Os novos tigres asiáticos: a Indonésia

O consumo privado disparou na Indonésia e nas Filipinas. Contrariamente ao que seria de esperar, as duas economias mais populosas do sudeste asiático não sofrem com o abrandamento económico dos principais destinos das suas exportações e a pujança do consumo interno fá-las crescer a níveis máximos na última década.

Estes dois países até ganharam uma alcunha própria nos mercados: os “novos tigres da Ásia” (Asian new tigers), segundo o termo cunhado pela Market Watch do The Wall Street Journal (o conceito de novos tigres inclui também a Colômbia e o Perú na América, a Polónia e a Turquia na Europa e o Uganda e o Gana em África).

Novos tigres asiaticos

O crescimento do PIB indonésio em 2012 foi de 6,2% (terceiro ano consecutivo acima dos 6% e num contexto de uma taxa média de crescimento nesse período de 5,7%. O ligeiro abrandamento face a 2011 (6,5%) deveu-se em parte ao abrandamento da procura chinesa por algumas matérias primas como o óleo de palma e o carvão. O efeito foi significativo na rúpia indonésia, que depreciou cerca de 7% no último ano face ao dólar americano (a maior queda de entre as dez moedas asiáticas mais negociadas, excluindo o iene). No entanto, e enquanto muitos outros mercados emergentes da Ásia são altamente dependentes das exportações, mais de 60% do PIB indonésio é contributo interno, quer público, quer privado. Nada de estranhar se observarmos que estámos na presença do quarto país mais populoso do mundo, com cerca de 240 milhões de habitantes.

Indonesios

A Indonésia atraiu níveis recorde de investimento direto estrangeiro em 2012. O Jakarta Times descreve este fenómeno no seu editorial como red hot.

Empresas como L’Oréal ou Toyota aumentaram significativamente a sua capacidade de produção local para dar resposta à procura crescente de uma classe média em ràpida expansão, favorecida por (i) taxas de juro muito atrativas (a taxa de referência do Banco Central da Indonésia situa-se neste momento em 5,75%, o seu mínimo histórico), (ii) índices bolsistas em alta (o índice composto da Bolsa de Jacarta alcançou ontem o seu nível máximo histórico), e (iii) aumentos salariais significativos (aumento de 44% no salário mínimo em Jacarta) – sim, é mesmo 44%, não tem um quatro a mais -. Mas também o investimento doméstico atingiu níveis màximos, com os conglomerados familiares que dominam a economia indonésia (Sinar Mas ou o Grupo Bakrie) a aumentar significativamente o ritmo de construção de centros comerciais, hospitais e novas urbanizações.

Construção em Jacarta

A outra face da moeda, que tem gerado alguma preocupação junto dos analistas económicos, nomeadamente ao nível do aumento significativo do défice comercial (a Indonésia passou em 2012, e pela primeira vez em cinquenta anos (!), de excedente a défice comercial), algumas tensões inflacionistas e, sobretudo, do ressurgir de algum nacionalismo económico. A leitura que os mercados fazem do peso destes factores, juntamente com o tão conhecido défice de infra-estruturas no país, no desempenho futuro da economia indonésia, constata-se entre outros nos diferenciais de taxas de juro nas emissões de obrigações de dívida pública a dez anos (os 5,25% da Indonésia comparam desfavoravelmente com os 3,8% das Filipinas, 3,6% da Tailândia ou 3,5% da Malásia – como referência, os títulos da dívida portuguesa negoceiam hoje a 6,7%).

Standard and Poor's

Um passo na direção certa seria a eliminação ou, pelo menos, a forte redução do subsídio atualmente praticado aos combustíveis (que custa ao tesouro público cerca de 22 mil milhões de dólares por ano aos contribuintes, cerca de 10% do PIB português), mas parece difícil que o Presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono tome essa decisão num contexto de pré-campanha eleitoral às eleições presidenciais de 2014. No entanto, as agências internacionais de notação têm vindo a sublinhar que esta medida é necessária para a Indonésia manter a sua credibilidade e, em última instância, não prejudicar a sua notação atual.

Presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono com Barack Obama

Refira-se que, das grandes economias asiáticas, o crescimento da Indonésia em 2012 foi apenas superado pelo da China (7,8%) e pelo das Filipinas (6,6%). Muito acima dos observados na Coreia do Sul (2,1%) ou em Taiwan (1,3%).

O caso das Filipinas será objeto de posting amanhã.

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Esta entrada foi publicada em China, Colômbia, Coreia do Sul, Filipinas, Gana, Indonésia, Malásia, Perú, Polónia, Tailândia, Taiwan, Turquia, Uganda, Visão macro. ligação permanente.

3 respostas a Os novos tigres asiáticos: a Indonésia

  1. Pingback: Os novos tigres asiáticos: as Filipinas | O Retorno da Ásia

  2. polo diz:

    eu acho q e muito difícil de acha uma pesquisa completa

    • Enrique Galán diz:

      Muito obrigado, Paulo Henrique, pelo comentário e pelo interesse no nosso blogue. A riqueza de estudos sobre o desempenho da economia indonésia é muito ampla. Com os nossos postings, apenas pretendemos sensibilizar e encaminhar os leitores para leituras mais aprofundadas sobre a evolução da região da Ásia e do Pacífico e como está influencia o mundo lusófono. Um abraço.

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