltar às “negociações a seis” – Estados Unidos, China, Japão, Rússia e duas Coreias – e que talvez tão ou mais importante seja a criação de laços de confiança entre Pyongyang e Washington.
Enrique Martínez Galán
Representante de Portugal no Conselho de Administração do Banco Asiático de Desenvolvimento e quadro do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério das Finanças de Portugal
Luís Mah
Investigador do Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CESA) no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e professor auxiliar convidado no Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
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